Doença de Lyme

Visão Geral

O que é Doença de Lyme?

A doença de Lyme é uma infecção bacteriana transmitida por carrapatos, muito comum na América do Norte e na Europa.

Ela recebe esse nome por conta dos diversos casos que ocorreram em 1997 na cidade de Lyme, em Connecticut (EUA). Pelo fato de um dos principais sintomas ser inchaço e dor nas articulações, acreditava-se que era artrite. Porém, como os casos eram agudos (os sintomas desapareciam) e afetavam apenas adolescentes, os pacientes foram estudados e a doença de Lyme foi descoberta. Apesar disso, acredita-se que a doença seja muito mais antiga.

Causas

A doença de Lyme é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, mas a transmissão se dá por meio de carrapatos. São eles que carregam essas bactérias e que podem transmiti-las para os seres humanos por meio de picadas. Os carrapatos são marrons e aderem na pele, onde podem permanecer por bastante tempo enquanto sugam o sangue do hospedeiro. Os locais preferidos do corpo humano para os carrapatos são axilas, couro cabeludo e região da virilha.

Para transmitir a doença, os carrapatos devem ficar aderidos à pele do hospedeiro por 36 a 48 horas no mínimo. Quanto menor o carrapato, maiores são as chances de eles transmitirem a doença de Lyme, pois são mais difíceis de serem detectados.

Quando são transmitidas, as bactérias entram na pele através da picada e invadem a corrente sanguínea, espalhando-se pelo corpo.

Fatores de risco

A doença de Lyme é mais comum nos Estados Unidos e em algumas regiões central e leste da Europa, bem como o sudeste da Escandinávia e ao norte do Mediterrâneo, em países como Itália, Espanha e Grécia. Pessoas que viajam para esses locais e passam muito tempo em áreas arborizadas e gramadas estão sob maior risco de contrair a doença. Pessoas com ocupações ao ar livre também são mais propensas a desenvolver este problema.

Se for viajar para esses locais, certifique-se de quais regiões ainda sofrem com infestações de carrapatos e evite ficar com a pele exposta. Se detectar um carrapato aderido a você, remova-o rapidamente, mas de forma correta. Não identificar e não remover corretamente o carrapato da pele também aumentam suas chances de desenvolver doença de Lyme.

Sintomas

Sintomas de Doença de Lyme

Os sinais e sintomas da doença de Lyme variam e normalmente afetam mais de uma parte do corpo, principalmente pele, articulações e sistema nervoso. Conheça:

Sinais e sintomas precoces

Estes sinais e sintomas podem ocorrer dentro de aproximadamente um mês após a infecção pela bactéria causadora da doença de Lyme:

  • Surgimento de uma protuberância avermelhada na região em que houve picada. A erupção, denominada eritema migrans, é uma das características da doença de Lyme. Algumas pessoas desenvolvem esta erupção em mais de um lugar do corpo
  • Sintomas gripais, como febre, calafrios, fadiga, dores no corpo e dor de cabeça pode acompanhar a erupção cutânea.

Sinais e sintomas tardios

Em algumas pessoas, a erupção cutânea pode se espalhar para outras partes do corpo e, várias semanas ou meses depois de ter sido infectado, podem surgir:

  • Dor nas articulações e inchaço
  • Problemas neurológicos, como meningite, paralisa temporária de um lado do rosto (chamado de paralisia de Bell), dormência ou fraqueza dos membros, além de movimentos musculares prejudicados.

Sinais e sintomas menos comuns

Várias semanas após a infecção, algumas pessoas podem desenvolver sintomas menos comuns, a exemplo de:

  • Problemas de coração, como um batimento cardíaco irregular, que não costumam durar mais do que alguns dias ou semanas
  • Inflamação dos olhos
  • Inflamação do fígado (hepatite)
  • Fadiga severa.

