Hiperatividade

Visão Geral

O que é Hiperatividade?

A hiperatividade é um estado excessivo de energia, que pode ser motora (física, muscular) ou mental (intenso fluxo de pensamentos). Se algum órgão ou glândula do nosso corpo estiver trabalhando em demasia, dizemos que ele está hiperativo (como no caso da glândula tireóide no hipertireoidismo). Hiperatividade também é sinônimo de aumento e/ou excesso de atividade; comportamento hipercinético (hiper = muito; cinesia = movimento).

O sintoma “hiperatividade” por si só, pouco diz ao especialista, uma vez que sendo um sintoma inespecífico, pode ocorrer em múltiplas situações do dia a dia de crianças e adultos normais, sem causar qualquer espécie de problema. Entretanto, não raro, a hiperatividade pode ser de difícil avaliação quanto ao grau de comprometimento, especialmente em crianças menores. Daí haver a demanda de uma avaliação cuidadosa da hiperatividade e seu modus operandis em todos os contextos da vida da criança ou adulto, bem como a observação do grau de sofrimento, prejuízo e comprometimentos decorrentes do comportamento hiperatividade à criança, à família e à qualidade de vida do sistema familiar como um todo.

Em geral o hiperativo é desatento, não possui um bom desempenho na escola e tende a ter problemas com a leitura e outras tarefas acadêmicas. Frequentemente esse transtorno pode ser acompanhado de outros atrasos no desenvolvimento como dificuldade na fala e falta de habilidade (dispraxia). Em presença de comprometimento em múltiplos setores e presença de sofrimento e prejuízos, a hiperatividade será classificada como patológica.

A hiperatividade pode se manifestar em qualquer idade e sexo embora a sua prevalência seja maior nos meninos.

Sintomas de Hiperatividade

A hiperatividade é um estado de atividade motora excessiva que pode se manifestar por sintomas de inquietação, nervosismo e movimentos excessivos onde as crianças estão sempre correndo, pulando e saltitando ao invés de andarem. É comum vê-las se esbarrando nas pessoas ou nos móveis, tropeçando, caindo e se machucando, pois quase sempre estão se colocando em lugares perigosos. Não raro, até para comer e ou assistir à TV o fazem de pé, andando de um lado a outro da casa. O sono costuma ser agitado, falam muito e mesmo dormindo giram o corpo na cama, podendo se tremer e balançar a perna para dormir.

Todo esse comportamento excessivo com frequência se acompanha de uma dificuldade de concentração e manutenção do foco para prestar atenção nas aulas, realizar as tarefas, ler, fazer os deveres de casa e até para brincar de forma calma e segura com os colegas. A fala é excessiva, podendo ser desorganizada pela “pressa para falar”, e por vezes é muito acelerada parecendo que vão gaguejar. Eles têm muita dificuldade em permanecerem quietos em casa, na escola, no parque ou em qualquer lugar.

Ainda assim, é importante distinguir a verdadeira hiperatividade dos comportamentos ativos e impulsivos exibidos pelas crianças normais. A hiperatividade, sendo um sintoma dimensional, varia de intensidade dentro de um espectro, fato que pode deixá-la sujeita à relativização do observador. Ou seja, um mesmo comportamento poderá parecer mais ou excessivo hiperativo ou até normal, dependendo das condições do observador, geralmente os pais ou os professores. Mas verdade seja dita, algumas crianças são nitidamente muito mais ativas do que outras aos olhos de qualquer um. Casos assim são muito mais sujeitos a problemas na escola e no social e muitas crianças hiperativas são muito infelizes e ansiosas, sendo alvo de bullying e de toda sorte de rejeição e punição em casa e na escola. O comportamento hiperatividade pode diminuir na adolescência e até desaparecer na vida adulta, embora seja muito comum a persistência das cicatrizes deixadas ao longo da vida.

