Gagueira: sintomas, tratamentos e causas

Visão Geral

O que é Gagueira?

Sinônimos: disfluência da fala, balbúcia

Gagueira é um distúrbio na temporalização da fala que afeta a fluência e a comunicação. A temporalização significa o tempo de execução dos sons, sílabas, palavras e frases. Cada som da fala tem um tempo usual para ser falado. Esse tempo depende da região onde a fala é produzida. No caso da gagueira, alguns sons demoram mais para serem ditos. Esse tempo maior interfere na fluência.

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Já a fluência representa a suavidade e facilidade com que os sons, silabas, palavras e frases são produzidos ao longo da fala. No caso de pessoas com gagueira, a produção da fala é trabalhosa e a ligação entre sons, sílabas, palavras e frases não é automática ou espontânea, como ocorre com quem não tem a condição.

Aproximadamente 5% da população mundial é afetada pela gagueira durante o desenvolvimento da linguagem e poderá se cronificar dependendo de inúmeros fatores que possam estar relacionados. Cerca de 1% da população mundial que gaguejam cronicamente.

Isso significa cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, sendo que destes 2 milhões vivem no Brasil. A gagueira necessariamente tem seu início na infância e pode continuar (ou não) na vida adulta.

Causas

Atualmente, a gagueira é vista pela ciência como um distúrbio causado por diversos fatores. Alguns dos fatores que favorecem o aparecimento da gagueira, são:

  • Genética: Existem comprovações cientificas da presença de genes envolvidos no surgimento e manutenção da gagueira, por isso, é comum ter mais de um membro da mesma família com a condição
  • Condições médicas: A gagueira pode ocorrer devido a um AVC, lesões intracranicanas (também conhecidos como traumatismo cranioencefálicos (TCE) pré, peri ou pós-natal ou outros problemas como febre reumática por exemplo
  • Fator social: Desde que haja pré-disposição orgânica, ocorre quando a criança está inserida num ambiente familiar ou escolar facilitador ao desencadeamento da gagueira. Quando um destes ambientes é muito agitado, ou é composto por pessoas que falam muito rápido, ou usam com uma complexidade muito maior do que aquela adequada para a criança, a gagueira tem mais chances de aparecer
  • Fator psicológico: Está comprovado que problemas emocionais NÃO CAUSAM GAGUEIRA. Ao contrário, a vivência de uma fala gaguejada pode trazer alguns dificultadores para a pessoa. Fatores emocionais podem ser considerados agravantes, mas não são cientificamente considerados como causadores da gagueira. Algumas crianças que apresentam alguns dos fatores de risco para a gagueira mas que ainda não se manifestam na fala, ou seja, já tem predisposição para tal, ao passarem por alguma situação de maior impacto emocional, poderão iniciar a gaguejar. Mas tem que haver a predisposição e sabemos não é a maioria.

Fatores de risco

Alguns fatores que aumentam os riscos das crianças desenvolverem a gagueira são:

  • Ter um histórico familiar de gagueira
  • Atraso no desenvolvimento infantil
  • Ser do gênero masculino. Ao redor de 5% das crianças poderão gaguejar até a adolescência. Desses, metade são meninos, metade meninas. No entanto, a taxa de remissão espontânea nas meninas é maior. Dessa forma, os meninos são mais sujeitos a cronificarem, ou seja, a desenvolverem a gagueira crônica
  • Gagueira que continua na criança por oito semanas ou mais.

É importante ressaltar que nenhum desses fatores, sem a pré-disposição orgânica irá fazer com que a pessoa desenvolva a gagueira.

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Sintomas

Sintomas de Gagueira

Alguns dos sintomas da gagueira são:

