Fissura anal

Visão Geral

O que é Fissura anal?

A fissura anal é uma doença caracterizada por uma ferida na pele que reveste o canal anal e/ou a margem anal. Pode ser aguda ou crônica. A fissura anal acomete igualmente a homens e mulheres. Quase sempre há uma fissura apenas, mas alguns pacientes podem apresentar duas.

As fissuras anais são muito comuns em lactentes jovens, mas pode afetar pessoas de qualquer idade. Uma fissura anal geralmente cura espontaneamente em quatro a seis semanas. Se isso não acontecer, o tratamento médico ou cirurgia geralmente pode aliviar o desconforto.

Tipos

A fissura anal pode ser aguda ou crônica:

  • Fissura anal aguda: o “corte” tende a ser superficial, com bordos sem fibrose, normalmente com menor tempo de evolução
  • Fissura anal crônica: a ferida torna-se uma úlcera facilmente reconhecível pelo médico especialista, com fibrose e endurecimento dos bordos, plicoma sentinela (pele sobressalente na margem anal), com maior tempo de evolução.

Causas

As causas comuns de fissura anal incluem:

Causas menos comuns de fissuras anais incluem:

  • Câncer anal
  • HIV

Fissuras anais também podem acontecer durante um exame retal ou inserção de objetos no ânus.

Muitos especialistas acreditam que a tensão extra nos dois anéis musculares (esfíncteres) que controlam o ânus pode ser uma causa de fissuras. O esfíncter anal externo está sob seu controle consciente. Mas o esfíncter interno não é. Este músculo está sob pressão, ou tensão, a toda a hora. Se a pressão aumentar muito, pode causar espasmo e reduzir o fluxo de sangue para o ânus, causando uma fissura. Essa pressão pode também impedir a ferida de curar.

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Fatores de risco

Fatores que podem aumentar o risco de desenvolver uma fissura anal incluem:

  • Infância. Muitas crianças experimentam uma fissura anal durante o seu primeiro ano de vida
  • Envelhecimento. Os adultos mais velhos podem desenvolver uma fissura anal, em parte, devido à circulação mais lenta, resultando em diminuição do fluxo sanguíneo para a área retal
  • Prisão de ventre. Esforço durante as evacuações e passar fezes duras aumentar o risco de rasgar
  • Parto. As fissuras anais são mais comuns em mulheres após o parto
  • Doença de Crohn. Esta doença causa a inflamação crônica do trato intestinal, o que pode fazer o revestimento do canal anal mais vulnerável à rotura.

Sintomas

Sintomas de Fissura anal

A dor é o principal sintoma. Tende a ser severa, e pior na aguda, como se algo estivesse arranhando, cortando ao evacuar, e persistindo após a defecação. Outros sintomas de uma fissura anal incluem:

  • Sangue vermelho brilhante no banco ou papel higiênico depois de uma evacuação
  • Comichão ou irritação ao redor do ânus
  • Uma rachadura visível na pele ao redor do ânus
  • Um pequeno nódulo ou marca de pele sobre a pele perto da fissura anal.

Ao se tornar crônica, a fissura gera uma hipertrofia da pele na borda do ânus onde se encerra a ferida, chamado plicoma. As pessoas tendem a fazer nesse momento confusão com hemorroidas, pois entendem ser o plicoma uma hemorroida, bem como acreditam ser a pele a causadora da dor. Na verdade a dor se deve à fissura em si.

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Consulte o seu médico se você tiver dor durante as evacuações ou avistou sangue nas fezes ou papel higiênico após uma evacuação.

Na consulta médica

Se você tem uma fissura anal, pode ser encaminhado para um médico especialista em doenças do aparelho digestivo (gastroenterologista) ou especialista em cólon e reto (coloproctologista).

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Leve suas dúvidas por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá responder as perguntas relevantes antes da consulta acabar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando você começou a sentir os sintomas?
  • Os sintomas são contínuos ou ocasionais?
  • Quão grave são os seus sintomas?
  • Onde você sente os sintomas na maior parte do tempo?
  • O que, se alguma coisa, parece melhorar os seus sintomas?
  • O que, se alguma coisa, parece piorar os seus sintomas?
  • Você tem outras condições médicas, tais como a doença de Crohn?
  • Você tem problemas com prisão de ventre?

Algumas perguntas básicas para fazer ao médico incluem:

  • O que provavelmente está causando os meus sintomas?
  • Existem outras causas possíveis para os meus sintomas?
  • Preciso fazer algum exame?
  • Minha condição provavelmente é temporária (aguda) ou crônica?
  • Quais os tratamentos que você recomendaria?
  • Existem sugestões de dieta devo seguir?

Não hesite em fazer outras perguntas durante a sua nomeação.

