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Ser magro não é o mesmo que ter felicidade

O mundo atual exalta a magreza mas deixa de cuidar da pessoa que existe naquele corpo

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Outro dia conversando com minha filha caçula, ela disse: - Mamãe, eu gosto dessas novas bonecas que surgiram, onde não tem só boneca magra e eu gosto muito dessas aqui que são mais...mais...(ela pensou e continuou) cheinhas.

Eu percebi sua questão e disse: - Você gosta das mais gordinhas, é isso? Tem boneca magra e agora tem boneca gorda e isso é muito bom, pois todas essas pessoas existem no mundo e são lindas.

Ela: - Não gosto de falar gorda, parece errado e não quero ofender.

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Expliquei que isso não era ofensa era só característica de uma pessoa, assim como tem gente alta e baixa, tem também gorda e magra. E que ela achava errado ou ofensivo porque nos ensinam que usar essa palavra gorda é para ofender, ouvimos muitas vezes dessa forma. E é para ofender, porque pessoas gordas são cobradas em mudar quem são como se estivessem erradas e as magras certas, mas isso é um triste erro cultural e social e que as bonecas estão vindo para mostrar isso também.

Faço um paralelo com um momento atual. Na novela Deus Salve o Rei, a personagem Glória, interpretada pela atriz Monique Alfradique, sofre de baixa auto-estima. Na trama, esse sentimento é muito ligado ao fato de ela ser gorda. Ao longo dos capítulos, ela buscará emagrecer para superar essa angústia. A auto-estima, porém, não deveria ser legitimada a partir do peso.

Convido no texto de hoje, todos vocês, a pensarem comigo na angústia de uma criança, em dizer uma palavra, porque tem medo de ser interpretada como ofensiva. Da mesma forma, uma personagem de novela nos faz acreditar que para que uma mulher tenha sua beleza e seu valor reconhecidos precisará emagrecer. Prestem atenção em como esses pensamentos nos mostram e servem muito bem para refletirmos sobre o que uma pessoa gorda sente ou vive em sua vida. Ser gordo/a é ofensivo!

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Saúde emocional

Ser uma pessoa gorda em nossa sociedade chega a ser por vezes um grande teste de saúde emocional. Isso porque ser gordo está associado a uma pessoa feia, preguiçosa, desleixada, que não se preocupa com sua saúde, alguém compulsivo, isto é, sinônimo de uma pessoa errada. Quem assiste à novela "Deus Salve o Rei" pode perceber que a personagem Glória é constantemente julgada pelos outros personagens devido à sua forma física.

Não é de hoje que essa imagem em torno de pessoas gordas acontece, essa questão já se tornou cultural e é repassada/herdada a cada geração, dando falsos direitos a algumas pessoas em julgar, apontar, palpitar e cobrar os gordos por não seguirem o tal padrão ditado pela sociedade. É muito comum pessoas gordas sentirem uma forte angústia e culpa por serem quem são.

Já expliquei outras vezes que apesar de sermos cada um, um Eu, e da necessidade de trabalhar e fortalecer esse Eu, somos todos também, ao mesmo tempo e antes de tudo, um alguém que é reflexo do meio de onde nasce, cresce e vive. As formações de nossas estruturas emocionais dependem e muito do aprendizado e estímulos que recebemos e essas mensagens podem nos determinar na vida, gerando uma pessoa confiante ou insegura, com amor próprio ou culpada por ser quem é, e inclusive nos ensinando a julgar, cobrar, apontar e ofender outras pessoas.

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Não me refiro somente ao meio concreto como família e escola, mas também o meio absorvido por ficção como filmes, festinhas e novelas como é o caso da personagem Glória de "Deus Salve o Rei".

Por falar nisso, já repararam nas imagens e nos estereótipos que os gordos possuem nas histórias? Costumam ser personagens desleixados representantes de uma ideia de feiura, que comem desmedidamente a todo momento e por qualquer motivo, seguem e servem amigos poderosos, tidos como bonitos e são solteiros. Na "melhor" das hipóteses são gordos descolados com roupas da moda e que sugerem alegria contínua, ou seja, são os gordinhos engraçadinhos e se tiverem algum sucesso na vida será porque emagreceram. Ser gordo está automaticamente relacionado nas imagens como algo que precisa ser mudado ou será sinônimo de infelicidade.

Como se formam os padrões

Essa ideia e estrutura emocional, sobre certo e errado, feio e bonito, se forma logo na primeira infância e o meio é um grande responsável por abrir ou fechar portas para lidar com essas questões. Crianças são avaliadas, julgadas e cobradas frequentemente por termos como "ai, que feio" ou "ai, que bonito". Personagens motivadores de historinhas e desenhos são magros enquanto muitas vezes os gordos são fracos ou do mal. Na adolescência, essa associação ganha grande força e impacto e já nos mostra o quanto a formação das imagens do meio e de si mesmo estão interligadas e o quanto podem ser meios saudáveis ou cruéis.