Os principais sintomas da hiperatividade em crianças são:

  • Estar sempre inquieto
  • Estar sempre se mexendo (pés e mãos) e tamborilando dedos
  • Sempre se levantar quando é para ficar sentado
  • Ficar correndo, perambulando e falando excessivamente
  • Ter dificuldades em participar de brincadeiras calmas

Os principais sintomas da hiperatividade em adultos são:

  • Inquietude interna e ansiedade
  • Dificuldade de ficar sentado em reuniões
  • Tendência a ser workaholic, ou seja, viciado em trabalho
  • Falar excessivamente
  • Fumar e ou beber em demasia

Sintomas como sentir sonolência diurna e evitar brincadeiras “clássicas” e agitadas (como futebol e queimada) são menos observados no dia a dia dessas crianças, mas podem acontecer. Algumas crianças hiperativas se retraem por conta da própria hiperatividade, por exemplo. No futebol: muitas vezes tamanha é a hiperatividade que eles sempre perdem de defender as bolas, derrubam as outras crianças durante o jogo, perdem boas jogadas e com isso são rejeitados pelo grupo; na queimada, sempre são queimados, caem mais, são desajeitados, sofrem mais bullying e também costumam ser deixados de lado pelos colegas. Por isso alguns meninos hiperativos podem optar por brincarem sozinhos, alguns até com brincadeiras ‘mais protetoras’ e que não vão machucá-los.

Apesar dos sintomas mais notórios da hiperatividade serem da responsabilidade do cérebro, outras partes do corpo humano também têm um papel importante na hiperatividade. Pescoço, coluna, sistema imunitário, sistema digestivo e urinário estão envolvidos na hiperatividade. Por isso é que muitas crianças e adultos com hiperatividade têm:

  • Problemas respiratórios como bronquite e asma
  • Má postura física
  • Um andar descoordenado ou desengonçado
  • Tendência para tropeçar, ir contra coisas, quedas e acidentes
  • Pouca habilidade com trabalhos ou atividades manuais
  • Fazer xixi na cama com uma idade avançada, muitas vezes com 8 e 9 anos.

Tipos

Existem dois tipos de hiperatividade:

Hiperatividade motora: Basicamente na criança, a hiperatividade está ligada à motricidade, aos movimentos. É a criança agitada, que não para quieta um segundo sequer, com o bicho carpinteiro, como dizem as pessoas.

Hiperatividade mental: profusão de pensamentos de modo desorganizado, em excesso, prejudicando o raciocínio da criança, além de tender a deixá-la desatenta, ansiosa, irritada e ou agressiva.

Causas

As causas mais comuns são as de ordem genética e ambiental (uma suscetibilidade genética em interação direta com fatores ambientais).

Em crianças, podem existir as seguintes causas de hiperatividade:

  • TDAH ou Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
  • Uso de álcool, tabaco, substâncias psicoativas pela mãe durante a gestação
  • Complicações na gestação, como injúria fetal, lesão cerebral
  • Parto prematuro e baixo peso do bebê (PIG)
  • Complicações no parto, como hipóxia, partos prolongados e traumáticos ao bebê
  • Mãe sob estresse contínuo, mãe mal nutrida ou desnutrida
  • Ambiente familiar desorganizado, caótico, desestruturado
  • Maus tratos e abuso
  • Problemas situacionais como crises familiares (luto, separação parental e outras) levando a quadros de hiperatividade reativa
  • Transtornos de aprendizagem
  • Deficiência intelectual
  • Doenças invasivas do neurodesenvolvimento, como o autismo, por exemplo
  • Doenças genéticas e outras doenças, como pós-encefalites virais, entre outras.

Já entre os adultos, as causas mais comuns para hiperatividade são:

  • TDAH ou Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
  • Outros transtornos psiquiátricos como, por exemplo, transtorno bipolar, mania agitada, entre outros
  • Outros transtornos fisiológicos, como hipertireoidismo e fecromocitoma
  • Doenças cérebro vasculares e outras do doenças do sistema nervoso central
  • Intoxicação por chumbo, mercúrio e outros metais pesados
  • Uso em excesso de medicamentos psicoestimulantes, drogas (cocaína), cafeína, tabaco
  • Síndrome de abstinência de drogas
  • Exposição a pesticidas e/ou adubos agrícolas e a produtos químicos
  • Exposição a produtos domésticos com princípio ativo muito forte como diluente, amoníaco ou vernizes
  • Meio familiar caótico, desorganizado, dinâmica agressiva
  • Distúrbios emocionais, instabilidade no emprego e nos relacionamentos.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco para a hiperatividade, encontramos principalmente fatores genéticos e ambientais, como:

  • Parto prematuro
  • Baixo peso ao nascer
  • Tabagismo na gravidez
  • Desajuste familiar
  • Idade materna jovem
  • História paterna de comportamento antissocial
  • Depressão materna .

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

O diagnóstico é fundamentalmente clínico, realizado por profissional (de preferência, psiquiatra) que conheça profundamente o assunto e que necessariamente descarte outras doenças e transtornos, para então indicar o melhor tratamento.

