O aumento da incidência do câncer de próstata, de 86.000 casos em 1985 para 218.890 em 2007, só nos Estados Unidos, fez com que a doença tenha se tornado um importante problema de saúde pública e sócio-econômico.
No Brasil, em 2008, segundo o Instituto Nacional do Câncer, há cerca de 49.530 casos novos do gênero. O rastreamento desse câncer se apóia no fato de que os assim detectados tendem a apresentar um estágio mais favorável quando comparados com os cânceres diagnosticados clinicamente e com uma possível diminuição da mortalidade específica pelo câncer de próstata.
Todavia, apesar do exame palpatório da próstata (toque retal) ser a primeira ferramenta diagnóstica, limita-se por apresentar resultado negativo para nódulos não palpáveis (estádio T1c), fato que corresponde à maior proporção dos casos, próximo dos 80%, atualmente diagnosticados.
Apesar de todas as recomendações e aprimoramentos e da valorização das faixas etárias de referência vinculadas aos níveis sorológicos de PSA, o seu uso na rotina de trabalho ainda é um assunto controverso, particularmente pela diminuição da sensibilidade da detecção do câncer em pacientes mais idosos.
Essa incerteza a respeito do valor do limite superior para o rastreamento de câncer com o PSA e sua pouca especificidade contribuem para dois desafios clínicos atuais: somente um, em quatro homens com PSA maior que 4.0 ng/m, apresenta câncer de próstata na biópsia, e cerca de 1/3 dos cânceres de próstata são detectados em homens com PSA normal.
Quanto ao ultra-som (USTR), amplamente utilizado por seu custo relativamente baixo, ao ser realizado com a sonda transretal, oferece a melhor oportunidade de guiar a biópsia da glândula. Porém, restringe-se ao estado local, pela dificuldade no diagnóstico precoce da extensão extracapsular e a alta dependência do operador, o qual limita a reprodutibilidade da técnica.
Dentre as demais técnicas radiológicas, a ressonância magnética (RM) é a ferramenta diagnóstica mais útil para avaliação dos estádios do tumor, principalmente quando se utiliza com a bobina endoretal. A imagem por RM possui uma sensibilidade significativamente maior (51%-89%) na detecção do tumor quando comparada com a ultra-sonografia.
Homero Farias é radiologista e docente do curso de Tecnologia em Radiologia da Universidade Nove de Julho (UNINOVE)