Saúde bucal ajuda na prevenção de cardiopatias

Higiene adequada pode impedir a endocardite, infecção cardíaca causada pelas bactérias da gengivite e da periodontite

Apesar de parecerem distantes, boca e coração estão bem ligados, principalmente para quem tem algum problema cardíaco. O motivo são as bactérias causadoras das doenças gengivais (gengivite e periodontite), que são também responsáveis pela endocardite - uma infecção no tecido interno do coração, o endocárdio.

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O veículo das bactérias da boca ao coração é o sangue, e a higiene bucal é capaz de impedir que esse processo se inicie. "O mais comum é que as bactérias consigam entrar na corrente sanguínea devido a má higienização dos dentes e da boca. Elas se aproveitam de pequenos ferimentos na gengiva para ir para o sangue e se espalham pelo corpo", diz o cardiologista Daniel Arkader Kopiler (CRM-RJ 44865-8), presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).

Ele explica que as pessoas com problemas cardíacos, como alguma doença nas válvulas do coração ou uma válvula artificial, estão mais propensas a contrair a endocardite: "As bactérias encontram no coração, que já tenha essas condições, um ambiente mais propício para fazer suas colônias e desenvolver a infecção. Não quer dizer que quem não tenha nada disso esteja livre, mas são casos muito raros".

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Boca limpa, perigo afastado

Quem tem predisposição à endocardite bacteriana precisa, portanto, ter uma higiene bucal impecável. O cirurgião-dentista Marcelo Augusto Moreira (CRO-SP 43311), do Ateliê Oral, orienta: "A escovação deve ser correta, para manter o periodonto [conjunto de tecidos envolvidos na fixação dos dentes aos ossos] saudável e livre das doenças gengivais".

As consultas com o dentista de confiança, para limpezas profissionais, complementam os cuidados. "Não tem como esses pacientes não visitarem o dentista regularmente. É no consultório que eles poderão fazer as sessões de limpeza e raspagem necessárias para evitar as inflamações que possam levar bactérias à corrente sanguínea", diz.

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E mesmo quem não possui dentes naturais está sujeito à endocardite. "Os implantes podem sofrer peri-implantite, que é semelhante à gengivite. E pacientes totalmente sem dentes podem também ter endocardite se houver fungos na prótese e eles entrarem na corrente sanguínea", revela o cirurgião-dentista.

Na cadeira do dentista

Além das precauções para evitar a contaminação do sangue pelas bactérias gengivais, o paciente cardíaco deve manter sempre atualizada a conversa com o dentista sobre os tratamentos a que se submete.

"Os medicamentos comumente usados pelo dentista para fazer uma restauração ou um tratamento de canal, por exemplo, podem alterar a ação dos remédios tomados por quem tem problemas nas válvulas", afirma o cardiologista Daniel Arkader Kopiler.

Também é importante que o dentista esteja ciente da condição cardíaca desse paciente para poder fazer uma profilaxia antibiótica pré-procedimento. Marcelo conta que a recomendação da American Heart Association é que sejam medicados 2g de amoxilina uma hora antes de começar qualquer trabalho bucal. Isso impede que algum sangramento abra caminho para a entrada de bactérias bucais na corrente sanguínea.

Acima de tudo, o dentista precisa estar confiante para cuidar da boca do paciente cardíaco. "O ideal é que ele tenha um conhecimento avançado, para que o paciente cardíaco se sinta seguro com esse profissional e não negligencie as limpezas regulares que deve fazer", esclarece Daniel.

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