Herpes genital

Visão Geral

O que é Herpes genital?

O herpes genital é uma infecção viral transmitida sexualmente que afeta a pele ou as membranas mucosas dos genitais.

Causas

O herpes genital é causado por dois vírus:

  • Vírus do herpes simples tipo 2 (HSV2)
  • Vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1)

O vírus do herpes simples tipo 2 (HSV-2) origina a maioria dos casos de herpes genital. O HSV-2 pode se espalhar através de secreções da boca ou dos genitais.

Na maioria das vezes, o vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1) causa infecções de herpes na boca e nos lábios (comumente chamadas de aftas ou herpes de boca). O HSV-1 pode se espalhar da boca aos genitais durante o sexo oral.

O vírus do herpes simples (HSV) é transmitido de uma pessoa a outra durante o contato sexual. Você pode se infectar com herpes quando a pele, a vagina, o pênis ou a boca entrarem em contato com os de uma pessoa que já tenha herpes.

O herpes é mais comumente transmitido pelo contato com a pele de uma pessoa infectada que tem lesões visíveis, bolhas ou erupções (uma crise ativa), mas você também pode contrair herpes pelo contato com a pele de uma pessoa infectada quando NÃO há lesões visíveis (e a pessoa pode nem saber que está infectada) ou pelo contato com os fluidos da boca (saliva) ou da vagina de uma pessoa infectada.

Como o vírus pode ser transmitido mesmo quando não há sintomas ou lesões presentes, um parceiro sexual que tenha sido infectado com herpes no passado, mas que não tem lesões ativas de herpes, pode transmitir a infecção a outras pessoas.

As infecções genitais por HSV-2 são mais comuns em mulheres (aproximadamente 1 em cada 4 mulheres está infectada) do que em homens (aproximadamente 1 em cada 8 homens está infectado).

Exames

Podem ser feitos exames nas lesões ou bolhas da pele para diagnosticar o herpes. Esses exames normalmente são feitos quando alguém tem a primeira crise ou quando uma mulher grávida apresenta sintomas de herpes genital.

  • A cultura do fluido de uma bolha ou lesão aberta pode apresentar o vírus do herpes simples. O vírus do herpes simples pode permanecer na cultura de 2 a 3 dias. É mais útil durante a primeira crise.
  • Um exame chamado PCR realizado no fluido de uma bolha apresenta pequenas quantidades de DNA. Trata-se do exame mais preciso para determinar a presença do vírus do herpes na bolha.
  • Os exames de sangue verificam os níveis de anticorpos contra o vírus do herpes. Esses exames podem identificar se alguém foi infectado alguma vez pelo vírus do herpes, mesmo que a pessoa não esteja em crise. Ele pode ser positivo mesmo se a pessoa nunca teve uma crise.

Sintomas

Sintomas de Herpes genital

Muitas pessoas com infecção por HSV-2 nunca têm lesões, ou apresentam sintomas muito moderados que nem se notam ou se confundem com mordidas de insetos ou outro problema de pele.

Se ocorrerem sinais e sintomas durante a primeira crise, eles podem ser muito graves. A primeira crise normalmente acontece dentro de 2 semanas após a infecção.

Os sistemas generalizados ou do corpo inteiro (sistêmicos) podem incluir:

  • Diminuição do apetite
  • Febre
  • Mal-estar geral
  • Dores musculares na parte inferior das costas, nádegas, coxas ou joelhos

Os sintomas genitais incluem a aparição de pequenas bolhas doloridas cheias de fluido transparente ou cor de palha. Elas normalmente se encontram:

  • Em mulheres: nos lábios externos da vagina, na vagina, no cérvix, ao redor do ânus e nas coxas ou nádegas
  • Em homens: no pênis, no escroto, ao redor do ânus, nas coxas ou nádegas
  • Em ambos os sexos: na língua, na boca, nos olhos, nas gengivas, nos lábios, nos dedos e em outras partes do corpo
  • Antes que as bolhas apareçam, a pessoa pode sentir a pele formigando, queimando, coçando ou pode sentir dor no local onde as bolhas vão aparecer
  • Quando as bolhas se rompem, deixam úlceras rasas muito dolorosas. Essas úlceras podem formar crostas e curar-se lentamente em 7 a 14 dias ou mais

Outros sintomas que podem ocorrer incluem:

  • Linfonodos aumentados e sensíveis na virilha durante uma crise
  • Dor ao urinar
  • As mulheres podem ter corrimento vaginal ou, ocasionalmente, não podem esvaziar a bexiga e precisam de um cateter urinário

Uma segunda crise pode aparecer semanas ou meses depois da primeira. Essa crise é quase sempre menos grave e de menor duração que a primeira. Com o tempo, o número de crises pode diminuir.

Uma vez que uma pessoa é infectada, no entanto, o vírus se esconde nas células nervosas e permanece no corpo. O vírus pode permanecer "dormente" (adormecido) por um longo período (chamado de latência).

A infecção pode se reativar ou piorar a qualquer momento. As situações que podem ativar infecções latentes e iniciar uma crise incluem:

  • Fadiga
  • Irritação genital
  • Menstruação
  • Estresse físico ou emocional
  • Trauma

Os ataques podem acontecer com pouca frequência, como uma vez por ano, ou com tanta frequência que os sintomas parecem ser contínuos. As infecções recorrentes em homens normalmente são mais moderadas e duram menos que nas mulheres.

