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HIV em mulheres: como recuperar a libido e manter relacionamentos

Autoestima pode ser reconquistada com apoio da equipe médica e cônjuge

Para algumas mulheres, sexo nem sempre é sinônimo de prazer. Existe uma série de condições que pode afetar o ato sexual ou a forma como a mulher o encara - entre elas a infecção pelo HIV. Algumas mulheres soropositivas optam pela abstinência sexual após o diagnóstico. "As circunstâncias relacionadas à descoberta da doença podem interferir no desejo sexual, causando sua diminuição ou a perda total", explica a psicóloga especialista em sexualidade humana Janaina Reis, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Aceitar essa fase e procurar formas de contornar a perda da libido são fundamentais para a mulher retomar as atividades sexuais e prosseguir com seus relacionamentos. Por isso, conversamos com duas especialistas no assunto para explicar as mudanças que levam a perda do desejo sexual e como vencer essa barreira:

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Físico x psicológico

Convivendo com a AIDS

A infectologista Rosana Del Bianco, do setor de assistência do Programa Municipal de DST/Aids da cidade de São Paulo, afirma que a infecção pelo HIV não afeta diretamente a libido da mulher, pois o vírus ataca apenas as células de defesa do organismo. De acordo com a psicóloga Janaina, o receio quanto ao aparecimento de doenças oportunistas, depressão e até o medo da discriminação podem levar a redução do desejo e das atividades sexuais. "Outros sentimentos vão se incorporando em consequência dessa crise, tais como a culpa e a revolta por ter sido contaminada e as demais consequências físicas, psicológicas e sociais."

É comum, portanto, a mulher soropositiva interromper temporariamente ou definitivamente as atividades sexuais após o conhecimento da infecção. "Isso se deve muito mais a fatores psicológicos (medo, culpa, insegurança) do que físicos", ressalta Janaina.

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É comum, portanto, a mulher soropositiva interromper temporariamente ou definitivamente as atividades sexuais após o conhecimento da infecção. "Isso se deve muito mais a fatores psicológicos (medo, culpa, insegurança) do que físicos", ressalta Janaina.

Mudança de perspectiva

É certo que a infecção pelo HIV muda totalmente a visão que as mulheres têm sobre o sexo, principalmente no que diz respeito ao uso da camisinha e outros cuidados para não transmitir o vírus. Nesse contexto, a dificuldade para se adaptar ao uso do preservativo é a principal barreira a ser quebrada. "A camisinha se torna um complicador para o relacionamento sexual, recusada por muitos homens que sabem que elas são portadoras, ou presente no espaço mais íntimo do casal para lembrá-los de algo que querem esquecer", afirma Janaína. O medo de o preservativo romper, infectar o(a) parceiro(a) e aumentar a carga viral também são constante na vida dessas mulheres.

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Dito isso, é muito importante buscar ajuda e o autoconhecimento, uma vez que só a aceitação desses medos permitirá que a mulher volte a ter uma vida sexual plena e satisfatória. "Com o tempo a mulher vai adquirindo conhecimento sobre a condição e pode aprender a conviver melhor com essa realidade, deixando de lado os medos e se permitindo viver a sexualidade de forma consciente e prazerosa", declara a especialista em sexualidade humana Janaína Reis.

Importância do tratamento precoce

É certo que o vírus HIV causa danos ao organismo antes mesmo dos sintomas aparecerem. Além disso, a demora no tratamento aumenta o risco de complicações da doença, que podem dificultar ainda mais a retomada da libido feminina. "Diagnósticos tardios frequentemente são acompanhados de sintomas e doenças oportunistas, que tornam o tratamento mais difícil", explica Rosana Del Bianco. A psicóloga Janaina completa dizendo que a prática de exercícios físicos e a busca por cirurgias plásticas também podem colaborar no quadro de distribuição irregular de gordura corporal, melhorando a autoestima.

Buscando ajuda

É de extrema importância o apoio do parceiro ou parceira durante o tratamento, tanto para auxiliar nos procedimentos necessários ou compreender e colaborar com a adesão a novos hábitos sexuais. Respeito, afeto e cumplicidade são essenciais para um relacionamento saudável, independe da soropositividade. ?Além disso, conversar abertamente com um profissional é fundamental, já que esse oferece um espaço de escuta e auxilia na resolução de eventuais questões, oferecendo informações, direcionamentos e um acolhimento amistoso relevante nessa nova realidade?, afirma Janaina Reis.