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Câncer de pulmão de células não pequenas: sintomas, tratamentos e causas

Visão Geral

O que é Câncer de pulmão de células não pequenas?

Também chamado de câncer de pulmão indiferenciado de células não pequenas, o câncer de pulmão de células não pequenas é o mais comum entre os tipos de câncer de pulmão. Caracterizado pela mutação e pelo crescimento desordenado das células epiteliais, o câncer de pulmão de não pequenas células responde por 85% a 90% dos casos e se desenvolve de forma mais lenta que os demais tipos.

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O câncer de pulmão de células não pequenas é um tumor maligno que pode pegar desde a traqueia até a periferia do pulmão. Dessa forma, pode ser mais difícil de diagnosticar e tratar.

Há dois tipos principais de câncer de pulmão: não pequenas células e pequenas células. Enquanto o câncer de pulmão de não pequenas células se desenvolve em células epiteliais, o câncer de pulmão de pequenas células atinge as vias aéreas centrais e responde por 10% a 15% dos tipos de câncer de pulmão.

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Entretanto, é importante ressaltar que nem todos os cânceres de pulmão de não pequenas células são iguais. Dentro dessa categoria cabem várias características diferentes, que não são baseadas exclusivamente no tamanho e formato das células. Durante os últimos anos tem ficado claro que essa classificação não é suficiente para entender a biologia diferente de todos os cânceres de pulmão, uma vez que tumores de aparências semelhantes possuem caraterísticas biológicas diferentes entre si.

Getty Images
O câncer de pulmão de células não pequenas é um tumor maligno que pode desde a traqueia até a periferia do pulmão

Tipos

O câncer de pulmão de não pequenas células está dividido em três subtipos, relacionados às células de origem:

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Câncer: o que é e como ele se forma? - Dúvidas sobre câncer

Fatores de risco

Tabagismo

A incidência de câncer de pulmão é altamente correlacionada com o consumo de cigarros. Cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão surgem como resultado do tabagismo. O risco de câncer de pulmão aumenta com o número de cigarros fumados ao longo do tempo.

O cigarro contém mais de 4.000 compostos químicos, muitos deles comprovadamente cancerígenos. Os dois agentes cancerígenos primários do tabaco são as nitrosaminas e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Eles irão influenciar na mutação das células pulmonares, que podem começar a se dividir descontroladamente, acarretando um câncer.

Além dos cigarros, fumar cachimbos, charutos e outros tipos de tabaco pode causar câncer de pulmão, embora o risco não seja tão elevado. Enquanto alguém que fuma um maço de cigarros por dia tem um risco de câncer de pulmão 25 vezes maior do que um não-fumante, pessoas que fumam cachimbo e charuto fumantes têm um risco de câncer de pulmão cerca de cinco vezes maior do que um não-fumante.

O risco de desenvolver câncer de pulmão diminui a cada ano após a cessação do tabagismo, uma vez que as células normais crescem e substituem as células danificadas no pulmão. Em ex-fumantes, o risco de desenvolver câncer de pulmão começa a aproximar-se daquele de um não-fumante cerca de 15 anos após a cessação do tabagismo.

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Tabagismo passivo

O tabagismo passivo também é um fator de risco estabelecido para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Segundo dados no Instituto Nacional do Câncer (INCA), adultos que são expostos ao fumo passivo tem um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão do que os não-fumantes que não se expõem.

Outros fatores de risco

Sabe-se que o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão de células não pequenas. No entanto, existem outros hábitos de estilo de vida e fatores que podem influenciar nesse risco, ainda que de forma mais discreta. Veja quais são:

Sintomas

Sintomas de Câncer de pulmão de células não pequenas

A maioria dos sintomas de câncer de pulmão de células não pequena demora para se manifestar. Quando o paciente nota algum desconforto, em muitos casos o tumor já se disseminou e pode ter metástase. Os principais sintomas são:

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infográfico tabaco

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Qualquer uma das manifestações de sintomas, principalmente se conhecida a exposição aos fatores de risco, deve servir como um alerta para a procura de orientação médica. Mudanças características da tosse, como aumento da frequência e produção de catarro, são indicativos para procurar um médico.

Na consulta médica

Se você tem sinais e sintomas que preocupam você, pode começar marcando uma consulta com um clínico geral. Se ele suspeitar que você tem câncer de pulmão, provavelmente será encaminhado para um especialista. Especialistas que tratam pessoas com câncer de pulmão podem incluir:

Como as consultas costumam ser breves e há muitas informações e perguntas para cobrir, é uma boa ideia estar bem preparado. Aqui estão algumas informações para ajudar no diagnóstico mais rápido:

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Como seu tempo com o seu médico é limitado, preparar uma lista de perguntas irá ajudá-lo a aproveitar ao máximo a consulta. Liste suas perguntas a partir da mais importante para a menos importante, caso o tempo se esgote. Para câncer de pulmão de células não pequenas, algumas perguntas básicas incluem:

Além das perguntas que você preparou para fazer ao médico, não hesite em fazer outras que venham à mente durante a sua nomeação.

