Quando é realmente necessário extrair um dente?

Cáries, infecções, traumas e algumas condições do dente do siso estão entre as razões para a remoção do dente

A extração dentária é um procedimento cada vez menos necessário. Isso porque a tecnologia e a própria odontologia evoluíram bastante, fazendo com que a indicação de retirar um dente seja cada vez menos frequente, focando em casos específicos. E, mesmo quando a remoção do dente é recomendada, o desconforto é muito menor com o uso de potentes anestesias e técnicas avançadas.

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Normalmente, as razões que ainda levam à perda de um ou mais dentes estão relacionadas à saúde bucal, a traumas ou acidentes e ao posicionamento incorreto dos dentes. Em alguns casos, se o problema for detectado cedo, é possível evitar a remoção do dente.

Mulher na cadeira do dentista iniciando tratamento - "Foto: Getty Images"
Mulher na cadeira do dentista iniciando tratamento - "Foto: Getty Images"

"Hoje, os critérios para extração são bastante cuidadosos, mas em alguns casos ela é extremamente recomendada para manter a saúde e bem-estar do paciente", diz Silvio Cecchetto (SP-CD-15655), presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas (ABCD).

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Dentes do siso

Os dentes do siso, popularmente conhecidos como "dentes do juízo" e tecnicamente chamados de terceiros molares, são os últimos a nascerem na boca, o que normalmente acontece até os 21 anos. Dependendo de fatores como a genética, a pessoa pode ter até quatro dentes do siso, ou não ter nenhum. O siso é frequentemente extraído.

"A extração do siso é recomendada quando ele não tem uma posição correta acompanhando os demais dentes, se não há espaço na boca (o que faz com que todos os outros dentes fiquem tortos) e quando ele não consegue nascer por estar mal posicionado na arcada dentária", diz Sidney Rafael das Neves (SP-CD-49309), Presidente da Câmara Técnica de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofaciais.

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Segundo o especialista, outra situação que demanda atenção é quando o dente está parcialmente erupcionado, ou seja, com um pedacinho para fora da gengiva e outra parte ainda por nascer, uma vez que resíduos de alimentos podem ficar presos na gengiva num local de difícil higienização, o que pode levar a infecções graves.

Essas infecções podem evoluir para a região do pescoço, com acúmulo de pus no local, fazendo com que a pessoa precise ser tratada em hospital para evitar o risco de sepse (infecção generalizada).

Cáries, infecções e periodontite

Nossos dentes estão inseridos no osso do maxilar, e entre o osso e o dente existem ligamentos que são cobertos pela gengiva, formando o que se chama de estrutura periodontal.

Essa estrutura pode ser comprometida por uma cárie profunda ou infecções, por exemplo, que podem evoluir para outros problemas e culminar na necessidade de extrair o dente.

Os problemas bucais, normalmente, estão interligados, ou seja, a boca é uma porta de entrada para diversas bactérias pela alimentação. A cárie, por sua vez, pode acabar se tornando profunda. Se não tratada rapidamente e de forma correta, pode acabar abrindo espaço para uma contaminação e necrose do nervo, por exemplo, havendo a necessidade de extração do dente.

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Outro cenário possível, é uma inflamação nos tecidos moles, ou seja, na gengiva. A inflamação da gengiva, condição que recebe o nome de gengivite (que provoca vermelhidão e sangramento), quando não tratada, compromete as fibras e o ligamento periodontal - que é o que mantém o dente junto ao osso.

"Nestes casos, ela se transforma em uma periodontite, que pode evoluir para diferentes graus, podendo causar mobilidade (dentes 'soltos'), queda dos dentes, presença de pus e até a endocardite bacteriana - que é uma complicação grave que atinge o coração", diz Neves.

"A extração é recomendada quando não foi possível controlar o problema com medicamentos e outras medidas em consultório, e ela está levando a pessoa a ter perda óssea na região, por exemplo", diz Cecchetto.

A remoção do dente ajudaria a controlar estes problemas e a manter a qualidade óssea da região para que, no futuro, a pessoa possa até colocar próteses ou implantes para manter as funções de mastigação, fala e estética intactas.

