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Medo de altura desaparece com enfrentamento direto e exercícios de repetição

Psicóloga explica por que a atleta brasileira teme as varandas, mas faz saltos de até 10 metros de altura

Só de pensar em olhar para baixo, o arrepio sobe pelas costas. O estômago embrulha, a zonzeira se instala e, se pudesse, você abraçaria o chão. Quem sofre com medo de altura passa apuros que parecem absurdos aos olhos dos outros, a exemplo da atleta brasileira Juliana Veloso. Ela treme só de pensar em chegar perto dos terraços de um prédio. O caso fica ainda mais curioso quando se pensa no esporte que ela pratica: Juliana realiza saltos ornamentais, pulando de plataformas com até 10 metros de altura. Como entender isso? A psicóloga Bianca Bortolini, especializada em terapia cognitivo-comportamental, tem a chave.

Chamamos isso de fobias específicas, ou seja, o medo está ligado a alguns lugares. No caso do salto, ela desenvolve segurança suficiente para enfrentar o medo. Provavelmente, a técnica tem muito a ver com isso , explica. A repetição de movimentos também ajuda a compreender por que a atleta consegue vencer o desafio. Sem saber, a atleta está fazendo uso de um dos procedimentos da terapia cognitivo-comportamental para dissolver esse tipo de conflito.

A Psicoterapia cognitivo-comportamental estimula o paciente a expor-se gradualmente frente à situação causadora do medo, assim a pessoa vai se desfazendo de crenças irracionais , diz Bianca. Mas isso sempre com acompanhamento profissional ou há risco de que o trauma torne-se ainda maior. Estimular alguém a conviver com o medo é completamente inadequado. A sensação ruim não só é mantida, como causa prejuízos no dia-a-dia do individuo, não há por que fazer isso, pois a terapia é breve e focada no problema , afirma a especialista.

Ninguém nasce com medo de altura. O sentimento, natural como instinto de segurança e sobrevivência, surge em reação a estímulos de ameaça. Mas, alguns episódios, podem fazer com que essas situações tornem-se impeditivas, atrapalhando atividades corriqueiras (como passear por uma varanda mais alta no caso da saltadora brasileira).

O tratamento é teórico e prático, envolvendo exercícios com enfrentamento direto do medo. Os remédios são necessários somente em casos mais extremos, quando os sintomas psicológicos surgem junto a desconfortos físicos extremos, como sudorese, palpitações, e sensações de desmaio, ou seja, casos de ansiedade acentuada. Independente disso, para o sucesso do tratamento, o paciente precisa querer melhorar, pois muito vem de seu esforço também , destaca a psicóloga.

Ela lembra que evitar lugares altos é um comportamento comum, que gera uma falsa sensação de segurança no indivíduo. A exposição assusta, mas desfaz preconceitos limitantes se for feita com supervisão de um psicólogo , afirma Bianca Bortolini. Fazer de conta que nada acontece traz muitos sofrimentos psíquicos, como ansiedade, depressão prejudica a vida pessoal, profissional e familiar na vida deste individuo .

Por isso, os pais devem sempre monitorar as condutas dos filhos. Identificando algo o quanto antes, há início do tratamento sem achar que se trata de um problema de criança e, portanto, é passageiro , diz a psicóloga.