Rinite alérgica pode ser prevenida com medidas simples

Limpeza e arrumação na casa ajudam a controlar a alergia

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 25/02/2011

Dr. Krishnamurti Sarmento Junior
Otorrinolaringologia - CRM 16937/DF

Tenho um grande amigo que é dono de um cachorrinho da raça Poodle, batizado com o pomposo nome de Zeus. Talvez ludibriado pelo nome, Zeus jamais se deu conta de seu porte minúsculo e seu latido fino, pouco intimidador. Incorporando o deus grego, o cachorrinho late e rosna até para o vento. Basta ouvir passos no corredor que sai em disparada para a porta fazendo um verdadeiro escândalo.

Pois bem, sempre que penso na mucosa nasal de um paciente com rinite alérgica, lembro-me do pequeno Zeus. Por quê? Acontece que o nariz do alérgico é um pouco como o cachorrinho que faz "muito barulho por pouco". Alergia nada mais é que uma resposta exacerbada do nosso sistema imune à determinada substância, chamada de alergeno. Quem tem rinite alérgica, reage de forma exagerada a determinados estímulos, como a exposição à poeira, pólen ou ácaro. A mucosa nasal quando percebe a presença de tais substâncias vai logo inchando, produzindo secreção aquosa e causando espirros e obstrução nasal: uma reação um tanto quanto exagerada, comparável ao "escândalo' de Zeus. Com isso, a reação alérgica por si só acaba sendo mais prejudicial à pessoa que a própria substância que a desencadeou.

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Já está mais que comprovado que o controle ambiental no quarto onde o paciente com rinite dorme é o que tem maior impacto na redução de suas queixas.

Acontece que, no caso da rinite, a mucosa nasal pode ficar tão 'estressada" que deixa de reagir apenas a esta ou aquela substância que causa alergia e passa a inflamar por literalmente qualquer motivo: uma mudança brusca de temperatura, variação na umidade relativa do ar, qualquer cheiro mais forte ou mesmo estresse. A esse fenômeno, cada vez mais identificado, que não depende propriamente de uma reação alérgica como a conhecemos em outros órgãos, chamamos de rinite mista. E daí vem a grande dificuldade de controlar os sintomas. Não é fácil acalmar essa mucosa nasal que chegou a esse estágio.

No mundo inteiro nota-se um aumento da incidência de rinite com o passar das décadas. Alguns estudos quantificam esse crescimento em até 40%. Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas sofram de rinite. Sem dúvida alguma, a poluição ambiental dos grandes centros urbanos está relacionada a este aumento. Mas como muitos de nós não podemos nos dar ao luxo de nos mudarmos para a floresta mais próxima, o que podemos fazer para diminuir os sintomas nasais?

Como prevenir os sintomas?

Bom, em primeiro lugar, precisamos cuidar de nossa casa. Muitas vezes não podemos evitar o ar condicionado do escritório, cujo filtro pode ter sido limpo pela última vez em 1947. Mas podemos controlar o ambiente de nossa casa, em especial o quarto onde dormimos. Já está mais que comprovado que o controle ambiental no quarto onde o paciente com rinite dorme é o que tem maior impacto na redução de suas queixas. São dicas importantes:

1) Evitar carpetes e tapetes. Dar preferência a pisos que possam ser limpos com um pano úmido, pelo menos uma vez por dia.
2) Tirar do armário do quarto roupas de inverno, cobertores e tudo que não é utilizado com frequência e que pode acumular poeira.
3) Trocar a roupa de cama uma a duas vezes por semana.
4) Manter o quarto arejado e ventilado.
5) Retirar os bichos de pelúcia do aposento.
6) Bichos de estimação não devem ter acesso ao quarto.

Se sua casa está em obra, paciência, vai ser muito difícil controlar a rinite enquanto a obra durar ou você estiver próximo a ela.

Evitar os fatores desencadeantes das crises de rinite é importante, mas nem sempre resolve. É preciso então procurar um otorrinolaringologista para uma avaliação. Isso porque nem tudo que entope o nariz é rinite alérgica. Muitas vezes trata-se de um desvio de septo ou uma sinusite crônica que estão perpetuando os sintomas e isso só o otorrino poderá dizer. Em se confirmando apenas rinite, é hora de contemplar as possibilidades de tratamento, que vão desde o uso de anti-alérgicos orais ou nasais, até a imunoterapia (as famosas vacinas). Nestes casos o otorrino avaliará o caso em conjunto com o alergista (ou alergologista).

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Por último, um alerta. Usar vasoconstritores nasais (aquelas gotinhas para desentupir nariz) durante as crises é uma péssima ideia. Principalmente se as crises são frequentes. Essas medicações podem viciar o paciente e, quando usadas de forma repetida, aumentam as chances de hipertensão e outras doenças.

Até a próxima!

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