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Capacitismo: conheça expressões preconceituosas que ainda são comuns

Algumas frases, gestos e atitudes excludentes ainda fazem parte da rotina de pessoas com deficiência

"Esta é uma história de superação!". Quantas vezes não nos deparamos com falas como essa diante de uma narrativa sobre uma pessoa com deficiência? Mais do que deveríamos. E mais do que essas pessoas gostariam.

Expressões como a citada no começo deste texto são típicas do chamado capacitismo, um comportamento preconceituoso com a pessoa com deficiência. Entenda, a seguir, como o capacitismo se mostra no dia a dia e expressões e comportamentos que devem ser evitados para que haja inclusão.

O que é capacitismo?

De acordo com a antropóloga Anahi Guedes de Mello em artigo sobre , publicado pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina, estudos sobre o tema definem capacitismo como: "a forma como pessoas com deficiência são tratadas como 'incapazes', aproximando as demandas dos movimentos de pessoas com deficiência a outras discriminações sociais, como o racismo, o sexismo e a homofobia".

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"Capacitismo é todo e qualquer preconceito demonstrado em relação a uma pessoa com deficiência devido à sua deficiência. Então, se alguém diz que uma pessoa com deficiência não pode fazer algo ou que ela não é capaz de fazer algo por si só, isso é capacitismo", define Sidney Tobias, analista de sistemas da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do município de São Paulo (Prodam). Deficiente visual, Tobias atua como Consultor de Acessibilidade Digital.

Como o capacitismo se apresenta?

Na prática, o capacitismo se mostra com atitudes que demonstram surpresa ou admiração por uma pessoa com deficiência ter realizado um feito que, implicitamente, é visto como impossível de ser executado por ela.

"Quando eu vou pagar algo com cartão de crédito, alguém me pergunta: 'você consegue digitar?' Quando alguém diz: 'apesar de ser cego, você anda muito bem'. É muito comum as pessoas me perguntarem quando eu saio de casa se eu estou indo passear, quando na verdade eu estou indo para o trabalho. Ela acha que por eu ser uma pessoa com deficiência, sou incapaz de desempenhar uma atividade laboral", indica Sidney sobre as situações e falas capacitistas que já vivenciou.

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O analista de sistema também cita a infantilização na abordagem de pessoas com deficiência. "No banco, por exemplo, eu preciso fazer a biometria e me pedem para 'dar o dedinho'. Ou me perguntam se eu estudo em alguma associação. Bom, eu não tenho mais idade ou cara de estudante. Parece que a gente tem que passar a vida em associações. Para os outros, nós seríamos incapazes de fazer coisas fora delas."

Como evitar o capacitismo do dia a dia?

Segundo Tobias, muito do capacitismo que ainda existe é fruto da falta de convívio de pessoas com deficiência com o restante da população.

"A ignorância gera preconceito, né? E o capacitismo é um preconceito. Por isso é importante uma educação para todos, com a presença de crianças com deficiência; a presença de pessoas com deficiência no ambiente do trabalho? Isso tudo possibilita convívio e, consequentemente, diminui a ignorância em relação ao grupo e ao capacitismo."

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15 frases e atitudes para excluir

Outra forma de diminuir o capacitismo do cotidiano é excluir frases e comportamentos como os citados anteriormente por Tobias. Veja alguns exemplos: