Problemas cognitivos não diagnosticados podem atrapalhar a vida adulta? | Minha Vida
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Problemas cognitivos não diagnosticados podem atrapalhar a vida adulta?

Entenda melhor como déficit de atenção ou dislexia não descobertos na infância atrapalham

A cognição é o conhecimento de si mesmo e do mundo e envolve funções como atenção, percepção, raciocínio, memória, interpretação, pensamento e linguagem. Sua avaliação é importante, pois é sabido que uma boa cognição se associa a uma melhor performance global na vida.

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Muitas condições cursam com comprometimento cognitivo em diferentes graus de intensidade, sendo essencial o diagnóstico e tratamento precoces. Senão, o problema infantil pode evoluir de modo silencioso e crônico sob uma espiral decrescente na vida, com consequências como baixa autoestima e autoconfiança, sensação de fracasso, impotência, apatia, desmotivação e lentidão, que se associam a um baixo rendimento, fazendo com que esses pacientes, já adultos, sejam percebidos como emocionalmente empobrecidos.

Geralmente eles são rotulados como preguiçosos, sem determinação e força de vontade, desinteressados, lerdos e burros. A situação é preocupante, porque esses transtornos têm alta prevalência na vida e evoluem com sintomas no adulto em mais de 65% dos casos e na maioria das situações ficam sem diagnóstico.

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Pelo pouco conhecimento da sociedade sobre os transtornos mentais, especialmente os da infância, muitos deles, apesar de terem tratamento eficaz, não são identificados e vão cursar com piora e cronificação dos sintomas e com a presença de outros distúrbios psiquiátricos, deixando o prognóstico reservado e sombrio.

E sem tratamento, crianças com problemas cognitivos certamente se tornarão adultos com esses quadros agravados, apresentados de forma crônica e com mais sequelas emocionais. Entre esses transtornos, temos: transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos de aprendizagem (dislexia, discalculia, disortografia ? dificuldades em ler, calcular e escrever, respectivamente), depressão, transtorno bipolar do humor, uso de substâncias psicoativas, entre outros.

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Adultos com versões mais leves desses transtornos

Essas crianças, se não tratadas, não raro serão adultos com muitas dificuldades ao longo da vida. O comprometimento das funções executivas em adultos com TDAH tende a agravar as dificuldades prévias de aprendizagem.

Ainda assim, muitos passam pela vida sem diagnóstico ou então só quando entram para a faculdade ou diante de uma pressão maior na vida. O não diagnóstico pode ocorrer por conta de alguns fatores: os transtornos serem leves, com mais chance de passarem despercebidos; crianças com QI normal ou elevado e com forte suporte escolar e em casa...

A presença da puberdade, fase de transformações físicas, explosões de hormônios e afetos, com aumento de expectativas e pressões da vida, também é um fator que confunde o diagnóstico. Até onde um "jovem rebelde e desgovernado" estaria só atravessando uma turbulenta e normal adolescência? Assim, temos que conhecer bem os sintomas do desenvolvimento normal, pois a adolescência pode confundir até mesmo o especialista mais experiente.

O adulto jovem é cada vez mais cobrado. Dele, é exigido raciocínio abstrato, capacidade de elaboração de respostas, independência pessoal e financeira... Quando atendemos um adulto com dificuldades na escolaridade e no trabalho, é imprescindível fazermos uma triagem para os transtornos que afetam a sua cognição e funções executivas. Em sua maioria, eles estão presentes desde a infância/adolescência.

Como diagnosticar esses problemas em adultos

Por conta da disfunção executiva, fica difícil sustentar a atenção e a memória de trabalho, inibir pensamentos e comportamentos distratores, planejar e organizar atividades de rotina, ter noção da passagem do tempo, regular as emoções e as ações dirigidas a objetivos que não sejam de recompensa imediata entre outras. Eles também são mais imaturos em relação a seus pares.

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Nas consultas, afastadas as causas clínicas e outros fatores como perdas, traumas ou violência, é fundamental a triagem para transtornos como o TDAH e dislexia, que afetam a capacidade cognitiva do adulto. Uma minuciosa história da pessoa desde a sua gestação, avaliação do nível de funcionamento na infância, adolescência e vida adulta, presença de sofrimento diário, prejuízo em vários ambientes, avaliação da história de saúde parental, adaptação psicossocial e avaliação cognitiva são pontos fundamentais que nos permitirão fazer o diagnóstico do paciente e sua data de início. Por vezes precisamos chamar algum familiar para ajudar nas informações.

Muitas vezes o adulto chega ao consultório reclamando de depressão, ou ansiedade, uso de álcool/drogas, irritabilidade e insônia. Ele e todos à sua volta jamais pensaram em TDAH, dislexia ou em problemas de início na infância. Cabe ao especialista experiente conduzir a anamnese de modo adequado. Um protocolo rigoroso deve ser seguido ou então o paciente correrá o risco de ser apenas tratado para a depressão ou para o sintoma que o levou à consulta. Por isso, muitas vezes pode ser tão difícil a detecção de tais quadros, pois eles exigem consultas longas, onde temos que saber o histórico de doenças do paciente e da família, que por sua vez, também podem ter o problema e achar que os sintomas não tem a ver com um transtorno e sim com o modo de ser da família.

Sucesso do tratamento tardio

Tudo vai depender do grau de intensidade da doença e da estrutura do sistema familiar. É claro que de modo geral, todo transtorno diagnosticado precocemente terá maiores chances de melhores resultados e menos probabilidade da presença de comorbidade. Mas o tratamento em adultos na maioria dos casos também é altamente eficaz. Nesses casos, é mais comum que o paciente precise recorrer além do medicamento, a um tratamento multidisciplinar em função de sequelas psicológicas e das possíveis comorbidades.