Secreção nasal

Visão Geral

O que é Secreção nasal?

Sinônimos: nariz escorrendo, gota pós-nasal, rinorreia

A secreção nasal é um problema extremamente comum. O muco ou catarro é produzido por pequenas glândulas que ficam abaixo da mucosa, camada que reveste internamente as vias aéreas. O muco é composto por água (90 a 95%), glicoproteínas, sais e restos celulares. Sua função é proteger as vias aéreas do ataque de vírus, bactéria e outros micro-organismos que podem infectar nosso corpo. Justamente por isso, a cor, consistência e até mesmo o odor do muco podem nos dizer se há algo de errado, uma vez que para eliminar os organismos invasores ele poderá ficar mais concentrado, com sangue ou mesmo mal cheiroso.

No entanto, nem todo o muco é sinal de problema grave. Aquele muco transparente, sem odor e de consistência fina é normal e não levanta suspeita.

Sinônimos

Catarro, muco nasal.

Causas

Entre as causas mais comuns de secreção nasal estão:

  • Sinusite
  • Alergias
  • Uso excessivo de sprays descongestionantes
  • Presença de um objeto estranho no nariz, principalmente em crianças
  • Rinite
  • Infecções respiratórias virais.

Outras causas menos comuns para secreção nasal são:

  • Catapora
  • Gravidez
  • Desvio de septo
  • Cefaleia em salvas
  • Toxicodependência

Confira as características de um muco anormal e quando se preocupar:

Consistência

Seja ralinha ou mais grossa, a consistência do catarro pode dizer muito sobre a saúde das suas vias aéreas. A consistência normal do muco é líquida, levemente espessa.

A quantidade de sais minerais e proteínas presentes no muco que conferem consistência ao muco. Ele precisa ter alguma viscosidade, pois assim os cílios das células da mucosa conseguem levá-lo no sentido da laringe a fim de eliminar vírus, bactérias ou partículas que ficaram paradas na garganta e precisam ser eliminadas. Se ele for muito fluido ou muito viscoso não progride para sua eliminação.

Além disso, um muco muito consistente pode indicar infecções e doenças crônicas das vias aéreas, ou então acusar que seu organismo está pouco hidratado. Um exemplo de doença congênita relacionada ao muco muito espesso é a fibrose cística.

Cheiro

O muco normal raramente tem cheiro. O odor fétido leve a moderado sugere a presença de infecção, geralmente por bactérias do tipo anaeróbias, que podem causar o que chamamos de abscesso. Esse tipo de bactéria causa odores no muco uma vez que elas produzem gases como resultado da digestão, em um processo parecido com os das bactérias que produzem mau hálito.

Caso a consistência do muco também esteja alterada, mais grossa, com odor mal cheiroso e cor mais escura, há grandes chances de ser uma infecção bacteriana de origem pulmonar e brônquica, como a pneumonia. É necessário passar por uma avaliação médica, a fim de diagnosticar o problema.

Cor

Um catarro saudável não tem cor. Se estiver muito esbranquiçado, pode indicar asma, rinite, quadros alérgicos e infecções virais (gripe, resfriado). Em casos raros, o muco esbranquiçado pode ser sintoma de um tipo de câncer de pulmão chamado carcinoma bronquíolo-alveolar. Caso ele não tenha odor e seja consistente, pode indicar que o corpo está desidratado.

Já se muco for amarelado é sinal de infecção respiratória do trato superior, como rinites, sinusites e laringites, podendo ser de origem viral ou um início de infecção bacteriana. Caso ele esteja mais esverdeado ou purulento, indica uma infecção por bactéria, como amigdalite e pneumonia.

Há também aquele muco mais amarronzado, geralmente acompanhado de odor forte e consistência grossa. É um forte indício de pneumonia por Aspergillus (tipo de fungo que infecta o pulmão) que pode causar um sangramento que tinge o catarro de marrom. Além disso, tabagistas geralmente apresentam um catarro com uma coloração diferente, mais escura. O tabaco é um importante irritante das vias aéreas, tanto nasais como brônquicas e pode estimular as glândulas a produzirem mais muco. Nesse caso, a coloração escura nem sempre é uma infecção.