O que você pode fazer

Enquanto você está esperando a consulta médica, tome medidas para evitar a constipação, como beber muita água, ingerir fibras e fazer exercícios regularmente. Além disso, evite esforço durante as evacuações. A pressão extra pode prolongar a fissura ou criar uma nova.

Diagnóstico de Fissura anal

O médico provavelmente irá perguntar sobre seu histórico médico e realizar um exame físico, incluindo a inspeção da região anal. Muitas vezes, o rasgo é visível. Normalmente, este exame suficiente para diagnosticar uma fissura anal.

Outros testes podem envolver um exame de toque retal, que é a inserção de um dedo em seu canal anal. No entanto, é provável que essa inspeção não seja feita, uma vez que pode ser muito dolorosa para o paciente. Se houver suspeita de fissura anal mas o diagnóstico não foi definido, pode ser usado um endoscópio (tubo iluminado) para inspecionar o canal anal.

A localização da fissura oferece pistas sobre a sua causa. Uma fissura que ocorre ao lado da abertura anal, em vez de a parte de trás ou da frente, é mais provável que seja um sinal de outra desordem, tal como doença de Crohn.

Se houver suspeita de uma doença subjacente, o médico pode recomendar testes adicionais:

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Fissura anal

Tratamentos não cirúrgicos

A primeira medida a ser tomada é a tentativa de tratamento clínico. Esse consiste em:

  • Manter uma boa função intestinal, com ingestão de fibras e emolientes fecais
  • Banhos de assento com água morna
  • Medicamentos de uso tópico, como o diltiazem 2% e a nifedipina 0,3%.

O índice de sucesso é de até 70% com oito semanas de tratamento. Além disso, o índice de recorrência é de 30%.

Outra opção conservadora é a injeção de toxina botulínica, com taxas de cicatrização em torno de 75%. Sua desvantagem é o custo elevado. Estudos demonstram haver menor índice de cicatrização com o tratamento clínico do que com o cirúrgico.

Cirurgia

Se você tem uma fissura anal crônica, que é resistente a outros tratamentos, ou se os sintomas forem graves, pode ser recomendada a cirurgia. A esfinterectomia geralmente envolve o corte de uma pequena porção do músculo do esfíncter anal para reduzir a dor e promover a cura.

Este é o tratamento "padrão ouro", com cicatrização em mais de 90% dos casos, mas pode causar incontinência em 5% dos casos. Esta tende a regredir com o tempo. Outra opção cirúrgica é a remoção da fissura e recobrir o seu local com rotação de um retalho cutâneo-mucoso.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Várias mudanças de estilo de vida podem ajudar a aliviar o desconforto e promover a cura de uma fissura anal:

Adicionar fibras à sua dieta

Comer de 25 a 30 gramas de fibra por dia pode ajudar a manter as fezes macias e melhorar a cicatrização da fissura. Alimentos ricos em fibras incluem frutas, legumes, nozes e grãos integrais. Você também pode tomar um suplemento de fibras. Adição de fibra pode causar gases e inchaço, por isso é importante aumentar a sua ingestão de forma gradual.

Beber líquidos suficientes

Não adianta nada aumentar a ingestão de fibras sem consumir líquidos. A falta de ingestão de fluídos pode deixar as fezes secas e aumentar o risco de prisão de ventre. Por isso, é importante ingerir cerca de dois litros de água todos os dias, garantir que as fezes ficarão macias e fáceis de evacuar.

Exercício físico regular

Fazer 30 minutos ou mais de atividade física moderada, como caminhar, pelo menos cinco dias da semana. Exercício promove movimentos intestinais regulares e aumenta o fluxo de sangue para todas as partes do seu corpo, o que pode promover a cicatrização de uma fissura anal.

Evite esforço durante as evacuações

Esforço cria pressão, o que pode abrir ainda mais a fissura ou causar uma ferida nova. Caso você ainda precise fazer esforço para evacuar, tente aumentar a ingestão de fibras e líquidos.

Fissura anal em bebês

Se seu bebê tem uma fissura anal, certifique-se de trocar as fraldas com frequência, lavar a área com cuidado e discutir o problema com o pediatra.

Complicações possíveis

  • Dificuldade na cicatrização. Uma fissura anal que não cicatriza dentro de seis semanas é considerada crônica e pode precisar de tratamento adicional
  • Recorrência. Uma vez que você tenha experimentado uma fissura anal, você está propenso a ter outra
  • Uma ferida que se estende até os músculos adjacentes. Uma fissura anal pode se estender para o esfíncter anal interno, tornando-se mais difícil de curar. Uma fissura não curada pode desencadear um ciclo de desconforto que pode exigir medicamentos ou cirurgia para reduzir a dor, reparar ou remover a fissura.

Expectativas

O tratamento da fissura anal tende a ser difícil e trabalhoso, tanto para o paciente quanto para o médico. Isso porque tanto o tratamento clínico como o cirúrgico possuem falhas e costuma haver demora para que haja a cicatrização da fissura. Dessa forma, é importante seguir as orientações médicas à risca e mudar seus hábitos mesmo após curar a fissura anal.

