Retocolite ulcerativa: os principais sinais de alerta

Sintomas podem ser facilmente confundidos com os de outras inflamações intestinais

A retocolite ulcerativa é uma inflamação que acomete o trato gastrointestinal, principalmente o intestino. Ela normalmente começa no reto, e se expande para o cólon. "Essa doença não tem uma cura bem estabelecida, mas existem diversos tratamentos para conviver com ela e levar uma vida normal", considera a gastroenterologista Andrea Vieira, chefe da Clínica de Gastroenterologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e vice-presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD).

Homem conversando com a médica no consultório - "Foto: Getty Images"
Homem conversando com a médica no consultório - "Foto: Getty Images"

A retocolite ulcerativa requer um diagnóstico minucioso. "A doença de Crohn pode ter características bem semelhantes. Além disso, a retocolite ulcerativa também pode ser confundida com outras colites causadas, por exemplo, por infecções", contextualiza a especialista.

Não se sabe ao certo a causa da retocolite ulcerativa. Antes, havia a ideia de que ela era ocasionada por estresse e dieta, mas, hoje, percebe-se que esses fatores podem agravar os sintomas, mas não podem ser considerados causadores do problema.

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Como diferenciar?

Os sintomas da retocolite ulcerativa são muito semelhantes às outras doenças inflamatórias intestinais e incluem principalmente diarreia com muco e sangue e dor abdominal, apesar de ser menos intensa do que em outras doenças. Existem também manifestações extra intestinais: artrite, uveíte (doença inflamatória ocular que pode prejudicar a úvea, área que engloba íris, corpo ciliar e coróide) e feridas e manchas vermelhas na pele. No entanto, por acometer o reto inicialmente, o muco e o sangue nas fezes costumam ser sintomas mais importantes e isso pode trazer uma maior suspeita do diagnóstico para o médico.

De qualquer forma, essa suspeita sempre precisará ser confirmada por uma série de exames. O mais importante deles é a colonoscopia, que examina exatamente as regiões do sistema digestivo afetadas por esse quadro. "Com esse exame é possível observar se a inflamação é contínua na mucosa, um dos principais fatores que diferenciam a retocolite e a doença de crohn, já que a última costuma acometer regiões de forma salteada", diferencia Andrea.

Além disso, o histórico familiar também pode auxiliar no diagnóstico. Isso porque, ao analisar a árvore genealógica, é possível perguntar e saber se algum membro da família teve especificamente a retocolite ulcerativa. Também é importante averiguar se existe histórico de doenças autoimunes na família, como artrite reumatoide, já que pode haver uma ligação genética entre elas.

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Alguns exames de sangue também podem ser usados como forma de se chegar mais próximo do diagnóstico. No entanto, nenhum desses exames é capaz de diagnosticar com certeza a retocolite ulcerativa, pois é preciso sempre ponderar todos os resultados para se chegar a uma conclusão razoável.

Tratar é preciso

Uma vez que o diagnóstico é firmado, o tratamento pode ser iniciado. "Ele é baseado em diversos tipos de medicamentos, escolhidos conforme a intensidade e profundidade da lesão, além da insistência dos sintomas", considera Andrea. O tratamento é para a vida toda, já que a retocolite é uma doença crônica. Normalmente a pessoa segue com os mesmos medicamentos, que são trocados apenas se o paciente deixar de apresentar respostas.

Casos mais graves e que não respondam ao tratamento medicamentoso, podem requerer a cirurgia, para a retirada do intestino, já que a retocolite ulcerativa lesiona o intestino de forma contínua.

O tratamento multidisciplinar é muito importante. "Pessoas com retocolite ulcerativa tendem a ter diarreia, então começam a ter medo de comer algo diferente e provocar uma crise, por isso o tratamento nutricional os ajuda a ter mais segurança", pondera a especialista. Além disso, as urgências para ir ao banheiro podem abalar o comportamento social e o padrão emocional do paciente, de modo que o acompanhamento psicológico pode ser de grande valia.