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Herpes genital: uso do preservativo é fundamental

Evitar a contaminação é responsabilidade de todos

A partir do momento em que entra no organismo, através do contato íntimo durante uma relação sexual, sem a proteção do preservativo, o vírus do herpes simples (HSV) se aloja na camada mais profunda da pele - a camada basal - de onde retira as substâncias necessárias para sua replicação. Em torno de dez ou quinze dias após a infecção, aparecem os primeiros sintomas da doença. O primeiro sinal de que a pessoa está infectada é uma mancha avermelhada nos genitais externos, sobre a qual se forma um grupo de pequenas bolhas. Depois de alguns dias, elas se transformam numa ferida que cicatriza espontaneamente. Uma vez dentro no organismo, dificilmente o vírus será eliminado, porque se aproveita do material fornecido pelas células do hospedeiro para multiplicar-se e contaminar outras células, preferencialmente as raízes nervosas locais, onde após a erupção cutânea, retornam e ficam silenciosas até nova manifestação.A multiplicidade de parceiros é um fator importante na história epidemiológica de como o vírus do herpes atua na transmissão, perpetuação e manutenção das lesões. O vírus é transmitido quando do aparecimento das lesões cutâneas. Na fase de cicatrização, a contaminação é menor, mas estima-se que 15% das pessoas continuam eliminando o vírus e são potenciais transmissores da doença.

Até algum tempo atrás, o vírus do herpes labial - herpes simples tipo 1 - manifestava-se somente na região da boca, do nariz e, às vezes, dos olhos e que a infecção pelo vírus do herpes genital - herpes tipo 2 - estaria limitada às regiões genital, anal e às nádegas. No dias de hoje, a prática do sexo oral e de outras modalidades de relações sexuais favoreceu a infecção pelo vírus do tipo 2 nos lábios e do tipo 1 nos genitais. Apesar de ser mais freqüente encontrar o tipo 1 nos lábios e o tipo 2 nos genitais, nada impede a presença de ambos tanto na região genital quanto na oral.

Lesões herpéticas
No caso do herpes labial, as lesões herpéticas podem aparecer após exposição solar intensa e, às vezes, se manifestam em meio a episódios de diarréia, vômitos e febre, característicos da gastroenterocolite aguda. Devido a esta simultaneidade de eventos: febre, diarréia e herpes labial ligado à perda de defesa, chamamos de febre intestinal as vesículas que aparecem nos lábios. São pequenas vesículas, como se fossem bolhinhas de água, que se distribuem em forma de buquê.

Durante a primeira manifestação do vírus, que chamamos de primo-infecção, as lesões podem ser extremamente agressivas, porque o organismo reconhece o vírus como um estranho e o sistema de defesa não está preparado para este ataque . Conseqüentemente, as bolhas podem romper, sangrar e provocar alterações na cicatrização dos genitais. O mesmo acontece com o herpes labial. A primo-infecção nos lábios pode envolver a gengiva e provocar sangramento e infecções. As recidivas costumam ser mais amenas, porque o sistema de defesa já poderá desenvolver anticorpos e estará capacitado para fazer com que a doença seja autolimitante.

Ardor e prurido são sinais que podem anteceder às erupções cutâneas causadas pelo herpes. O sintoma mais comum é o ardor, porque o vírus além de agredir as células da epiderme, transita pela bainha do nervo. Em se tratando de herpes genital, esses sintomas podem manifestar-se na raiz da coxa e nas nádegas. Às vezes, surgem ínguas, ou gânglios reacionais inflamatórios, devido à presença do vírus.

No homem, as vesículas do herpes genital costumam aparecer na haste do pênis e na glande e, às vezes, dentro do canal da urina, no meato uretral. Nesses casos, além de dor e ardor no local da lesão, o paciente pode apresentar disúria, ou seja, dor ao urinar.

Nas mulheres, as vesículas ficam situadas nos grandes lábios. Às vezes, aparecem no interior do meato uretral e não são visíveis, provocando dor intensa ao urinar. É sempre muito importante investigar a presença das vesículas no interior do canal da urina, uma vez que elas podem atingir a região anal e peri-anal e daí se disseminarem, se o sistema de defesa da paciente estiver debilitado. Se a mulher grávida tiver herpes pode transmitir o vírus para o feto, o que pode provocar um aborto espontâneo. Se a transmissão do vírus ocorrer no canal do parto, pode causar menigoencefalite no bebê. Além disso, o vírus pode ser transmitido também por via vertical. O herpes congênito é uma doença extremamente grave e letal, como a sífilis e a toxoplasmose.

Diagnóstico e tratamento Na primeira fase, o diagnóstico da doença é simples. Ele pode ser feito levando em conta a história do paciente e a avaliação clínica das lesões. Existe um teste laboratorial para respaldar o diagnóstico. Colhe-se o material das bolhas para ver o efeito citopático que a agressão do vírus produziu nas células ou a determinação da taxa de anticorpos circulantes na corrente sangüínea contra este vírus.

O aciclovir é o medicamento empregado no tratamento do herpes simples que necessita da ação enzimática do vírus para transformar-se num medicamento eficaz para matá-lo ou impedir que ele continue sua cadeia de multiplicação. Durante o mecanismo de evasão, quando o vírus está em estado latente, escondido no gânglio neural, não adianta tomar a medicação porque esta não fará efeito. O medicamento só deve ser usado quando não houve o mecanismo de evasão, isto é, quando a vesícula está presente. As vesículas do herpes costumam regredir espontaneamente, mesmo sem tratamento, porque o organismo possui um sistema de defesa programado para limitar a erupção cutânea.

O sistema de defesa do nosso corpo não bloqueia uma possível recidiva ou uma agressão mais virulenta do HSV. Limita apenas a lesão na pele. Por isso, nos indivíduos imunocompetentes, as lesões costumam regredir espontaneamente, permanecendo, em média, 5 dias.

Algumas pessoas costumam passar uma pomada ou um creme no local da lesão. O que é condenável, se não for um remédio prescrito por um médico, pois determinadas medicações favorecem o prosseguimento da lesão cutânea e a proliferação de bactérias ao redor da lesão inicial.

Dr. Ricardo Felts de La Roca, urologista.





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