Um aumento na pressão sanguínea durante a meia-idade aumenta significativamente o risco de ter um ataque cardíaco ou AVE (acidente vascular encefálico, popularmente conhecido como derrame ou AVC) na velhice, de acordo com estudo da Northwestern Medicine, nos Estados Unidos. A pesquisa oferece um novo entendimento sobre a importância de manter a pressão arterial baixa já no início de meia-idade, para prevenir doenças cardíacas mais tarde.
O estudo usou dados de 61.585 participantes do Cardiovascular Lifetime Risk Pooling Project. A primeira medição da pressão sanguínea desses voluntários foi aos 41 anos e, depois, aos 55 anos. Os estudiosos seguiram os pacientes até que ocorresse um primeiro ataque cardíaco, AVE, morte ou até que eles chegassem aos 95 anos.
Ao final do estudo, descobriu-se que homens que desenvolveram pressão alta na meia-idade ou que já a tinham antes do início do estudo possuem risco de 70% de terem AVE ou ataque cardíaco, comparado ao risco de 41% daqueles que mantiveram a pressão sanguínea baixa ou que a pressão diminui ao longo do período de estudo. Já as mulheres que desenvolveram hipertensão tiveram quase 50% de risco de ter as doenças cardíacas supracitadas, comparado a 22% de risco entre aquelas que mantiveram a sua pressão sanguínea baixa ou que perceberam um declínio dela.
Homens, geralmente, têm 55% de chances de desenvolver doenças cardiovasculares durante a vida, enquanto as mulheres têm 40% de risco. Para os pesquisadores, o estudo sugere que as pessoas devem se prevenir desde cedo, para que possam diminuir as chances de ter doenças cardíacas ao longo da vida.
Hipertensão é a principal causa de insuficiência cardíaca e AVE
A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Cada vez que o coração bate e bombeia sangue, sua pressão estará mais elevada, o que se chama pressão arterial sistólica. Quando o coração está em repouso, entre um batimento e outro, a pressão sanguínea diminui, é a chamada pressão diastólica.
A pressão arterial elevada aumenta diretamente o risco de doença cardíaca coronariana o que leva ao ataque cardíaco e acidente vascular encefálico, especialmente se junto com outros fatores de risco. A hipertensão geralmente não apresenta sintomas, mas pode causar problemas graves, como insuficiência cardíaca e renal. É fácil controlar a pressão arterial através de um estilo de vida saudável e, se necessário, do uso de medicação.
A hipertensão pode ocorrer em crianças ou adultos, mas é mais comum em pessoas de meia-idade e idosos, obesos e alcoólatras. Pessoas com diabetes ou doença renal também têm pressão alta com mais frequência. Segundo o cardiologista do Instituto do Coração (Incor) Bruno Caramelli, a hipertensão arterial não é um gatilho para insuficiência cardíaca e derrame cerebral, mas sim o principal fator de risco. "Nos hipertensos há uma hipertrofia (aumento de tamanho) do coração para que consiga bombear o sangue pra frente mais facilmente", explica.
Se o órgão não dá conta de bombear todo o sangue, há o que chamamos de insuficiência cardíaca. Um dos sintomas mais comuns é a dificuldade de respirar, uma vez que o coração está inchado e rouba mais espaço dos pulmões. O especialista também lembra que a predisposição genética é outro fator determinante para a doença hipertensão arterial.
Por ser uma condição silenciosa, quase sem nenhum sintoma, a melhor indicação é para que as avaliações da pressão arterial se iniciem ainda durante a infância.
Com um teste simples, rápido e indolor é possível detectar a hipertensão no mesmo instante. E ela pode ser controlada. Porém, não apenas medicamentoso, o tratamento deve incluir: perda de peso, abandono do hábito de fumar ou beber álcool, adoção de uma dieta com pouco teor de gordura e sal, além de exercícios físicos.