Conflitos familiares na infância aumentam risco de doenças cardíacas

Abuso físico e verbal é um dos fatores que influenciam o risco

Por Minha Vida - publicado em 03/08/2011


Novo estudo, realizado pela Brown University, Estados Unidos, diz que o risco de doenças cardíacas em meia-idade é moderadamente alto para homens e mulheres que cresceram em ambiente familiar com adversidades. A descoberta foi publicada no periódico Psychosomatic Medicine.

O resultado é baseado na análise de registros médicos e descrição da infância de 3.554 adultos. Para medir os níveis de problemas familiares, foi feita uma pesquisa com sete perguntas, que questionaram aos participantes sobre a frequência de condições ocorridas na infância, como abuso físico ou verbal ou gestos de amor e apoio.

Nos resultados, o risco de desenvolver doenças cardíacas entre as idades de 40 e 50 subia 1% para cada ponto extra registrado por um participante, de um máximo de 21 pontos na "escala de risco familiar".  

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Embora sejam necessárias mais pesquisas para determinar como a dinâmica familiar contribui com o risco cardíaco, uma das relações mais encontradas foi com o cigarro. Para os pesquisadores, crianças que não são bem monitoradas pelos pais são mais propensas a experimentarem o cigarro, vício que pode ser mantido em idade adulta. Sendo o fumo um dos maiores fatores de risco para doenças cardíacas, isso levaria ao aumento do risco cardíaco.

Estresse e doenças do coração

Um dos motivos que relacionam conflitos familiares a problemas cardíacos pode ser o estresse. Altos níveis de cortisol, hormônio liberado durante situações de estresse, podem causar mortes em pessoas que já tenham doenças cardiovasculares, como indica outro estudo feito pela VU University, na Holanda e publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

Nesse estudo, os pesquisadores observaram o comportamento de 861 pessoas com mais de 65 anos que tinham histórico de problemas cardíacos como pressão alta, derrames e infartos. Durante o período de três anos, 183 dos pacientes que estavam sendo acompanhados morreram e a causa da morte de cada um foi investigada. Na maioria dos pacientes que faleceram, a quantidade de cortisol circulante no organismo era maior do que a esperada. Esse aumento está relacionado a complicações cardiovasculares, como síndrome metabólica e aterosclerose acelerada.  

De acordo com os números levantados no estudo, para as pessoas que não sofrem com doenças cardiovasculares, os problemas causados pelo cortisol são quase imperceptíveis, mas para pessoas que tem histórico de doenças do coração, o aumento nos níveis desse hormônio eleva o risco de morte em cinco vezes.

Os grandes causadores do aumento dos níveis de cortisol são os fatores estressantes como, trânsito, brigas entre os cônjuges, tarefas no trabalho e problemas familiares. Por isso, os pesquisadores aconselham quem sofre com problemas cardíacos a fugir de fatores estressores e controlar o estresse. Alguns alimentos como chocolate amargo, frutas ricas em vitamina C e chá preto são ótimas armas contra o estresse.

Além disso, alguns hábitos como dormir em lugares escuros, silenciosos e arejados, fazer exercícios e caminhar por lugares verdes também ajudam no controle do estresse e são um bom meio de deixar os níveis de cortisol baixos. 


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