  • Prolongamento de sons. O som é emitido por maior tempo do que o esperado. Por exemplo: “Aaabra a porta, por ffffavor”
  • Bloqueios de sons, ocorrem quando um som fica impossibilitado de ser articulado. Por exemplo: “(alguns momentos de silêncio) Abra a porta, por favor”
  • Repetição de sons e sílabas. Por exemplo: “A-a-bra a porta, por favor”
  • Troca de palavras durante a fala. A pessoa que gagueja vai dizer uma palavra e antes de fazê-lo percebe que irá gaguejar, por isso troca a palavra. A questão da gagueira está no gesto pré-motor. Ela recebe pistas ao redor de 450 milissegundos antes de que aquele determinado som não será articulado. Por exemplo, ela ia dizer “por favor”, mas ao notar que irá gaguejar na palavra “favor”, diz “por obséquio”
  • Uso mais frequente de interjeições. Por exemplo: “tipo assim, então, né?!”
  • Simplificação de frases. Acontece quando a pessoa recebe pistas motoras de que vai gaguejar percebe que vai gaguejar com em determinada palavra e decide tirá-la ou substitui-la por uma articulatoriamente mais simples da frase
  • Dificuldade em iniciar uma palavra, frase ou expressão
  • Excesso de tensão para produzir uma palavra ou som
  • Ansiedade em iniciar a fala, devido às sucessivas experiências com a fala gaguejada
  • Capacidade limitada para se comunicar de forma eficaz
  • Movimentos motores involuntários como: tensões faciais, tremores de lábios, mandíbula, piscar de olhos, entre outros.
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Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Como falado acima, 5% das crianças apresenta alterações na fluência. Caso a gagueira persista por mais de 8 semanas, é necessário procurar um fonoaudiólogo especializado na área. Em geral, médicos e pediatras não estão atualizados com os descobrimentos da ciência sobre a cronificação da gagueira. E muitas vezes cometem o GRANDE erro de pedir para esperar. O “espera que passa” é o pior diagnóstico que os pais podem receber sobre a fala de sua criança. Sim, a chance de alcançar a remissão espontaneamente é grande – cerca de 80% - mas as outras crianças que correm risco de cronificação estarão perdendo um tempo precioso de reabilitação. Uma criança que gagueja não necessitará ser um adulto que gagueja.

Entre em contato com o fonoaudiólogo especializado em fluência caso a gagueira:

  • Durar mais de oito semanas
  • Ocorrer acompanhada de outros problemas de fala e linguagem
  • Quando a quantidade de rupturas ou a sua intensidade aumentarem ao longo do tempo, mesmo durante o período de oito semanas
  • Ocorrer com visível dificuldade para falar
  • Afetar a capacidade da criança de se comunicar
  • Causar dificuldades emocionais, como ansiedade ou estresse
  • Começar quando a pessoa já é adulta.

Na consulta médica

O especialista apto a diagnosticar gagueira é o fonoaudiólogo. Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com os comportamentos de fala observados e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha, como acontecimentos pré-natais, ou durante o parto, infecções de garganta, e medicamentos que a criança tome com regularidade, como broncodilatadores, cloridrato de metilfenidatoitalina, ou homeopaticos
  • Se possível, pai e mãe participarem da consulta.

Você ouvirá uma série de perguntas, tais como:

  • Quando você notou a gagueira pela primeira vez?
  • A gagueira está sempre presente ou ela vem e volta?
  • Alguma coisa parece melhorar a sua gagueira?
  • Alguma coisa parece piorar sua gagueira?
  • Quais os efeitos que a gagueira tem na sua vida?
  • Mais alguém na sua família tem gagueira?
  • Qual o efeito que a gagueira tem na sua vida ou na vida da sua criança?

Também pode ser útil levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para gagueira, algumas perguntas básicas incluem:

  • O que está causando a minha gagueira ou a gagueira na minha criança?
  • Quais são os exames necessários?
  • Esta condição é temporária ou durará muito tempo?
  • Quais os tratamentos disponíveis e quais você recomenda?
  • Existe alguma alternativa a este primeiro tratamento que você sugere?
  • Existe algum folheto, livro ou site que você recomende para que me informe mais sobre a gagueira?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Gagueira

Infelizmente, ainda não existe um padrão mundialmente utilizado para o diagnóstico da gagueira. Contudo, normalmente o diagnóstico é realizado por meio da contagem do número de rupturas na fala em um intervalo de tempo, do levantamento dos tipos de disfluências que estão na fala, análise do ritmo e da naturalidade da fala e observação da tensão e movimentos associados. Os diagnósticos de gagueira deveriam iniciar imediatamente após o padrão de oito meses de não-fluências.

Porém, muitos pais procuram esse recurso antes desse prazo para se certificarem que de esteja tudo bem com sua criança. Assim já podem receber informações preciosas para a observação da evolução do que poderá ocorrer nas próximas duas semanas.

