No tratamento de câncer de mama em estágio inicial, a obesidade pode ser um grande empecilho. Mulheres muito acima do peso têm menor tempo de recorrência, ou seja, o câncer pode voltar mais rápido. Além disso, essas pessoas também possuem índices menores de sobrevivência.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores da Baylor College of Medicine, Estados Unidos, usaram dados da Lester and Sue Smith Breast Center, um centro de apoio ao paciente com câncer de mama da Baylor College of Medicine. Eles examinaram a relação entre o peso e a modalidade de tratamento em 4.368 pacientes entre 1970 e 1995.
Os dados revelaram que mulheres com sobrepeso tiveram resultados similares aos daquelas com peso normal, mas aquelas com obesidade tiveram maior risco de recorrência do câncer e maior mortalidade.
Entre as pacientes que não receberam quimioterapia adjuvante ou hormonioterapia, aqeulas com obesidade tinham piores resultados no que se refere à sobrevivência. Entre as que receberam quimioterapia, os resultados do grupo de pessoas com obesidade também alcançou os piores resultados.
Para os pesquisadores, isso acontece por causa de fatores biológicos associados ao excesso de peso, como maiores índices de estrogênio e insulina no sangue, inflamações e substâncias secretadas pelas células de gordura que facilitam o crescimento do tumor.
A exceção foi o tratamento com hormonioterapia (em especial com tamoxifeno, muito usado no tratamento de câncer de mama em estado inicial), onde a obesidade é tida como um fator de proteção aos efeitos colaterais. Ainda não se sabe a razão desta descoberta.
Obesidade também é fator de risco para o câncer
Outro artigo, este publicado no British Journal of Cancer, aponta a obesidade como maior responsável pela forma mais comum de câncer de mama em mulheres de mais idade. De acordo os pesquisadores, a doença é mais perigosa até do que o cigarro e o álcool.
Liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, o estudo analisou registros de saúde de cerca de 6.300 mulheres em fase pós-menopausa. Sabendo que nessa etapa da vida os altos níveis dos hormônios estrogênio e testosterona aumentam entre duas e três vezes os riscos de ter câncer de mama, eles observaram quais fatores influenciavam esse crescimento.
Os resultados mostraram que a obesidade se mostrou mais influente no crescimento dos níveis de hormônio do que outros hábitos prejudiciais, como o consumo de álcool e o tabagismo. Além disso, segundo os pesquisadores, gravidez, uso de contraceptivos em pílula e menopausa também alteram os níveis hormonais femininos. Entretanto, pelo fato de o peso ser uma característica possível de mudança, a obesidade deveria ficar no topo da lista.
Embora a probabilidade de ter câncer de mama também esteja associada ao histórico familiar, é importante que as mulheres se conscientizem sobre como o seu estilo de vida pode aumentar ou diminuir os riscos.