Buscando ajuda médica

Consulte um médico se você foi picado recentemente por um carrapato, mesmo se não estiver apresentando sintomas. Caso você esteja sentindo fraqueza, dormência nos membros, dores ou quaisquer outros sintomas, procure a ajuda de um especialista o mais rápido possível.

Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a doença de Lyme são:

  • Clínico geral
  • Infectologista
  • Dermatologista
  • Neurologista
  • Reumatologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sintomas surgiram?
  • Qual a intensidade dos sintomas?
  • Você foi picado por um carrapato recentemente?
  • Apareceram erupções vermelhas em sua pele?
  • Quais são seus sintomas?
  • Você tem apresentado fraqueza ou dormência nos membros?
  • Você viajou recentemente para alguma região em que haja infestação de carrapatos?
  • Há quanto tempo foi a picada por carrapato?

Diagnóstico de Doença de Lyme

Os sinais e sintomas da doença de Lyme costumam variar muito de pessoa para pessoa e são muito comuns a outras condições de saúde também, por isso o diagnóstico pode ser difícil de ser feito. Além disso, há outras doenças que podem ser transmitidas por carrapatos também.

Se você não estiver com erupções cutâneas na pele, que são características da doença de Lyme, o médico pode lhe fazer perguntas detalhadas sobre seu histórico médico e fazer um exame físico. Testes de laboratório para identificar anticorpos para as bactérias causadoras da doença podem ser usados para ajudar a confirmar o diagnóstico. Estes testes são mais confiáveis algumas semanas após uma infecção, pois seu corpo já terá tido tempo para desenvolver anticorpos. Eles incluem:

  • Teste ELISA (EnzymeLinked Immunosorbent Assay, na sigla em inglês), que é um teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos
  • Teste Western blot, quepode ser feito para confirmar o diagnóstico após o ELISA dar positivo
  • A Proteína-C Reativa (PCR) é um exame usado para medir uma eventual inflamação nos olhos e no fígado.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Doença de Lyme

A principal abordagem para tratar doença de Lyme é o uso de antibióticos, que pode ser ministrado tanto de forma oral quanto intravenosa, em doses que deverão ser decididas pelo médico.

Algumas pessoas, mesmo após o tratamento, podem apresentar alguns sintomas específicos, como dores musculares e fadiga. A causa destes sintomas é desconhecida, mas o tratamento à base de antibióticos não ajuda mais. Alguns especialistas acreditam que certas pessoas que têm a doença de Lyme estão predispostas a desenvolver uma resposta autoimune que contribui para o surgimento desses sintomas.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Seguir à risca o tratamento e as recomendações médicas é essencial para a recuperação. O uso correto e adequado dos antibióticos também é parte fundamental no tratamento e na melhoria da qualidade de vida do paciente.

Complicações possíveis

Se não for devidamente tratada, a doença de Lyme pode causar algumas complicações de saúde, como:

  • Inflamação crônica das articulações (artrite de Lyme), especialmente a do joelho
  • Sintomas neurológicos, como paralisia facial e neuropatia
  • Defeitos cognitivos, como falta de memória e déficit de atenção
  • Irregularidades do ritmo cardíaco (arritmia) e outros problemas que envolvam o sistema cardiovascular
  • Distúrbios do sono
  • Problemas de visão.

Expectativas

Se diagnosticada nos estágios iniciais, a doença de Lyme não costuma evoluir para complicações mais graves de saúde e pode ser perfeitamente tratada com antibióticos. Sem tratamento, no entanto, podem ocorrer complicações envolvendo as articulações, o coração e o sistema nervoso. Esses sintomas são mais difíceis de tratar, mas podem ser contornados também.

Prevenção

Prevenção

Se você for viajar para regiões em que ainda há grandes infestações de carrapatos, certifique-se de tomar os devidos cuidados. Você pode, por exemplo, fazer uso de repelentes de insetos e usar roupas compridas, que não deixem sua pele exposta.

Fontes e referências

  • Ministério da Saúde
  • Organização Mundial da Saúde
  • Centers for Disease Control and Prevention
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