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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Gagueira

Existem diversos tratamentos disponíveis contra a gagueira. A natureza dos tratamentos deverá ser compatível com a idade da pessoa e com os objetivos de comunicação específicos de cada um, especialmente se a pessoa que gagueja for adulta, entre outros fatores. Caso você ou sua criança gaguejem, é importante procurar um fonoaudiólogo a fim de ver o melhor tratamento disponível. Os psicólogos não estão instrumentalizados para o tratamento da gagueira, uma vez que a gagueira não é um distúrbio emocional ou afetivo e sim, um distúrbio neuroquímico que afeta as estruturas pré-motoras da fala. O DSM V não classifica gagueira como um problema emocional. Mas um profissional da área pode ser um colaborador no tratamento da gagueira no que se refere à dificuldades de autoestima, ou autoimagem. Confira alguns tipos de tratamentos:

  • Terapia de modificação da gagueira: Existem diversas terapias voltadas para adolescentes e adultos que tem como objetivo minimizar a gagueira, como falar de forma mais lenta, regular a respiração ou dizer sílaba por sílaba palavras ou frases mais longas e complexas. Muitas terapias também ajudam a diminuir a ansiedade que sentem em falar em algumas situações como falar ao telefone, manter o contato de olho, entre outros
  • Terapia de promoção da fluência: O terapeuta instrumentaliza a pessoa com técnicas facilitadoras da fluência e, no caso de crianças, também trabalha com a família para auxiliar a criança a falar de forma mais suave e fluente. Nesta modalidade também é importante o papel da escola, que deverá também incluída no trabalho
  • Uso de medicamentos: Não há uma droga específica para o tratamento da gagueira. Contudo, alguns medicamentos que agem no sistema neurológico central, podem ajudar na diminuição da gagueira. Muitos desses medicamentos tem efeitos colaterais significativos. Por isso, é necessária a participação de um neurologista ou de um psiquiatra, para a verificação de possíveis sinais e sintomas
  • Uso de aparelhos eletrônicos: Alguns aparelhos eletrônicos podem ajudar a melhorar a fluência de algumas pessoas que gaguejam
  • Grupos de apoio: Participar de grupos de apoio a pessoas que sofrem de gagueira pode ser uma boa alternativa para compreender melhor a sua dificuldade e observar que existem outros que convivem com o mesmo distúrbio.
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Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Os pais de crianças que gaguejam podem tomar algumas atitudes para ajudar os pequenos:

  • Ouvir com atenção o seu filho sua criança e manter a naturalidade enquanto ela fala
  • Separar um tempo para conversar com sua criança seu filho, sem distrações
  • Falar devagar e sem pressa, sem contudo perder a naturalidade da fala
  • Incentivar todos da família a serem bons ouvintes
  • Criar um ambiente o mais tranquilo e relaxado possível
  • Evitar de chamar atenção para a gagueira durante interações diárias
  • Aceitar a criança como ela é
  • Não reagir negativamente, não criticar e não punir a sua criança seu filho quando ela gaguejar.

Lembre-se que a gagueira é involuntária, intermitente e individual.

Complicações possíveis

Pessoas com gagueira tendem a falar menos e isso poderá irá interferir quantitativa e qualitativamente nos objetivos a serem atingidos. A gagueira pode afetar a vida profissional e pessoal, gerando insatisfações e frustrações.

Expectativas

A gagueira pode ter cura desde que o tratamento seja iniciado o mais próximo possível do início das manifestações. Dessa forma, a criança tem de 98% a 100% de chances de superar o problema. Quanto mais tempo de espera, menores são as possibilidades de cura. Isto porque quanto antes houver uma intervenção adequada mais chances de remissão total terá.

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Prevenção

Prevenção

Não há como prevenir o surgimento da gagueira, contudo é possível obter a não evolução do quadro e também a sua remissão. A detecção rápida e a intervenção precoce permitem que a gagueira não cronifique.

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Fontes e referências

  • Ignês Maia Ribeiro, fonoaudióloga especializada em fluência e diretora educacional do Instituto Brasileiro de Fluência
  • Associação Brasileira de Gagueira
  • Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição
  • Instituto Nacional de Surdez e outros distúrbios de comunicação do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos
  • Clínica Mayo – organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que reúne conteúdos sobre doenças, sintomas, exames médicos, medicamentos, entre outros.