Pessoas que fumam logo que acordam têm maior risco de câncer

Propensão aos cânceres de pulmão e cabeça e pescoço é maior nesses fumantes

Por Minha Vida - publicado em 09/08/2011


Dois novos estudos descobriram que fumantes que tendem a acender o seu primeiro cigarro logo após acordar, ainda pela manhã, podem ter um risco maior de desenvolver câncer de pulmão, cabeça e pescoço do que aqueles que fumam apenas mais tarde. Publicado no periódico Cancer, os resultados podem ajudar a identificar os fumantes que têm um risco particularmente maior de desenvolver tumores, o que permitiria ações mais voltadas para diminuir o risco dessa população.

A análise do câncer de pulmão incluiu 4.775 casos deste tipo de neoplasia e 2.835 do grupo de controle. Todos eles fumavam regularmente. Quando comparados a indivíduos que fumavam mais de 60 minutos após acordar, indivíduos que fumavam de 31 a 60 minutos depois do sono eram 1,31 vezes mais propensos a desenvolver câncer de pulmão. Já entre os que acendiam o cigarro em até 30 minutos, as chances eram 1,79 vezes maiores.

A análise do câncer de cabeça e pescoço (que inclui lábios, cavidade oral e nasal, seio paranasal, faringe e laringe) contou com 1.055 pacientes vítimas dessas complicações e 795 no grupo de controle, todos eles fumantes. Comparados a indivíduos que fumavam mais de 60 minutos depois de acordar, aqueles que fumavam de 31 a 60 minutos após o período eram 1,42 mais propensos a desenvolver câncer de cabeça e pescoço, e aqueles que fumavam nos primeiros 30 minutos de seu dia eram 1,59 mais próximos da doença.

As descobertas indicam que a necessidade de fumar logo após a noite de sono pode aumentar a propensão de o fumante ter câncer. Para os pesquisadores, isso pode acontecer porque essas pessoas têm maiores níveis de nicotina e, possivelmente, outras toxinas do tabaco em seu corpo e, por isso, podem ser mais viciados em cigarros do que aqueles que fumam depois de meia hora ou mais.

Segundo os autores do estudo, esse grupo de risco seria beneficiado por programas para parar de fumar, já que as campanhas poderiam ser direcionadas para ele.

Tabagismo é doença

Não se iluda: o tabagismo é doença, sim, e precisa de tratamento. No Brasil, o número de pessoas que sofrem com esse problema representa 22% da população. No mundo, estima-se que mais de um bilhão de pessoas fumem. O fato é que o vício, apesar de não ter restrições legais, está por trás de muitos casos de infarto, derrame, enfisema de pulmão e tumores. Com apenas quatro cigarros por dia, seu risco de ter um infarto já dispara e diminuir essa quantidade não refresca a situação. Metade dos fumantes vai morrer em decorrência do vício, o que significa 3,5 milhões de mortes no mundo a cada ano ou cerca de dez mil por dia.

O problema é que as doenças relacionadas ao cigarro podem demorar mais de 20 anos para se manifestar, explicando, em parte, por que muitos fumantes simplesmente não querem parar. Eles têm a falsa ilusão de que se trata de um problema futuro. Ledo engano: a cada tragada, o organismo já sente as consequências das mais de quatro mil substâncias tóxicas que o cigarro tem, e parar, depois de tantos anos, é uma tarefa muito difícil. 


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