O que esperar do seu médico

O médico provavelmente fará uma série de perguntas. Estar pronto para respondê-las pode permitir mais tempo mais tarde para cobrir outros pontos que deseja abordar. O seu médico pode perguntar:

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Diagnóstico de Câncer de pulmão de células não pequenas

Em alguns pacientes que não apresentam sinais e sintomas, o câncer de pulmão pode ser detectado por meio de radiografia de tórax ou tomografia computadorizada. No entanto, a maioria das pessoas com câncer de pulmão é diagnosticada quando o tumor cresce ou começa a interferir em outros órgãos e/ou tecidos.

Embora o câncer possa se disseminar para qualquer parte do corpo, os locais mais comuns são os gânglios linfáticos, os próprios pulmões, ossos, cérebro, fígado e as glândulas suprarrenais. As metástases podem causar desconfortos respiratórios, dores nos ossos, fraqueza, dores abdominais, dor nas costas, dor de cabeça, convulsões, alterações neurológicas, icterícia ou inchaço.

Há diversos exames importantes a serem avaliados para o câncer de pulmão, tanto no momento do diagnóstico quanto no acompanhamento, os principais são:

Entre esses exames, destacam-se a tomografia computadorizada e a cintilografia óssea. Recentemente está sendo utilizada uma ferramenta importante em alguns casos, que é o exame chamado de tomografia por emissão de pósitrons (PET-TC). Este é um equipamento que une os recursos diagnósticos da Medicina Nuclear (PET) e da Radiologia (CT). O equipamento sobrepõe as imagens metabólicas (PET) às imagens anatômicas (CT), produzindo assim um terceiro tipo de imagem. Pode auxiliar no diagnóstico precoce, avaliar a extensão da doença, a eficácia de um tratamento, assim como no planejamento da radioterapia. Em alguns casos, pode-se até evitar procedimentos invasivos.

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Converse com seu médico

Após receber um diagnóstico de câncer de pulmão de não pequenas células, você pode querer fazer diversas perguntas ao médico. Estar informado sobre a sua condição ajuda a entender melhor o problema e buscar os melhores tratamentos para você:

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Câncer de pulmão de células não pequenas

O primeiro - e principal - passo para o tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células é parar de fumar. Além disso, o tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. Entre as principais formas disponíveis estão a cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imuno-oncologia e terapia-alvo. Elas podem ser utilizadas de forma individual ou de forma combinada, dependendo do tipo de tumor e nível de evolução. As opções de tratamento devem ser discutidas com a equipe médica que irá definir a melhor opção para cada organismo.

Cirurgia

Quatro tipos de cirurgia são utilizados:

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Radioterapia

A radioterapia é um tratamento que utiliza raios x de alta energia ou outros tipos de radiação para matar células cancerosas. Existem dois tipos de radioterapia:

Além disso, a radiocirurgia é um método de administração de radiação diretamente no tumor, com poucos danos ao tecido saudável. Não envolve procedimento cirúrgico e pode ser utilizado para tratar certos tumores em pacientes que não podem fazer a cirurgia.

A forma como a terapia de radiação é administrada depende do tipo e do estágio do câncer a ser tratado.

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos que impedem o crescimento de células cancerosas, ou então matam as células existentes por parar a divisão celular. A quimioterapia pode ser ministrada por via oral ou injetada na veia ou no músculo.

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Os fármacos entram na corrente sanguínea e podem atingir as células cancerosas por todo o corpo, num processo chamado quimioterapia sistêmica. Quando a quimioterapia é colocada diretamente na coluna vertebral, um órgão ou uma cavidade do corpo (como o abdômen), as drogas afetam principalmente as células cancerígenas nessas áreas - no tratamento conhecido como quimioterapia regional. A forma como a quimioterapia é administrada depende do tipo e do estádio do cancro a ser tratado.

Terapia com laser

A terapia com laser é um tratamento de câncer que utiliza um feixe de laser (um feixe estreito de luz intensa) para matar as células cancerígenas. A indicação do laser e forma como o procedimento é feito depende do tipo e do estádio do câncer a ser tratado.

Terapia alvo

Terapia alvo é uma modalidade constituída de drogas que bloqueiam alvos específicos de determinadas proteínas ou mecanismo de divisão celular presente apenas nas células tumorais, ou presentes preferencialmente nas células tumorais. São medicamentos ministrados geralmente via oral. Estão disponíveis no Brasil os inibidores da tirosina-quinase do EGRF e ALK.

