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Você está perdendo a guerra contra o peso há anos. O ponteiro não pára de subir, as roupas já multiplicaram de tamanho e pipocam os maus efeitos dos quilos sobre o corpo: o fôlego foi embora, a coluna dói, até amarrar os sapatos está cada dia mais difícil. Você conclui que precisa de uma solução radical e pensa em apelar para cirurgia. Afinal, todo mundo não cansa de alardear seus benefícios e de minimizar seus riscos. E isso tudo é verdade. Mas...
Antes de passar pelo bisturi é preciso um intenso preparo físico e psicológico. Marcar uma operação desse tipo não é a mesma coisa que agendar um tratamento estético. Estamos assistindo a um aumento das cirurgias de obesidade , nota o endocrinologista Daniel Lerario, de São Paulo. Então, o passo inicial é escolher um profissional que trabalhe com uma equipe multidisciplinar. A primeiríssima recomendação que ele vai lhe fazer é perder um pouco de peso. Qualquer diferença facilita e, muito, todo o procedimento. Por isso você vai ser estimulado a começar já a adotar uma dieta equilibrada.
Depois disso vem a bateria de exames para avaliar todo o funcionamento do organismo. O paciente só vai para a mesa de cirurgia com tudo em perfeito estado. Alguns precisam até de fisioterapia para melhorar a função pulmonar do procedimento. Com esses cuidados, o risco de morte cai para menos de 1%.
Um psicólogo deve acompanhar o caso de perto, para ajudar o paciente a tomar consciência da enorme mudança que vai sofrer, afetando a própria identidade. Ele também vai trabalhar as questões emocionais envolvidas no apetite. Muita gente na verdade sofre de uma grande ansiedade e costuma descontar no prato.
Todos esses cuidados ajudam a afastar o risco de recuperar o peso no futuro. Sim, porque a cirurgia não é como um passe de mágica. No primeiro ano ocorre uma grande perda de peso que se estabiliza depois de dois anos. Mas passados, três ou quatro aniversários, você pode até engordar novamente se não mudar os hábitos. Por isso vale lembrar: a obesidade é uma doença, e a cirurgia é só uma ferramenta para controlá-la.
Tipos de cirurgia
1. Fobi-Capella
Cerca de 90% das cirurgias feitas no Brasil seguem este método, também chamada de mista por reunir duas técnicas: a restritiva e a desabsortiva.
Como é: o estômago é dividido em dois e a menor parte é ligada diretamente ao intestino delgado, diminuindo o tempo de trânsito dos alimentos no tubo digestório.
Efeitos colaterais: intolerância a doces, que tende a diminuir depois de um ano
2. Restritiva
Banda gástrica ajustável
Como é: Uma espécie de cinto deixa o estômago com forma de ampulheta, limitando a entrada de comida.
Riscos: rejeição da prótese, infecções
3. Desabsortiva
Como é: Corta-se um pedaço do estômago, isolando uma parte do intestino para diminuir a absorção de nutrientes.
Riscos: graves problemas nutricionais e metabólicos se não houver um acompanhamento médico rigoroso.
De modo geral, a recuperação dos três tipos de cirurgia é bastante similar: em cerca de dez dias o paciente pode realizar atividades leves. Para esforços físicos moderados deverá esperar 30 dias. Nesse primeiro mês deverá seguir uma dieta líquida.