Pesquisadores do Hospital Infantil de Boston descobriram que a vacina contra gripe em crianças entre dois e quatro anos pode reduzir o número de visitas aos prontos-socorros. O governo dos EUA começou a recomendar em 2006 a vacinação das crianças desta fase e, em 2008, ela se estendeu a todas as crianças a partir dos seis meses. No Canadá, essas medidas foram tomadas apenas em 2010.
Os pesquisadores compararam dados de 2000 a 2008 e computaram 114.657 visitas de crianças com menos de 18 anos a prontos-socorros de dois hospitais - um em Boston (EUA), outro em Montreal (Canadá) - com sintomas semelhantes aos da gripe.
Os cientistas descobriram que após 2006 - quando a vacina passou a ser aplicada nos Estados Unidos para crianças em fase pré-escolar -, as visitas de crianças nessa faixa etária às salas de emergência diminuíram 34% no hospital de Boston em comparação ao de Montreal.
Além disso, as idas a prontos-socorros nas idades entre cinco e 18 anos diminuíram 18% em Boston. Os pesquisadores concluíram que a política da vacinação das crianças em fase pré-escolar talvez tenha reduzido a probabilidade de transmissão da gripe às crianças mais velhas.
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O que é verdade e o que não passa de mito no tratamento da gripe
Distinguir a gripe do resfriado é fundamental para saber lutar contra ela com as armas certas. O primeiro passo, portanto, é atentar para aos sinalizadores das diferenças entre as duas infecções do trato respiratório.
Marco Aurélio Sáfadi, infectologista pediatra e professor da Santa Casa de São Paulo, ressalta que o início do resfriado é progressivo, com sintomas mais brandos, e dificilmente resulta em febre. Mas se você sente mal-estar, falta de apetite, dor de garganta e cabeça e é acometido por uma febre súbita, o vírus da gripe deve estar em ação.
Depois de diferenciar as doenças, é preciso desvendar os mitos que rondam a gripe para lançar mão das medidas realmente eficazes no combate a ela. A lista, a seguir, aponta o que não passa de balela no tratamento da doença e ensina a melhor forma de superá-la.
Antigripais em ação
A confusão já começa pela denominação dos medicamentos. Os verdadeiros antigripais são aqueles especificamente voltados para o enfraquecimento do vírus Influenza. No entanto, "o termo antigripal é freqüentemente usado como uma expressão coloquial para definir os medicamentos sintomáticos, aqueles que só aliviam os sintomas", relata o especialista.
O médico conta ainda que os antigripais mais antigos têm certas limitações e não exercem muito efeito sobre a gripe. A novidade em relação ao tratamento da infecção é o antiviral com o princípio ativo fosfato de oseltamivir. O medicamento precisa ser usado nas primeiras 48 horas de sintomas.
Assim, é capaz de inibir a enzima que dissemina o vírus pelo trato respiratório, diminuindo a severidade da doença.
"O medicamento não mata o vírus , destaca Marco. Apenas impede que ele se alastre pelo trato respiratório e reduz as conseqüências da infecção", completa. O uso deve ser feito sob prescrição médica. Além disso, somente um especialista é capaz de verificar se os sintomas realmente formam o diagnóstico precoce da gripe.
Vale a pena apostar na variedade de chás?
Chá de hortelã, menta e alho são só alguns exemplos da variedade da
bebida que promete aplacar a gripe. "De fato eles trazem um alívio
sintomático. Mas eram usados quando não existiam outras opções para
minimizar a gripe", fala o infectologista da Santa Casa.
Ele frisa que não existem estudos científicos que comprovem a eficácia
dos chás sobre as complicações da gripe. Eles podem contribuir, porém,
para a recomendação de hidratação inclusa no tratamento da doença.
"Somente o medicamento antiviral é capaz de diminuir o tempo e a
gravidade dos sintomas da gripe", insiste Marco Aurelio.
Ainda falando sobre os efeitos do medicamento antiviral, o especialista
diz que ele pode ser usado quando os primeiros sintomas aparecem ou
ainda quando houve um contato próximo com alguém gripado. Nestes casos, o
antiviral funciona como método preventivo.
Os verdadeiros poderes da vitamina C
A vitamina C também faz parte da lista de combatentes da gripe que não
têm efeitos cientificamente comprovados. Apesar de ser uma vitamina
importante para defender o organismo contra infecções, ela não tem a
função de amenizar os sintomas já instalados. A necessidade de
suplementação, a fim de fortalecer o sistema imunológico, também não é
comprovada.
De acordo com Viviane Lagnado, nutricionista da marca de vitaminas,
minerais e suplementos alimentares Nutrilite, o engano sobre os efeitos
da vitamina C acontece pelo fato de o nutriente estar envolvido na
regulação da temperatura corporal, defendendo assim, o organismo.
A responsável pela equipe nutricional do Minha Vida, Roberta Stella,
lembra que o poder da vitamina C foi ressaltado pelo pesquisador Linus
Pauling. Ele pregava que altas doses do nutriente agiam contra gripes e
resfriados, além de outras doenças. Desde então, o assunto é controverso
e os estudos ainda não são conclusivos.
Andar descalço não intensifica a gripe
Quando a saúde está debilitada por causa da gripe, muita gente aconselha que hábitos como andar descalço, beber gelado ou tomar banho quente e logo após se expor ao tempo frio sejam evitados.
Marco Aurélio explica que o conselho é válido para quem quer evitar rinite e outras manifestações respiratórias. No entanto, os costumes não exercem influência sobre a gravidade da gripe instalada e tampouco acarretam a doença, causada pelo contágio do vírus Influenza.