Seguir uma dieta vegetariana e se exercitar três vezes por semana diminuem significantemente o risco de diabetes - e os maiores beneficiados são os negros, que são duas vezes mais propensos à doença. A descoberta foi da Loma Linda University, nos Estados Unidos, e publicada no periódico Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases.
A pesquisa utilizou 7.172 participantes do Adventist Health Study-2, onde todos eram negros e Adventistas do Sétimo Dia - um grupo religioso que promove o vegetarianismo e defende a abstinência de álcool e cigarro. Eles receberam um questionário que perguntava a frequência com que eles consumiam 130 alimentos e grupos alimentares. A dieta dos voluntários foi dividida de acordo com suas respostas em vegana, ovo-lacto, vegetariana etc.
Os resultados mostraram que, se comparados a negros não vegetarianos, os veganos possuem risco de diabetes 70% menor, e ovo-lacto-vegetarianos (que consomem laticínios, mas não carne), têm risco 53% menor. Para os pesquisadores, uma possível explicação é a proteção associada a alimentos que vegetarianos costumam consumir em maior quantidade - frutas e vegetais têm maior teor de fibras, o que pode ter contribuído com a menor ocorrência de diabetes tipo 2. Além disso, cereais integrais e leguminosas (feijão) são eficientes no controle glicêmico e capazes de diminuir a taxa de absorção de carboidratos, reduzindo o risco do diabetes.
O estudo também indicou que os participantes que se exercitaram três ou mais vezes por semana, comparados àqueles que se exercitaram apenas uma ou nenhuma, têm chances 35% menores de desenvolver diabetes.
Os pesquisadores também analisaram os dados de 34.215 não negros Adventistas e encontraram proteção similar contra o diabetes. As descobertas confirmam resultados de estudos anteriores, que dizem que a dieta vegetariana ajuda a prevenir a doença.
Mais uma comprovação científica
De acordo com um estudo do Comitê Médico pela Medicina Responsável, que promove o vegetarianismo, seguir estes hábitos pode ser melhor do que o cardápio elaborado pela Associação Americana de Diabetes (ADA).
Depois de realizar uma pesquisa de 22 semanas com 99 pessoas portadoras do diabetes tipo 2, os médicos perceberam que houve mudanças na saúde dos pacientes. Enquanto o grupo 1 se alimentava com a dieta vegetariana, pobre em gordura e açúcar, o outro grupo seguiu as instruções da ADA.
Os resultados mostraram que os dois grupos tiveram redução do peso e dos níveis de glicose, porém, o grupo 1 mostrou menores riscos de desenvolver uma doença cardiovascular. O que é extremamente importante, já que pesquisas mostram que essa é a principal causa de morte entre os diabéticos. Outro ponto favorável é que o grupo 1 teve um aumento considerável em qualidade de vida, pois passou a ingerir mais frutas, hortaliças, nozes, proteína de soja e fibra cereal, diminuindo a ingestão de gordura trans.