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Desafios éticos para a cirurgia plástica

Entenda a partir de que momento o procedimento é necessário

Um novo jogo on line que encoraja meninas a colocar suas bonecas virtuais de dieta e a levá-las a uma clínica para fazer cirurgias plásticas está provocando muita polêmica na Grã-Bretanha. Mais de 200 mil pessoas já se registraram no website Miss Bimbo (http://www.missbimbo.com), desde seu lançamento, em fevereiro deste ano, a maioria delas entre 9 e 16 anos de idade.

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Na página da web, as meninas são incentivadas a criar as bonecas "mais legais, ricas e famosas do mundo". Para alcançar este objetivo, elas usam "bimbo dólares", moeda virtual utilizada no site, para comprar roupas, fazer cirurgias plásticas ? especificamente, colocar silicone nos seios ? e comprar anorexígenos. Tudo, segundo o próprio site, para que as bonecas participantes possam "alcançar a fama e conquistar maridos bilionários".

Pais e profissionais de saúde já apontam o website como uma ameaça e não uma brincadeira, pois o jogo passa uma mensagem completamente equivocada sobre beleza e sucesso para crianças e jovens. Como a discussão apenas começou, devemos acompanhar com atenção como as autoridades e a população da Grã-Bretanha vão proceder em relação ao acesso de crianças e jovens a este site.

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Enquanto isto no Brasil...

Não temos nenhuma versão nacional de Mis Bimbo, mas também devemos nos preocupar com a visão que crianças e adolescentes têm a respeito de beleza e estética. Exageros e excessos rondam este segmento populacional também.

Hoje, podemos afirmar que a cirurgia plástica é um dos meios que a sociedade moderna encontrou para elevar a auto-estima e o bem-estar do indivíduo, fazendo com que ele conviva melhor com sua própria imagem. Quando esta especialidade médica iniciou seus trabalhos, os cirurgiões não falavam em estética, bem-estar, beleza, pois a importância da auto-estima não era tão difundida socialmente. O discurso era o reparar as deformidades.

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muito semelhante quando o assunto é a própria imagem. Depois de garantir a satisfação das necessidades básicas, o ser humano busca estar bem com sua aparência. Com a estabilidade econômica que experimentamos há quase uma década no Brasil, a cirurgia plástica vem crescendo, ampliando seu mercado

A mudança exterior não é apenas voluntarismo. Quem nasceu com um nariz muito grande ou com a orelha acentuadamente para frente não considera a cirurgia plástica apenas uma vontade, e sim, uma necessidade. A cirurgia plástica é importantíssima também para as pessoas que passaram por algum tipo de trauma físico.

O trabalho do cirurgião plástico é o de mostrar que ?o normal? e ?o mais bonito? são as mudanças sutis, quase imperceptíveis, pois, em meio a este processo de valorização social da auto-estima, este profissional tem que estar atento aos excessos e às más indicações dos procedimentos cirúrgicos, que sempre devem ser evitados para o bem do paciente.

Por isto, além de uma boa formação técnica, o cirurgião plástico tem de ter uma consistente formação ética. Se o paciente disser que tem o nariz grande, cabe a ele julgar o próprio nariz. Ao médico cabe a avaliação profissional e a conduta ética de indicar ou não uma intervenção cirúrgica a este paciente. O papel do cirurgião plástico é estabelecer se os anseios do paciente são reais, que tipo de tratamento é mais indicado para cada caso e mostrar que a cirurgia plástica é um tratamento médico, com limitações e riscos, o que certamente Miss Bimbo não fará pelas crianças e adolescentes.