Quando o muco com coloração dura mais de três semanas, é considerado um quadro crônico. Pode estar relacionado a infecções crônicas, como a tuberculose e condições de alergia crônica, como asma ou mesmo câncer. Caso o muco esteja acompanhado de outros sintomas, como espirros em salva, tosse ou coceira nasal e nos olhos, também deve ser feita investigação.

Catarro com sangue

A principal causa de catarro com sangue são as infecções das vias aéreas, que causam inflamação local, o que favorece o rompimento de pequenos vasos durante o esforço da tosse e/ou expectoração. Mas se o sangue persistir ou se desde o primeiro episódio for sangue vivo em grande quantidade, é necessário procurar ajuda médica. Nestes casos, há uma probabilidade maior de serem doenças mais graves, como tuberculose, embolia pulmonar e câncer de pulmão. A presença de sangue em qualquer secreção do organismo é motivo de preocupação e deve ser investigada.

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Se você está percebendo uma produção de catarro acima do normal por mais de duas a três semanas, considere buscar ajuda médica. Outros sintomas como tosse, febre, dor de cabeça e dores do corpo podem ser indicativos para alguma doença.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar e acompanhar as causas de secreção nasal são:

  • Clínico geral
  • Pediatra
  • Pneumologista
  • Alergista e Imunologista
  • Otorrinolaringologista

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sintomas começaram?
  • Os sintomas são persistentes ou ocasionais?
  • Além da secreção nasal, que outras sensações acontecem?
  • A secreção tem uma cor específica? Há sangue na secreção?
  • O que, se alguma coisa, parece melhorar o sintoma?
  • O que, se alguma coisa, parece piorar o sintoma?
  • Há histórico familiar ou pessoa de alergias respiratórias, como rinite e sinusite?

Exames

Durante o exame físico, o médico ou médica poderá observar o nariz e área ao longo dos seios nasais, para identificar qualquer mudança. Também olhará para inchaços e alterações anormais na cor, consistência e odor da secreção nasal.

Podem ser realizados exames como a videonasofibroscopia, que consegue uma clara visão da cavidade nasal até sua porção mais posterior e ajuda no diagnóstico de rinossinusite aguda. Nos casos crônicos a tomografia computadorizada de seios da face pode ajudar a identificar as alterações que tornaram o processo crônico.

O Raio-X de seios da face não é um bom método para diagnóstico de rinossinusite aguda, uma vez que não consegue diferenciar um espessamento de muco que pode ocorrer em casos virais ou rinite alérgica de acúmulo de secreção da sinusite.

Dependendo do caso, o médico ou médica poderá coletar um pouco da secreção nasal para ser analisada em laboratório, a fim de buscar a presença de bactérias ou vírus. (ESTA COLETA NÃO É USUAL E NORMALMENTE NÃO É REALIZADA).

Convivendo (prognóstico)

Cuidados

A melhor forma para eliminar o catarro quando há um quadro clínico envolvido é por meio da tosse e expectoração, mas nunca forçar. Esse esforço pode gerar dor muscular, vômitos, rompimento de pequenos vasos nas vias aéreas e, em casos extremos, até fratura de arcos costais. Para catarros muito espessos e difíceis de ser eliminados, o ideal é prosseguir com o tratamento indicado pelo médico e beber muita água para ajudar na diluição do muco e facilitar sua eliminação. Se o catarro não for expelido das vias aéreas, pode haver acúmulo e entupimento de determinados brônquios, além de favorecer a proliferação de bactérias, pois pode servir como meio de cultura. O muco não eliminado pode gerar problemas como sinusite e rinite crônicas.

Caso a pessoa tenha uma produção de catarro crônica, o ideal é procurar ajuda médica e seguir as instruções para sua eliminação. Geralmente, o muco excessivo está relacionado a alguma condição de saúde, que pode ser branda ou grave - mas em todos os casos deve ser investigada.

Fontes e referências

  • Revisado por: Bruno Loredo, otorrinolaringologista do Hospital Santa Luzia, em Brasília - CRM: DF 19501
  • Ciro Kirchenchtejn, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – CRM SP 50579
  • Carla Valeri, pneumologista do Hospital Moriah – CRM SP 93841
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