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Vença o medo de dirigir

Livro reúne casos e dicas práticas sobre a dificuldade em assumir o volante

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O movimento é simples, envolve basicamente uma rotação de punho e alguma pressão nos dedos. Mas os pés suam, as mãos pingam e a barriga gela. Os pensamentos entram em ebulição, você perde o controle de si e só tem vontade sair correndo do carro.

O medo de dirigir surge, muitas vezes, sem explicação concreta. Há muita gente, mulheres na maioria, que nunca encostou num volante e, mesmo assim, sente calafrios só de pensar em assumir o banco do motorista. "Em geral, são pessoas que querem garantias de que tudo vai dar certo antes mesmo de fazer alguma coisa", afirma a psicóloga Neuza Corassa, autora do livro Vença o medo de dirigir (Editora Gente; 176 páginas). "Por ser uma pessoa que pensa bastante e faz tudo no nível do pensamento, ela coloca obstáculos que, na prática, não seriam tão grandes como se apresentam no imaginário".

O resultado? Dirigir deixa de ser algo possível, entrando para o terreno de atividades impossíveis. Na maioria dos casos, segundo a psicóloga, as vítimas desse tipo de problema só buscam depois de tentarem resolver o sufoco sozinha. Entre as medidas mais comuns, está a compra de um carro (como se ele pudesse forçar a prática ao volante, pedir socorro aos colegas. O comportamento, inclusive, deu origem à chamada Síndrome do carro na garagem, que aflige pessoas com habilitação, mas sem coragem sequer de ligar o veículo sem a companhia do instrutor.

Uma das pioneiras nos estudos sobre o medo de dirigir, Neuza Corassa apresenta uma série de dicas e técnicas que, testadas em consultório, já ajudaram muita gente a vencer as críticas e o sofrimento por não conseguir virar a chave e sair por aí. "Depois de perderem o medo, os pacientes deslancharam também em outras áreas, como a profissional e a dos relacionamentos afetivos", afirma a especialista.

Se você pertence ao grupo que sonha em ganhar independência, indo para qualquer lugar sem depender de ninguém ou de condução, saiba que se livrar dos pensamentos sabotadores sé o primeiro passo. A seguir, conheça alguns dos principais mitos que precisam ser derrubados se você deseja, realmente, assumir a direção.

1. Não tenho intimidade com o carro: a idéia de que o carro é um desconhecido serve como desculpa para muita gente evitar o volante. Mas se você não se aproximar dele, é impossível vencer o problema. É você quem comanda, ele serve de transporte , escreve a autora de Vença o medo de dirigir.

2. Tenho dificuldade de dividir espaço: estar no trânsito implica diálogo e respeito com outros motoristas e com os pedestres. Mas a prática também exige uma boa dose de iniciativa (para fazer ultrapassagens ou mudar de faixa, por exemplo). Se você não ser seta, nenhum carro vai saber que você precisa virar à direita ou à esquerda. As normas também são as mesmas para todos: carros simples e sofisticados devem seguir os semáforos e obedecer às placas. Não há privilégios e, quando você entende isso, fica mais fácil ocupar o eu espaço sem invadir o do outro.

3. Dirigir é difícil: decorar comandos, conciliar os pés, olhar nos espelhos, ajustar os bancos... quando pensa em tudo que precisa fazer enquanto fica ao volante, você treme e não entende como tem gente que ainda consegue ouvir música e conversar ao mesmo tempo em que conduz. Seu desespero, no entanto, mascara a simplicidade dessa atividade. "Dirigir é simples porque é uma atividade composto de movimentos repetitivos: trocar as marchas, andar na faixa, recomeçar a cada parada no semáforo", afirma a psicóloga. Com a prática, todo esse circuito é automatizado e você nem pensa mais antes de agir.

4. Passei da idade e meus reflexos são mais lentos: para esta desculpa, a psicóloga é taxativa. "Não é porque você está numa faixa etária maior que terá dificuldade para dirigir. No que tange à capacidade de aprendizagem, a única diferença é a ousadia que o pessoal mais jovem apresenta".

5. Não sei nem andar de bicicleta, quem dirá dirigir: pense friamente: o que uma coisa tem a ver com a outra? Você deixa de usar o celular por que não joga videogame ou esquiva-se de andar porque não anda de patins? A desculpa é uma das mais estapafúrdias e não tem relação direta com o medo de dirigir. Há ótimos motoristas que nunca pedalaram e há quem pedale muito bem sem saber dirigir.

6. Tenho medo de que batam no meu carro: pensar o que passa pela cabeça das centenas de motoristas que cruzam seu caminho é tarefa impossível. Mas, numa olhadela rápida, você vai notar que todos são pessoas em trajeto de trabalho, levando crianças para a escola ou fazendo outras atividades do dia-a-dia, como você. Acidentes acontecem, mas não há como prevê-los ou achar que ficar em casa é a solução para se proteger deles.

7. Os congestionamentos me sufocam: perder a calma quando uma fila infinita de carros forma-se à sua frente está longe de ser uma reação estranha. Mesmo os motoristas mais experientes tema paciência esgotada. Dizer que isso é bom é mentira. Mas, como diz a psicóloga, você encara elevadores cheios e lojas superlotadas caso precise, certo? Então dê uma chance a si mesmo e veja como você lida com mais este teste.

Liquide a sabotagem
Além de mudar seu jeito de pensar, tome atitudes que vão acelerar sua intimidade com o volante

Em vez de...
Esperar aprender feito mágica, treine a direção. Como numa aula de dança e de pintura, quanto mais prática, melhor o resultado.

Sonhar em aprender do dia para a noite, valorize cada conquista. Observe sua evolução nas ruas e, até mesmo, na garagem de casa.

Querer dirigir igual aos profissionais, contente-se em circular pela cidade no seu ritmo. Aos poucos tudo vai ficando mais fácil e você descobre que não necessidade de competição.

Aguardar que alguém ofereça o carro para você treinar, peça. Assuma responsabilidade por ele e na se cobre tanto. Deixar o carro morrer ou ter dificuldade nas ladeiras é mais do que normal. Desligue, comece de novo e, se for o caso, peça ajuda.

Achar que o carro transforma você me outra pessoa, seja você mesmo. Ignore as pressões externas e vá vencendo suas dificuldades no seu ritmo, mas sem abandonar seu objetivo.