A hiperatividade é um tipo de conduta desnecessária, desorganizada e caótica, caracterizada pela combinação de inquietude e falta de atenção em um nível impróprio para a idade da criança. Para o neuropsicólogo Sam Goldstein é essencial compreender o comportamento da criança hiperativa, ver o mundo através dos olhos dessa criança e fazer a distinção entre comportamento que resulta de falta de capacidade e comportamento que resulta de desobediência deliberada. Todos aqueles (pais, amigos ou profissionais) que lidam com crianças hiperativas, sabem também do outro lado da moeda, ou seja, do quão grande é o sofrimento que elas sentem. Só quem convive com estas crianças é que sabe como é difícil lidar com elas, pois elas não cooperam, não param quietas, estão sempre em movimento, manipulando objetos ou parecendo sonhar com um mundo diferente daquele em que ora vivem.

Ou seja, sempre que houver uma hiperatividade persistente, junto a quadros desatencionais, de impulsividade, levando a rejeição social e queda no rendimento escolar, é esta a hora de buscar um profissional experiente no assunto.

Diagnóstico de Hiperatividade

O diagnóstico antes dos quatro ou cinco anos raramente é feito, pois o comportamento das crianças nessa idade é muito variável e a atenção não é tão exigida quanto a atenção de crianças maiores. Mesmo assim, algumas crianças desenvolvem o transtorno numa idade bem precoce. Crianças só hiperativas respondem de modo adequado as orientações específicas das professoras e ao conteúdo programático proposto em aula bem como as atividades físicas regulares, ao inverso das crianças acometidas com um distúrbio de hiperatividade, uma vez que elas também vão apresentar dificuldade de seguir regras e limites e de controlar os seus impulsos.

Geralmente só os pais são chamados na primeira consulta. Nela, será obtida anamnese detalhada da criança, ou seja, de todo o seu histórico de vida desde a concepção. Também é feita a análise do histórico de vida dos pais e irmãos e familiares biológicos, incluindo todos os dados do histórico patológico pregresso, análise do histórico e ambiente escolar (acadêmico), profissional, social, conjugal, dinâmica do sistema familiar, e sempre, observando se os pais e irmãos conseguiram ou estão conseguindo aproveitar toda a capacidade de desempenho na vida.

Relatórios sobre a criança são solicitados à escola. Escalas específicas são feitas com os pais e encaminhados para a escola para ser preenchido também. São solicitados exames de sangue, imagem e avaliações específicas (pelo oftalmologista, otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, psicólogo etc.) conforme cada caso.

É importante detalhar com rigor a hiperatividade, com perguntas como as listadas abaixo:

  • Desde quando observaram que a criança era hiperativa?
  • A hiperatividade é estável ou vem aumentando ou diminuindo ao longo do tempo? Especifique?
  • Quais os sintomas que mais incomoda em casa e na escola?
  • Que outros sintomas a criança apresenta?
  • Quais as queixas da professora?
  • Ele é assim em que lugares e com que pessoas?
  • Ele apresenta alguma situação que provoque a hiperatividade?
  • Como é ele em relação a outras crianças da mesma idade?

Em uma segunda consulta, a criança é avaliada física e emocionalmente. Caso o especialista ache necessário, poderá solicitar uma avaliação neuropsicológica.

Todo o diagnóstico é puramente clínico e será acompanhado regularmente a partir dos dados dos pais e professores. Existem trabalhos que mostram diferenças em áreas do cérebro nas crianças com TDAH, se comparadas com um grupo de crianças sem a doença. Entretanto, é importante salientar que o diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nas queixas da pessoa e em sua história de vida. Exames radiológicos, raios-X, tomografia ou eletroencefalograma (exame pedido com muita frequência) não ajudam a esclarecer o diagnóstico, seja em crianças, seja em adultos.

Tratamento e Cuidados

Medicamentos para Hiperatividade

A hiperatividade pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Os medicamentos mais comuns no tratamento de hiperatividade são:

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Fontes e referências

  • Evelyn Vinocur, psiquiatra e psicoterapeuta cognitivo comportamental especializada em Saúde Mental da Infância e Adolescência pela Santa Casa de Misericórdia do Estado do Rio de Janeiro, SCMRJ. Membro associado da ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria e da ABDA - Associação Brasileira de Déficit de Atenção (CRM-RJ: 303514)
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