Diabetes

Outro fator que pode predispor problemas que acarretem na extração de um dente é a presença de doenças como o diabetes.

"Pacientes com diabetes não compensado clinicamente podem ter mais problemas na cavidade oral, o que pode provocar uma infecção ou agravá-la, levando o profissional a ter que escolher entre manter ou não o dente, dependendo da fragilidade da sua ligação com o osso", explica Cecchetto.

Muitos destes casos poderiam ser evitados com uma correta higienização dos dentes e gengivas, inclusive com o uso de fio dental e visitas frequentes de rotina ao dentista - de preferência a cada seis meses.

Isso porque dentre os procedimentos que podem evitar muitos problemas está a "raspagem de tártaro, da placa bacteriana, que nada mais é do que o acúmulo de cálcio com bactérias nos dentes, e que depois que se forma fica difícil remover com a escovação regular", explica Neves.

Traumas

Crianças, adolescentes ou adultos de qualquer idade podem se envolver em traumas por acidentes, prática de esportes ou qualquer outro fator que implique na quebra ou remoção do dente.

Essa remoção pode acontecer no momento da batida e o dente cai inteiro, que é chamada de avulsão. Em alguns casos é possível reimplantar o próprio dente no local. "Para isso, é preciso achar o dente que caiu e mantê-lo imerso em soro fisiológico, em leite ou na própria saliva (posicionando-o sob a língua) e procurar ajuda profissional o quanto antes", diz Neves.

Esta manobra, segundo o especialista, é muito importante principalmente para crianças, que não podem fazer implantes dentários (com parafusos) para preservar o crescimento da base óssea, a posição correta dos dentes e a gengiva.

Quando o dente não sai por completo, pode ser necessário fazer um canal para aproveitar a raiz do dente e colocar uma prótese dentária ou a extração do que sobrou do dente com a raiz para a colocação de uma prótese ou implante, por exemplo.

Ortodontia

Para alinhar os dentes, proporcionando uma melhor função mastigatória, fonética e estética para o paciente, além de facilitar a higienização, pode ser necessário fazer a extração de um ou mais dentes.

Normalmente, a extração é indicada quando o paciente não tem espaço suficiente na boca, fazendo com que o encaixe dos dentes não seja possível, mesmo com o uso de aparelhos ortodônticos modernos.

"Não existe uma regra geral para a extração nestes casos, depende muito da condição do paciente, do planejamento, da inclinação dos dentes, do espaço para o posicionamento correto da arcada dentária e até da preferência do profissional de acordo com os resultados que ele vai obtendo ao longo da vida", afirma Neves.

Segundo explica o especialista, caso o dentista não precise ganhar muito espaço na boca, pode ser possível realizar o desgaste de um milímetro em alguns dentes para proporcionar o melhor encaixe.

Com visitas frequentes ao dentista desde a infância, é possível detectar problemas ortodônticos desde muito cedo e já trabalhar o posicionamento dos dentes ainda na infância, fazendo com que, em alguns casos, seja possível evitar a extração no futuro.

A extração

Caso seja possível planejar a extração, ou seja, não é uma emergência, o dentista pode solicitar que o paciente utilize medicações antes da remoção do dente. Essas medicações podem incluir analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos, e até uma opção que ajude a controlar a ansiedade, dependendo do caso.

"O procedimento hoje é realizado com anestésicos potentes, aplicados com agulhas bastante finas e descartáveis, fazendo com que seja um desconforto bem tolerável para o paciente", diz Cecchetto.

Normalmente, a extração é feita no consultório do dentista, com o uso dos anestésicos locais. Contudo, pode ser necessária a remoção em ambiente hospitalar com o uso de anestesia geral quando existe a necessidade de realizar correções cirúrgicas (como a abertura do palato) ou outras condições excepcionais.

Depois do procedimento, podem ser recomendados medicamentos para a dor (analgésicos), além de antibióticos e anti-inflamatórios para prevenir infecções.