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Gastrectomia vertical: conheça as vantagens dessa bariátrica

Realizada por videolaparoscopia, a gastrectomia vertical é uma cirurgia irreversível e com algumas contraindicações

A gastrectomia vertical, "em manga" ou "sleeve gastrectomy" em inglês, é um tipo de cirurgia bariátrica realizada geralmente por videolaparoscopia. Consiste na retirada de parte do estômago, sendo, portanto, irreversível. É chamada de vertical ou em manga porque retira através de grampeamento boa parte do estômago verticalmente, deixando um tubo gástrico, como uma manga de camisa.

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A gastrectomia vertical é parte de uma outra cirurgia bariátrica, o "switch duodenal", que é uma intervenção que, além do estômago, desvia 90% do intestino delgado, promovendo menor absorção de nutrientes. Apesar de ser uma cirurgia com bons resultados a longo prazo, o "switch duodenal" é pouco feito no Brasil e no mundo em virtude de sua maior complexidade e de potenciais maiores complicações nutricionais a longo prazo.

Para quem a gastrectomia vertical é indicada?

gastrectomia vertical - Foto: Divulgação
gastrectomia vertical - Foto: Divulgação

Entre os anos 2003 e 2005, alguns cirurgiões indicaram a gastrectomia vertical inicialmente em pacientes de muito alto índice de massa corpórea (IMC), para conseguir alguma perda de peso inicial e, posteriormente, realizar o "switch duodenal". Alguns conseguiram somente com a cirurgia do estômago perder peso e não foi necessário então prosseguir com a segunda cirurgia. Nascia assim a ideia da gastrectomia vertical como uma cirurgia única para perda de peso.

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Ela é indicada como qualquer cirurgia bariátrica: para pacientes com IMC acima de 35 kg/m2, com doenças associadas como o diabetes, hipertensão e etc., ou para aqueles com IMC acima de 40 kg/m2. Em nova resolução do Conselho Federal de Medicina, divulgada em novembro de 2017 sobre o tratamento cirúrgico do diabetes tipo 2 não controlado pelo melhor tratamento clínico em IMCs a partir de 30 kg/m2, ela é indicada se houver porventura qualquer impedimento para a realização da gastroplastia em Y de Roux, que tem efeitos mais poderosos sobre o diabetes quando comparada com a gastrectomia vertical.

Vantagens da gastrectomia vertical

A vantagem relativa da gastrectomia em manga é não modificar o trajeto dos alimentos pelo tubo digestivo (por isso não tem efeitos poderosos sobre o diabetes do tipo 2, sendo menos eficaz nesse sentido do que a gastroplastia em Y de Roux). Também tem menor chance de hérnias internas e eventual obstrução intestinal.

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Quando realizada por equipes experientes em cirurgia bariátrica (lideradas por cirurgiões titulares da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), dura cerca de 50 a 60 minutos, tempo semelhante à gastroplastia em Y de Roux.

Desvantagens da gastrectomia vertical

Tem como desvantagem ser uma operação irreversível e, pela conformação anatômica do estômago após a confecção do tubo, pode levar a refluxo de ácido do estômago para o esôfago, mesmo para aqueles que não tinham no pré-operatório, podendo eventualmente piorar essa condição se o paciente já sofrer com o problema antes de operar.

Portanto, refluxo gastroesofageano é contraindicado neste procedimento e, pelo fato da gastrectomia vertical ser causadora do refluxo, alguns estudos mostram que exames complexos que estudam a fisiologia do esôfago devam ser solicitados no pré-operatório, caso a gastrectomia vertical tenha sido indicada.

Possíveis complicações do método

A avaliação das doenças associadas à obesidade e risco cirúrgico devem ser avaliados em qualquer paciente bariátrico, independente da técnica escolhida. As complicações após cirurgias bariátricas realizadas por equipes treinadas e habilitadas são pequenas, independente da técnica. São cirurgias muito seguras. Dentre as possíveis complicações, comuns à quaisquer intervenções sobre o aparelho digestivo, estão as fístulas (vazamentos de conteúdo gastrointestinal para a cavidade abdominal) e sangramentos.

Todos os pacientes submetidos à cirurgias bariátricas e metabólicas devem ser seguidos pela equipe multidisciplinar. Existe um mito de que pacientes submetidos à manga gástrica não necessitam de multivitamínicos ou monitorização nutricional após a cirurgia. A verdade é que sim, precisam, exatamente como outros procedimentos bariátricos e metabólicos. A perda de peso no pós-operatório é em torno de 20 a 25% do peso total, maior que a banda gástrica ajustável (cirurgia restritiva, muito pouco usada atualmente) e menor do que após a gastroplastia em Y de Roux.

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Mesmo sendo raros, os problemas nutricionais devem ser monitorizados. Além disso, os pacientes submetidos à gastrectomia vertical devem ser atentamente seguidos e monitorados para a presença de refluxo gastroesofágico, que mesmo assintomático, deve ser diagnosticado e tratado. Junto com a recidiva da obesidade, o refluxo gastroesofageano é causa importante de reoperação tardia durante o seguimento pós-operatório das gastrectomias verticais.

Finalmente, pacientes com IMC entre 35-40 kg/m2, sem diabetes, dispostos a fazerem um seguimento próximo a equipe multidisciplinar e com endoscopias digestivas (eventualmente pelo resto da vida), podem se beneficiar desta alternativa cirúrgica para perda de peso.