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Não estou aqui dizendo que tudo bem estar acima do peso, seja lá o que isso for pra cada um. Esta questão será sempre particular à estrutura corporal e psíquica de cada um. Também não estou sugerindo que não devemos nos preocupar com nossa saúde. Entendo e reforço aquilo que todos devem estar cansados de saber: que uma educação alimentar, prática de exercícios, cuidados com sono e etc, são fundamentais para termos uma vida melhor tanto física quanto psicologicamente falando.

Mas estou aqui para chamar seriamente a atenção para o fato preconceituoso de que a imagem de pessoas gordas está associada à falta de saúde e/ou maus hábitos de vida. E isso é um sério equívoco. Uma obesidade pode até ser uma questão de saúde, reeducação alimentar e aprendizado de novos hábitos, mas não necessariamente. Na verdade, ser gordo é um problema social. O que sempre é um sobrepeso perigoso é aquele existencial e emocional, causado por não seguirem o padrão ditado e obrigatório.

Na novela, em breve, ao que tudo indica a personagem Glória irá fazer uma dieta e emagrecerá. O emagrecimento da moça tem o intuito de fazer com que ela se sinta mais amada e bonita, alcançando assim uma maior autoestima e segurança.

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Essa questão merece imensa atenção, pois o mundo prega em alto e bom som, através de receitas mágicas para mudar sua aparência e renascer. Na grande maioria das vezes, são todas dicas para deixar de ser quem se é e para tentar ser alguém que dizem que deve ser, pois é entendido que ser você com sua aparência não é bom, que não será feliz sendo você, mas sim e somente se mudar sua aparência.

O mundo atual exalta a magreza e o tamanho do jeans que se usa, valoriza uma barriga seca ou negativa, batalha por pernas/coxas/bumbum sarados mas deixa de olhar e cuidar da pessoa que existe naquele corpo.

Angústia existencial

Prestem atenção. Esse mundo atual que vive criticando pessoas gordas é o mesmo que abre portas para anorexias e diversos outros distúrbios de alimentação e autoimagem pois confundem o sofrimento com uma falsa ideia de virtude!

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Falamos aqui de uma relevante angústia existencial, que atinge tanto pessoas gordas como pessoas magras. Isso porque o peso que realmente merece atenção e cuidado aqui, não são os quilos da balança, mas o peso de ser quem se é numa sociedade que impõe regras tão rígidas e intensas para existir, apaga brutalmente a chance de pessoas serem pessoas e as transformam em quilos, barrigas, peitos, bundas...

Falar de nossa relação com alimentos e com nossa imagem, é falar muito mais do que dietas, peso e estética. É falar de nossas estruturas emocionais afetivas. Todos aprendemos a nos relacionar com mundo desde nosso nascer e nossa relação com os olhares recebidos, palavras ouvidas, peito/leite/alimento ofertado determinam e muito nosso futuro existencial e é por isso que dieta alguma, assim como a maior e mais "bela "transformação estética darão conta da angústia que é não poder existir e ser você mesmo.

Sim, uma pessoa gorda pode ser saudável, pois saúde não depende de um tamanho, mas sim de cuidados físicos, alimentares e psicológicos.

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Sim, uma pessoa gorda é e pode ser bonito e sensual, pois beleza não é uma tabela a ser seguida, mas sim o reflexo de sua estrutura existencial com meio que vive e convive.

Sim, uma pessoa gorda pode ser amada, pois afeto não segue formato físico. Transar, namorar, casar se sentir importante para alguém é para todos, e magreza alguma garante felicidade nesse quesito.

Olhando no espelho

Sugiro aqui antes de encerrar, por hoje, que se olhem no espelho, cada um de vocês leitores e independente seu peso na balança. Olhem bem pra vocês, olhem seus rostos, cada detalhe, olhem seu corpo, cada pedaço de si, por fim olhem nos seus olhos e pensem: - Você se acha feio/a, errado/a OU acha que na verdade vão te achar feio/a, errado/a?

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Não, não é nada fácil ser alguém por si num mundo que te exclui, julga, ofende e cobra o tempo todo. A culpa é uma angústia inevitável, pois nos cobramos como se fossemos errados por sermos quem somos. Mas lembrem: Essa culpa e ideal de existência é uma fantasia gerada, ela não é verdadeira. Essa construção de beleza e felicidade em cima de uma estrutura de corpo é maléfica com os seres humanos e suas estruturas emocionais.

Ser saudável, ser feliz e ser bonito é poder ser quem se é. É entender que o próprio padrão de ser é o mais valioso de todos, pois te permite construir e viver uma vida mais verdadeira e melhor aproveitada.

Se ser você mesmo, amar a você mesmo estiver muito difícil e angustiante, busque ajuda, principalmente psicológica, para reeducar não só sua alimentação e hábitos, mas sua capacidade de se enxergar e de construir uma vida feliz e bela, além dos números de uma balança ou formato de um corpo.

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