5 tratamentos para ereção após retirada da próstata

É normal que o paciente tenha problemas no tratamento contra câncer de próstata

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 24/11/2016

Dr. Valter Javaroni
Urologia - CRM 52575160/RJ
especialista minha vida

Muitas vezes o câncer de próstata diagnosticado tardiamente precisa ser tratado com a retirada da próstata, uma cirurgia chamada de prostatectomia radical. No entanto, a cirurgia está ligada a problemas de ereção posteriores.

Isso pode ocorrer tanto devido a problemas do paciente, como a idade, presença de comorbidades e a situação da ereção antes da cirurgia, como também devido a danificação dos nervos erigentes que pode ocorrer na operação, devido principalmente a localização do tumor.

No entanto, existem alguns cuidados e tratamentos que ajudam o homem a recuperar sua ereção. Veja a seguir:

1. Reabilitação sexual

Reabilitação sexual significa ir voltando gradativamente a estimular o pênis no sentido de preservar a qualidade do tecido erétil e aumentar a chance de recuperar sua capacidade de ereção. Começar isso cedo faz diferença.

A reabilitação deveria se iniciar antes da cirurgia. Conhecer o que vai se enfrentar ajuda muito. Além de uma boa orientação sobre o que esperar depois do procedimento, o ideal é iniciar os tratamentos para recuperar a potência sexual logo após o primeiro mês da cirurgia. Os pontos já foram retirados, a sonda vesical já foi removida e a dor no local se tornou mínima. Alguns centros preconizam já iniciar a reabilitação sexual no dia seguinte à retirada do cateter vesical.

Voltar a mexer no pênis, esticá-lo no banho e masturbar-se. Essas manipulações simples da genitália devem ser estimuladas. O homem que passou pela cirurgia fica escaldado e pode temer e evitar esses movimentos. Alguns enfrentam um quadro de depressão. Assim, quanto mais cedo voltarem a perceber o pênis como órgão genital, melhor.

Os estudos mostram ainda que se nada for feito após a prostatectomia radical, a inatividade sexual e a ausência de ereções fisiológicas causam atrofia do pênis. Ele encurta e se torna mais fibroso.

2. Medicação oral

Muitos homens podem desejar recorrer aos medicamentos tradicionais, como sildenafila, vardenafila e tadalafila. No entanto, durante os primeiros meses do pós-operatório pode haver uma dificuldade de comunicação entre o cérebro e o pênis. Afinal, os tais nervos erigentes que passam perto da próstata podem ter sido lesados no procedimento. Além de esta lesão poder ser uni ou bilateral, ela pode também ser completa ou parcial. Quando é incompleta, o nervo não foi totalmente secionado, a recuperação da comunicação entre pênis e próstata acontece nos primeiros seis meses.

Se isso tiver acontecido, os medicamentos podem não gerar boa resposta, já que ela depende de nervos intactos. Todavia só tentando é que o médico vai saber se houve ou não sucesso com a medicação oral. Caso ocorram ereções rígidas o suficiente para penetração vaginal, ótimo! Caso contrário, o retorno ao consultório é essencial para ajuste do tratamento. Pois, o objetivo da terapia é proporcionar ereções suficientes para penetração.

3. Terapia injetável

Quando as medicações orais não funcionam, o médico pode optar por usar as injeções intracavernosas. Significa administrar medicamentos que promovem a ereção diretamente no pênis. Nesse caso, a terapia funcionará mesmo sem a comunicação do cérebro com o pênis, mesmo diante da citada lesão completa ou incompleta dos nervos erigentes naqueles seis meses iniciais. Sim, porque nesse caso o medicamento age direto no local em que foi aplicado.

A terapia injetável é ideal para este período, mas se torna muito importante que o médico faça um teste no consultório e ocorra um treinamento para que a aplicação transcorra sem surpresas. Conseguindo as ereções, elas devem ser produzidas ao menos uma vez por semana.

Realmente a opção do tratamento com injeção intracavernosa pode não ser para todos. Mas além de indolor, a eficácia da terapia injetável costuma animar os homens na persistência com o uso semanal. Obviamente, ninguém obrigará o paciente a aderir a um tratamento que ele não deseja ou não se adaptou.

4. Bomba peniana

Existem alternativas como a chamada ?bomba peniana? ou ?bomba de vácuo?. Elas realmente funcionam! Não com o objetivo de aumentar o tamanho do pênis como propagandas enganosas alardeiam na internet, mas para preservar o tamanho, minimizar a fibrose e atrofia peniana depois das cirurgias como a prostatectomia radical. O uso do vácuo é outra maneira de conseguir uma ereção. Nesse caso, o pênis será tracionado para cima pelo vácuo. Preconiza-se o uso da bomba de vácuo gradativamente até conseguir mantê-lo ereto durante 10 minutos. Diariamente ou, pelo menos, três vezes por semana.

5. Prótese peniana

Quando todas as demais alternativas se mostraram ineficazes ou o paciente não obtém uma boa adaptação, podemos falar sobre os implantes penianos (próteses). Duas regras básicas: o implante da prótese peniana não devolverá as ereções fisiológicas e não produzirá aumento do tamanho do pênis. A prótese irá substituir aquele tecido erétil, as sanfonas, por um material sintético.

Indicamos esta modalidade para o tecido erétil considerado irrecuperável e isso nunca antes do primeiro ano de pós-operatório. O implante garantirá uma rigidez suficiente para penetração vaginal.

O pênis pode recuperar o tamanho que tinha antes da cirurgia, mas nada além disso. E dependendo se a prótese é maleável ou inflável, o aspecto do pênis será mantido como se estivesse esticado (maleável) ou haverá um sistema mecânico que, quando acionado (dispositivo na bolsa escrotal) provocará a alteração de estado flácido para ereto. O implante peniano tem alta taxa de satisfação, mas precisa ser bem indicado pelo médico e bem explicado para que o paciente não construa falsas expectativas. Deve ser entendido como última alternativa, porque implica em substituir o tecido erétil de maneira definitiva.

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