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Depois de vencer o câncer, voltar à rotina exige reforço emocional

Especialistas dão dicas para que a retomada ocorra de forma natural, sem pressões

O enfrentamento da doença é tão torturante que a vitória acaba ganhando a maior parte da atenção. Mas, mesmo depois de vencer o câncer, o paciente continua precisando de cuidados especiais, física e emocionalmente. Não importa o tipo de tumor, o corpo fica debilitado e exige um acompanhamento cauteloso , afirma o oncologista Murilo Buso, do Centro de Câncer de Brasília (Cettro). Cada caso envolve variáveis específicas, desde o tipo e a extensão da doença até as drogas e a terapia empregadas no combate. A idade e as condições clínicas também inferem bastante no sucesso do tratamento , afirma o médico.Ele lembra que o câncer não é uma doença exatamente, mas sim um grupo variado delas, que têm em comum o crescimento desordenado e maligno de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. De toda forma, uma dieta saudável e balanceada é essencial na recuperação.

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Os casos em que há cirurgia ou consumo de medicamentos muito tóxicos podem pedir algumas restrições no cardápio. Mas, em geral, as recomendações prezam pelo consumo de alimentos com rápida digestão e fracionamento das refeições ao longo do dia. Também é bom evitar alimentos gordurosos e muito quentes , afirma o médico. De acordo com ele, essa é uma fase muito sensível, e a supervisão de um especialista, para prescrever uma dieta com todos os nutrientes necessários, pode acelerar a recuperação da saúde. Uma boa pedida são os sorvetes, que alimentam e são bem tolerados mesmo entre quem sofre com as náuseas e feridas na boca.

Câncer - Getty Images
Câncer

Vencer a doença e voltar imediatamente à ativa, no entanto, está longe de ser a regra. Isso acontece aos poucos , afirma a psicóloga Cristiane Decat, também do Cettro. Isso porque o sofrimento não vem apenas da doença em si, mas dos próprios tratamentos, normalmente marcados pelos efeitos colaterais. É comum observar seqüelas emocionais e mudanças no estilo de viver do paciente e da família , emenda o oncologista.

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A oncologista clínica Patrícia Andrade Brandalise, gerente médica oncologia do Laboratório Eli Lilly do Brasil aponta que a recuperação total dos efeitos da quimioterapia e radioterapia, por exemplo, leva de três a seis meses. No caso de cirurgias (como a retirada da mama ou cirurgias torácicas), a recuperação pode pedir mais tempo ainda , afirma.

Já a imunidade é normalizada após cerca de um mês livre de quimioterapia ou radioterapia (desde que não haja complicações, como a neutropenia ou queda dos glóbulos brancos. Os exercícios físicos são de grande ajuda nesta fase, porque garantem disposição extra para suportar o tratamento. Só precisam ser leves e feitos sob supervisão , afirma Patrícia.

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Depressão pós-câncer - Getty Images
Depressão pós-câncer

Para amenizar um pouco os traumas deixados pelo câncer, a terapia é uma boa opção. O amparo emocional alivia angústias e o medo da doença , diz a psicóloga. A ajuda psicológica também é útil no tratamento e no diagnóstico, reduzindo a depressão, a ansiedade e o que chamamos de transtorno de ajustamento (quando uma mudança muito violenta dificulta a interação social) .

Esse acompanhamento também dá força aos pacientes que temem, a qualquer momento, a volta da doença. Pacientes que sofreram com câncer de mama, por exemplo, costumam tomar um medicamento que evite novos tumores até cinco anos depois de eliminado o problema. Em outros casos o acompanhamento é feito por exame clínico, de imagem e de sangue , afirma Patrícia Brandalise. As visitas ao médicos acontecem a cada três meses no primeiro ano após o fim da doença, diminuindo para intervalos semestrais do segundo ao quinto ano. E, se estiver tudo bem, basta uma consulta anual daí em diante , afirma a especilista.

Tudo isso, entretanto, nem sempre basta para afastar o pânico em algumas pessoas. Trata-se de um medo muito comum, que atrapalha a retomada das atividades e causa sofrimento mesmo quando já houve alta , afirma Cristiane. A psicóloga ressalta que, no período imediatamente posterior ao fim da doença, a terapia produz os efeitos mais positivos. A ocasião precisa ser marcada por uma forte sensação de apoio ao paciente. Em geral, ele está muito abalado pelas perdas vividas (sociais e até no próprio corpo) e, caso tenha o emocional bem trabalhado, retorna melhor ao dia-a-dia e percebe que sempre há chance de fazer novas escolhas e recomeçar .

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O segredo para ter sucesso na retomada é cultivar a paciência. Muitas vezes, o vigor físico volta melhor do que antes. O sujeito passa a se cuidar mais e a levar uma vida mais saudável. Muitos pacientes admitem que o câncer serviu como um marco, provocando uma reavaliação dos hábitos e dando o pontapé necessário para uma rotina física e psicológica mais equilibrada , diz a oncologista Patrícia Brandalise.