Buscando ajuda médica

Marque uma consulta com seu médico se você tiver algum sintoma de herpes genital ou se tiver febre, dor de cabeça, vômitos ou sintomas generalizados durante ou após uma crise de herpes. Também ligue para o médico se não conseguir urinar.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Herpes genital

O herpes genital não pode ser curado. No entanto, os medicamentos antivirais podem aliviar a dor e o desconforto durante uma crise, curando as lesões com maior rapidez. Essas drogas parecem ajudar mais durante os primeiros ataques do que nos seguintes. Os medicamentos usados para tratar o herpes incluem aciclovir, famciclovir e valaciclovir.

Para crises recorrentes, comece a tomar o medicamento assim que o formigamento, a queimação ou a coceira começar, ou assim que você notar o aparecimento de bolhas.

As pessoas que têm muitas crises podem tomar esses medicamentos diariamente durante um tempo. Isso pode ajudar a evitar crises e a diminuir sua duração. Isso também pode diminuir a chance de transmitir herpes para outra pessoa.

Mulheres grávidas podem receber tratamento contra herpes durante o último mês de gestação para diminuir as chances de ter uma crise no momento do parto. Se houver uma crise no momento do parto, será recomendada uma cesariana para diminuir a possibilidade de infecção do bebê.

Os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos contra herpes incluem:

  • Fadiga
  • Dor de cabeça
  • Náusea e vômitos
  • Erupções
  • Convulsões
  • Tremor

Cuidados domésticos para lesões de herpes:

  • NÃO use meiascalças, roupas íntimas ou calças de nylon ou de outros materiais sintéticos. Em vez disso, use roupas de algodão confortáveis
  • Recomenda-se lavar a região suavemente com água e sabão
  • Tomar banhos mornos pode aliviar a dor (depois do banho, mantenha as bolhas secas)

Se uma das bolhas desenvolver uma infecção bacteriana, pergunte ao médico se você precisa de antibióticos.

Convivendo (prognóstico)

Expectativas

Uma vez que você é infectado, o vírus permanece em seu corpo para o resto da vida. Algumas pessoas têm somente uma crise, e outras têm crises frequentes.

Na maioria delas, não há um desencadeador óbvio. No entanto, muitas pessoas acreditam que os ataques de herpes genital acontecem com as seguintes condições:

  • Fadiga
  • Doenças gerais (de doenças leves a condições sérias, como operações, ataques cardíacos e pneumonia)
  • Imunossupressão devido à AIDS ou a medicamentos como quimioterapia ou esteroides
  • Menstruação
  • Estresse físico ou emocional
  • Trauma na área afetada, inclusive atividade sexual

Em pessoas com um sistema imunológico normal, o herpes genital permanece como uma infecção localizada e incômoda, mas raramente provoca risco de vida.

Complicações possíveis

Mulheres grávidas com uma infecção ativa de herpes em seus genitais ou no canal de parto, podem transmitir a infecção ao bebê durante o nascimento.

  • O risco de transmitir a infecção ao bebê será mais alto se a mãe se infectar com herpes pela primeira vez durante a gravidez. Os bebês de mulheres infectadas durante a gravidez correm o risco de nascimento prematuro. O bebê pode desenvolver infecção cerebral (meningite, encefalite), infecção crônica da pele, atrasos graves no desenvolvimento ou morrer.
  • O risco de infecção grave no bebê é menor em crises recorrentes, sendo maior se a mulher estiver passando por uma crise no momento do parto.
  • As mulheres com histórico de herpes, mas que têm crises ocasionais ou que não têm crises raramente transmitem a infecção aos seus bebês.

Algumas pessoas podem desenvolver infecções muito graves por herpes que abrangem o cérebro, os olhos, o esôfago, o fígado, a medula espinhal ou os pulmões. Essas complicações normalmente se desenvolvem em pessoas com um sistema imunológico enfraquecido, que têm AIDS, que estão passando por quimioterapia, radioterapia ou que tomam doses altas de cortisona.

Uma pessoa com uma infecção ativa de herpes que tem contato sexual com alguém que é HIV positivo tem maior risco de contrair HIV.

Prevenção

Prevenção

A melhor maneira de não contrair herpes genital é evitando o contato sexual, incluindo o sexo oral. A segunda melhor maneira é estando em uma relação duradoura e mutuamente monogâmica com alguém que fez o teste e não está nem nunca foi infectado por herpes.

O preservativo é a melhor maneira de se proteger contra o herpes genital durante a atividade sexual com uma pessoa infectada. Utilizar o preservativo de forma correta e consistente ajudará a evitar que a doença se espalhe.

  • Só os preservativos de látex funcionam para evitar a infecção. Os preservativos de membrana animal (pele de carneiro) não funcionam porque o vírus passa diretamente por eles.
  • O preservativo feminino foi testado e também mostrou redução no risco de transmissão de herpes.
  • O preservativo de látex deve ser usado durante TODO o contato sexual, mesmo que a pessoa infectada não tenha lesões ou bolhas no momento.

Além disso, as pessoas com herpes genital que não apresentam sintomas no momento devem avisar ao parceiro que têm essa doença.

Foram desenvolvidas vacinas contra herpes, mas elas ainda são experimentais.

Fontes e referências

  • Bernstein H. Maternal and perinatal infection - viral. In: Gabbe SG, Niebyl JR, Simpson JL, eds. Obstetrics: Normal and Problem Pregnancies. 5th ed. Philadelphia, Pa: Churchill Livingstone Elsevier; 2007: chap 48.
  • Centers for Disease Control and Prevention. Workowski KA, Berman SM. Sexually transmitted diseases treatment guidelines, 2006. MMWR. 2006;55(RR-11):1-94.
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  • Lebrun-Vignes B, Bouzamondo A, Dupuy A, Guillaume JC, Lechet P, Chosidow O. A meta-analysis to assess the efficacy of oral antiviral treatment to prevent genital herpes outbreaks. J Am Acad Dermatol. 2007;57(2):238-46.
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