No verão, o número de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) tende a aumentar. Embora não existam evidências epidemiológicas que corroborem para o aumento de casos nesse período, a correlação entre a prática de sexo não-seguro em períodos como o Carnaval e as férias de verão parece existir.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ocorram 340 milhões de novos casos de DSTs/ano no mundo, incluindo somente as passíveis de cura tricomoníase, clamídia, gonorréia e sífilis.
Somente os casos de infecção pelo HIV/AIDS e sífilis congênita são objeto de notificação compulsória aos órgãos oficiais de saúde pública. O município de São Paulo, a partir de 2007, passou a investir na notificação de casos de DSTs. Somente em 2007 foram notificados 2.624 casos de DSTs na cidade, sendo 1.119 casos de Condiloma Acuminado, 185 casos de corrimentos cervicais, 368 casos de corrimentos uretrais, 197 casos de herpes genital e 562 casos de sífilis em adultos.
As DSTs estão associadas ao não-uso do preservativo e à múltipla parceria. Os estudos nacionais destacam que tais fatores não são exclusivos do verão e envolvem aspectos culturais e comportamentais da sociedade ao longo do ano.
As práticas de sexo seguro incluem o uso correto de preservativos nas relações sexuais, o diagnóstico e o tratamento corretos de DSTs e a redução do número de parceria nas práticas sexuais.
Embora as campanhas educativas de prevenção contra a infecção pelo HIV/AIDS sejam intensificadas no período do Carnaval, não há a mesma ênfase nas campanhas para a prevenção de outras DSTs. Há consenso de que as práticas de sexo seguro contribuem para a prevenção das DSTs de maneira geral. Entretanto, a falta de conhecimento e até de conscientização dos pacientes para que consultem um médico, visando o diagnóstico e o tratamento precoces de DSTs, não têm recebido a mesma atenção da mídia e das campanhas oficiais de prevenção em saúde pública.
A Pesquisa de Comportamento Sexual e Percepções da População Brasileira sobre HIV e AIDS, realizada no ano de 2005 pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e pelo Ministério da Saúde, revelou que 47,5% dos homens entre 16 e 19 anos não usaram preservativo porque não o tinham e 36,4% das mulheres na mesma faixa etária não lembraram da camisinha na hora da relação. Entre os homens de 20 a 24 anos, 23% alegaram o mesmo motivo, citado por 19% das entrevistadas nessa faixa etária.
Os riscos de transmissão das DSTs/HIV/AIDS, no verão, podem ser agravados pelo uso excessivo de bebidas alcoólicas e de drogas, que levam as pessoas a esquecer de usar o preservativo ou não usá-lo corretamente.
O período de Carnaval também facilita o namoro e os relacionamentos sexuais. Em função disso, inclusive, o Governo Federal costuma intensificar a distribuição gratuita de preservativos em todo o País, uma vez que é fundamental que a sociedade possa aproveitar o que há de melhor no verão, sem colocar em risco a sua saúde.
Milton Lapchik é Mestre e Doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Professor do Departamento de Ciências Médicas da Universidade Nove de Julho (UNINOVE).