Vacina contra dengue esbarra nas próprias variações do mal

Proteger contra os quatro tipos da doença é o grande desafio

Por Minha Vida - publicado em 19/07/2007


É fato que o controle do mosquito transmissor do dengue é muito difícil. Por isso os pesquisadores estão debruçados em busca de uma vacina capaz de afastar a ameaça da doença de uma vez por todas assim como já existe uma capaz de proteger contra a febre amarela, que imuniza contra um vírus parente do da dengue. O problema é que essa vacina teria que proteger ao mesmo tempo contra os quatro subtipos de vírus sem, no entanto, desencadear o mecanismo que leva à forma hemorrágica. Se não ocorrer a imunização quádrupla, teoricamente o indivíduo vacinado teria maior risco de desenvolver o dengue hemorrágico , conta o pesquisador Luiz Tadeu Moraes, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Isso sem contar que precisa ter baixo custo, para ser viável, e baixa toxicidade. É por isso que o desenvolvimento dela não é tão simples.

Atualmente, a Ásia lidera as pesquisas nesse assunto, mas há testes sendo feitos inclusive no Brasil. As linhas de pesquisa de vacinas existentes ou em fase de desenvolvimento atualmente são:

1. vacinas de vírus vivo atenuado: o objetivo é produzir uma variante do vírus incapaz de causar a doença, mas que consiga despertar a resposta imunológica do organismo. Nos últimos quinze anos pesquisadores tailandeses desenvolveram um vírus desse tipo e testaram a vacina em voluntários, com bons resultados. Mas ainda é preciso mais estudos para checar sua eficácia e toxicidade.

2. vacina de vírus inativado: até aqui o processo parece extremamente caro, inviabilizando sua implantação em grande escala, por isso foi praticamente abandonado

3. vacinas de engenharia genética: aqui entram as modernas vacinas de DNA, que consistem em inocular determinados genes do vírus em células que, por sua vez, são injetadas em animais onde esses genes conseguem se expressar. O resultado é a produção de proteínas do vírus do dengue, que conseguem alertar o sistema imunológico da pessoa para a produção de anticorpos. Neste grupo também estão as vacinas de vírus recombinantes. Um exemplo são as que usam como esqueleto um vírus da febre amarela (parente do da dengue), substituindo um gene por outro dos 4 sorotipos da dengue. Pelos resultados até aqui, estão entre as mais promissoras.

Vale lembrar que o desenvolvimento de qualquer vacina dura no mínimo uns dez anos e, no caso da dengue, tem que ser 100% eficiente para não aumentar as chances de dengue hemorrágica.


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