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Sinusite na gravidez: entenda os tratamentos possíveis para o problema nessa fase

Mulheres com rinite alérgica têm 33% de chance de apresentar piora na gestação

As rinossinusites podem ser virais, bacterianas, alérgicas ou mesmo causadas por fungos. É comum que mulheres na gestação apresentem uma incidência seis vezes maior de infeção viral de vias aéreas superiores e de rinossinusite bacteriana quando comparadas com a população não gestante. Isto acontece porque na gestação existe uma alteração de um tipo de imunidade chamada de ?celular?, que se encontra diminuída. Já o outro tipo de imunidade, que é a humoral, encontra-se preservada.

A incidência de rinossinusite em gestantes é de aproximadamente 1,5% de acordo com as Diretrizes Brasileiras de Rinossinute de 2008. Muitas vezes, elas acabam sendo consequências de alguns tipos de rinites.

Rinite Gestacional

Há um tipo de rinite denominada gestacional que ocorre com sintomas de obstrução nasal intensa, ressecamento nasal, rinorréia e sangramento nasal, que ocorre especialmente nas últimas seis semanas de gestação, sem causas alérgicas ou infeciosas de vias aéreas superiores, desaparecendo duas semanas após o parto. Atinge 30% a 40% das gestantes e tem associação com tabagismo. Acredita-se que as alterações hormonais (aumento do estrógeno e progesterona) e alterações sanguíneas seriam responsáveis por este mecanismo.

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Como consequência deste tipo de rinite pode haver faringite, otite, piora da asma e rinossinusite devida à obstrução nasal prolongada.

Rinite Alérgica

Outra situação que ocorre na gestação é aquela em que a paciente apresenta rinite alérgica já bem determinada com história pessoal e ou familiar de alergia, testes cutâneos ou IgE específica positivos (por exemplo para ácaros, fungos, epitélios de animais etc). Nesta situação, a rinite alérgica pode se manter um terço inalterada, um terço com melhora ou um terço com piora na gestação.

Na apresentação clínica haverá coceira nasal, espirros, coriza e obstrução nasal, podendo ser acompanhada de sintomas oculares (vermelhidão, coceira nos olhos e lacrimejamento). Nestes casos poderá haver como complicação da rinite alérgica a rinossinusite alérgica e daí para rinossinusite infeciosa viral (quadro clínico de até 10 dias, coriza clara mas nem sempre, dor ou pressão facial difusa e intensa, congestão nasal, febre) ou rinossinusite bacteriana (dor ou pressão facial em peso que piora com a inclinação da cabeça para frente, drenagem posterior com secreção amarelo esverdeada, halitose, edema periorbitário e febre).

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Tratamento de Rinossinusite na gestação

A Food and Drug Administration (FDA/USA) estabeleceu categorias de segurança (letras A, B,C D e X) para os medicamentos empregados na gestação. Essa classificação é aceita universalmente e permite a avaliação da relação risco/benefício no tratamento de qualquer medicamento utilizado na gestação.

Categoria Comentários
A Não foram demonstrados, em estudos adequados, riscos ao feto no primeiro trimestre da gravidez, nem nos demais trimestres de gestações humanas
B Estudos em animais não mostraram risco fetal; porém não existem estudos em mulheres grávidas OU Estudos em animais evidenciaram riscos, porém estudos adequados em seres humanos não mostraram riscos no primeiro trimestre e nem evidência de riscos nos demais trimestres da gestação
C Estudos em animais mostraram efeitos adversos fetais; porém não existem estudos humanos adequados; a relação risco/benefício poderá ser aceitável na gravidez OU Não há estudos em animais, nem estudos adequados em seres humanos
D Há evidências de risco fetal humano; porém o benefício potencial na grávida poderá ser aceitável
X Estudos em animais ou em seres humanos mostraram anomalias fetais OU Relatos de reações adversas indicam a evidência de risco fetal. A relação risco/benefício é desfavorável na gravidez

Fonte: Blaiss MS. Management of rhinitis and asthma in pregnancy. Syllabus of the International Conference of Immunology & Allergy, Rio de Janeiro, Brazil, 2002;1:35-43

O ideal é não utilizar fármacos no primeiro trimestre gestacional, quando o risco de anomalias fetais é maior. Cerca de 1 a 5% de anomalias fetais são provocadas por medicamentos.

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Para qualquer tipo de rinossinusite recomenda-se utilizar irrigação da mucosa nasal com solução salina isotônica (0,9%) para mobilização das secreções e hidratação da mucosa ou solução salina hipertônica (até 0,3%) que aumenta a frequência do batimento ciliar, diminui o edema da mucosa nasal e melhora o transporte mucociliar com diminuição da obstrução nasal. No mercado essas soluções fisiológicas isotônicas ou hipertônicas são disponíveis em líquido, gel, gotas ou spray. Esse tratamento não tem contraindicação para gestantes.

Se a paciente for alérgica e tiver rinossinusite, o controle ambiental rigoroso pode ajudar, evitando-se exposição aos aeroalérgenos específicos, como ácaros, pólens, fungos e baratas. É recomendável o acompanhamento da gestante com especialista alergologista, já que um terço destas pacientes piora na gestação. Em relação às rinossinusites em pacientes não alérgicas adquiridas, seja devido a imunidade alterada da gestação ou por outro mecanismo, vale motivar a gestante a evitar lugares aglomerados, acompanhar as mudanças climáticas para não pegar friagem ou chuva, evitar o tabagismo passivo, exposição a poluentes e, para todos os casos, tomar a vacina da gripe (a rinossinusite pode ser viral ou se complicar em bacteriana).

A partir do terceiro trimestre, dependendo da causa da rinossinusite, além de soluções salinas para irrigar a cavidade nasal e seios paranasais, podem ser necessários medicamentos (os medicamentos da classe A e B são os mais indicados):

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