Prevenção

Prevenção

Você pode ser capaz de evitar uma fissura anal tomando medidas para prevenir a prisão de ventre:

Coma mais fibras

São elas as responsáveis pela formação do bolo fecal, além de facilitar o trânsito dos alimentos no intestino. São, portanto, fundamentais para a manutenção da flora intestinal.

As fibras podem ser divididas entre solúveis e insolúveis. As primeiras estão presentes em polpa de frutas e farelo de cereais e auxiliam no funcionamento do nosso metabolismo. As insolúveis - encontradas em verduras e alimentos integrais - são as que ajudam efetivamente no funcionamento intestinal, combatendo a prisão de ventre. Deve-se ingerir de 25 a 35 gramas distribuídas ao longo do dia.

Beba muita água

É muito importante beber bastante água todos os dias, pois ela se mistura às fibras e fazem as fezes ficarem mais volumosas e pastosas, impedindo o ressecamento. Com isso, o efeito das fibras sobre o movimento intestinal se torna mais eficaz.

A necessidade diária de água varia para cada pessoa e é influenciada por diversos fatores, como a atividade física. De maneira geral, para pessoas saudáveis, recomendamos a ingestão de dois litros de água por dia.

Pelo fato de a ingestão de água potencializar os efeitos das fibras, de nada adianta tomar litros de água por dia e não ingerir a quantidade adequada de fibras. O inverso também é valido.

Pratique exercícios

Os estudos sobre o assunto ainda são inconclusivos. É certo que, durante o exercício físico, o intestino tem o seu funcionamento estimulado, devido aos movimentos que o corpo faz. Porém, com relação ao alívio da prisão de ventre, algumas pesquisas mostram que a atividade física proporciona uma melhora, enquanto outras não conseguiram comprovar tal efeito.

Apesar disso, a prática de exercícios é essencial para a saúde, podendo contribuir de maneira até mesmo indireta para a cura da prisão de ventre.

Mastigue bem os alimentos

Mastigar bem não só ajuda o organismo a digeri-los melhor, como também evita o mal estar intestinal. A digestão de alguns alimentos já se inicia na boca, através da enzima amilase, e a mastigação faz parte desse processo. Mastigar bem facilita o início do processo de digestão e, consequentemente, de todo o restante, incluindo o intestino.

Fuja do estresse!

Tanto o estresse quanto a ansiedade podem ocasionar sintomas gastrointestinais, seja ele uma prisão de ventre ou uma diarreia. Para aqueles que já sofreram do problema, o estresse pode fazer com que os sintomas retornem. Os especialistas recomendam a adoção de hobbies ou técnicas de relaxamento para a redução do estresse e da ansiedade.

Vá ao banheiro

Pessoas que não têm o hábito de ir regularmente ao banheiro podem apresentar maior irritabilidade, alterações no humor e agravamento dos sintomas de prisão de ventre.

A recomendação é ir ao banheiro de uma a duas vezes por dia. Ele conta também que é importante reservar horários específicos do dia para a prática, pois assim o corpo se habitua e tem menos chances de desenvolver constipação intestinal.

Iogurte probiótico pode?

O intestino tem a presença de bactérias boas e ruins. Quando as boas estão em grande quantidade, evitam os danos causados pelas ruins, que são os casos de diarreia, aumento do risco de câncer de cólon, dor abdominal, gases e outros.

Os iogurtes probióticos possuem uma série dessas bactérias boas. Para ter um intestino saudável, devemos incluir os probióticos na nossa alimentação, pois eles vão equilibrar a flora intestinal. Eles devem estar presentes na alimentação juntamente com as fibras, pois um potencializará a ação do outro. O consumo deve ser diário porque, uma vez que interrompido, perde-se o efeito desejado.

Alguns iogurtes intitulados probióticos não possuem as bactérias necessárias para melhorar o funcionamento do intestino. Por isso, procure um médico antes de iniciar qualquer tratamento do tipo, pois ele indicará o iogurte mais adequado.

Fuja dessas ciladas!

Pessoas que sofrem com a prisão de ventre devem evitar alimentos ricos em gordura saturada, gordura trans, açúcar e sódio. Em relação às bebidas, é importante prestar atenção ao consumo daquelas com quantidades excessivas de açúcar, como refrigerantes e xaropes; cafeína, como chás e café; e sódio, como refrigerantes diet e isotônicos.

A ingestão desses alimentos pode prejudicar o pleno funcionamento do intestino, contribuindo para o aparecimento da prisão de ventre. Por isso, devemos sempre realizar a leitura de rótulos na hora da compra, a fim de escolher produtos mais saudáveis.

Fontes e referências

  • Revisado por: João Duda, coloproctologista formado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná e especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia - CRM PR 22961
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