Imuno-oncologia

O sistema imunológico consegue identificar e destruir células anormais com potencial de provocar diversos tipos de câncer. No entanto, as células cancerígenas, em muitos casos, são capazes de enganar o sistema imunológico e se desenvolverem livremente, como se fossem células saudáveis. A imuno-oncologia (também chamada de imunoterapia) é um tratamento medicamentoso que utiliza anticorpos para ajudar o organismo a detectar e destruir células anormais que podem provocar o câncer. O tratamento imunoterápico recupera a capacidade do organismo de combater a doença.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Doenças complexas como o câncer de pulmão exigem o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Médicos, fisioterapeutas, cirurgiões-dentistas, psicólogos e terapeutas ocupacionais fazem parte desta equipe. Seguir suas orientações e utilizar corretamente os tratamentos de suporte prescritos é fundamental para o êxito na terapêutica oncológica. Manter uma alimentação equilibrada, ingestão de água adequada e atividade física, assim como uma atitude pró-ativa e otimista ao longo do caminho, são fundamentais.

Além disso, cessar o cigarro deve ser o primeiro passo para uma pessoa que está com câncer de pulmão. O tabagismo tem relação com mais de 90% dos casos de câncer.

Complicações possíveis

As complicações possíveis decorrem do tamanho, local da lesão e eventualmente de substâncias produzidas pelo tumor e liberadas na corrente sanguínea. O seu crescimento pode afetar por invasão, obstrução ou compressão de estruturas respiratórias, vasculares ou nervosas. Há sempre o potencial de hemorragia, e sintomas podem ocorrer em decorrência de elementos secretados pelo tumor ou dos locais das metástases.

Se o câncer de pulmão avançar pelo órgão, pode surgir um líquido na cavidade pleural, ocupando o pulmão inteiro e causando uma insuficiência respiratória. Se avançar para cima do coração, pode diminuir a funcionalidade deste, bem como causar insuficiência hepática se pegar o fígado. O câncer de pulmão também pode avançar para o sistema nervoso central ou coluna, podendo causar paralisia, lesões e deficiência de movimento.

Expectativas

Segundo estatísticas do banco de dados SERR do Instituto Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, o diagnóstico precoce do câncer de pulmão tem um papel fundamental na sobrevida do paciente. Quando o câncer ainda está localizado, a sobrevida de 5 anos ou mais é de 55,2%. Já na doença mais avançada, os índices de sobrevivência diminuem. Na fase metástica da doença esse índice pode atingir 4,3% de sobrevivência.

Prevenção

Prevenção

Hábitos saudáveis durante toda a vida são sempre bem-vindos para prevenir o câncer. Entre os principais itens, vale destacar a importância de uma dieta equilibrada e saudável, a prática de exercícios físicos regularmente e acompanhamento médico de rotina. Evitar os fatores de risco e aumentar os fatores de proteção pode ajudar a prevenir o câncer de pulmão. Entre as recomendações específicas para câncer de pulmão estão:

Pare de fumar

O tabagismo é o fator de risco mais importante para o câncer de pulmão. Cigarro, charuto, cachimbo e outras formas de consumo do tabaco podem aumentar o risco de câncer de pulmão. O tabagismo causa cerca de 9 em cada 10 casos de câncer de pulmão em homens e cerca de 8 em cada 10 casos de câncer de pulmão em mulheres.

O risco também está relacionado com o número de cigarros fumados por dia e com o tempo de vício - logo, quanto mais cigarros você fuma por dia e quanto mais cedo você começa, maior é risco. Pessoas que fumam têm cerca de 20 vezes o risco de ter a doença em comparação com aqueles que não fumam.

Evite o fumo passivo

Estar exposto à fumaça do tabaco é também um fator de risco para câncer de pulmão. O fumo passivo é a fumaça que vem de um cigarro aceso ou outro produto do tabaco, ou que é exalada pelos fumantes. As pessoas que inalam o fumo passivo estão expostas aos mesmos agentes causadores de câncer, embora em quantidades menores.

Suplementos de betacaroteno em fumantes pesados

Esse nutriente está presente em diversos alimentos, principalmente naqueles com cor alaranjada, como a cenoura. A suplementação de betacaroteno em pessoas fumantes pode diminuir o risco de câncer de pulmão, especialmente naqueles que fumam um ou mais maços por dia. No entanto, a suplementação não substitui a cessação do tabagismo, devendo ser utilizada somente com acompanhamento médico e associada com tratamentos para largar o vício.

Referências

Artur Katz, oncologista e coordenador de oncologia clínica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês

National Cancer Institute. SEER Stat Fact Sheets: Lung and Bronchus Cancer. Disponível em: http://seer.cancer.gov/statfacts/html/lungb.html

Instituto Oncoguia. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br