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Qual a real relação entre alimentação da mãe e cólica do bebê?

Uma simples observação da criança e adequação do cardápio materno já dão conta de minimizar a propensão a cólicas e agitação

Por Lílian Cristina Moreira, pediatra e homeopata*

A cólica do bebê pode ter várias causas. A alimentação da mãe pode ser uma delas. Mas é necessário, antes, contextualizar essa questão.

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No nascimento, se inicia um processo de individuação do bebê que só irá se completar em torno do nono mês de vida. Isso significa que o "bebê sai da mãe", mas a mãe "não sai do bebê". As informações oriundas do organismo materno irão repercutir na criança por um longo tempo.

Este elo tão único é mantido por inúmeros laços orgânicos e emocionais, entre os quais o da amamentação. A relação afetiva que o ser humano possui com a comida tem origem nesta primeira experiência, onde alimentação e afeto estão unidos em um só ato.

Nesta época da vida, o bebê se comporta como se fosse uma entidade dual: uma parte é ele mesmo e a outra é a mãe e seu vínculo com ela reverberando em seu Ser.

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Bem sabia José Saramago ao escrever: "Não nos vemos se não saímos de nós". Para que o bebê se torne uma individualidade, o EU, ele precisa antes experienciar de forma plena o NÓS (binômio mãe-filho).

Dentre todas as relações não há nenhuma outra em que a influência mútua aconteça de forma tão intensa. Obviamente isso também perpassa pela alimentação, que está ligada ao afeto. Amamentar é ato de nutrição física e emocional. É um ato de troca e de doação da mãe para o bebê.

Alimentos que afetam o leite materno

Podemos entender o leite materno como fruto das escolhas que a mãe faz, e que obviamente irão impactar seu filho. A boa nutrição do bebê começa com as melhores escolhas da mãe para si mesma, melhorando a qualidade da composição do seu leite. Sabendo disso, a gestante e a mulher que amamenta deveria priorizar alimentos naturais, frescos e livres de agrotóxicos, evitando:

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Quanto ao álcool e o cigarro, estes nunca devem ser consumidos, pois diminuem a produção do leite e comprometem sua qualidade.

A cafeína encontrada nos chás, refrigerantes e no café também deve ser evitada por ser um estimulante, afetando o sono e agitando o bebê.

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O chocolate por conter a teobromina, estimulante da família da cafeína, também pode causar efeito semelhante, devendo ser consumido com moderação.

Outros grupos alimentares estão associados ao aumento da cólica do bebê por favorecerem a produção de gases intestinais, como:

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Outros podem causar alergia alimentar, como:

Sobre esses alimentos recomenda-se observar o comportamento do bebê nas 24 horas após a mãe ingeri-los. Só é aconselhável excluí-los da dieta materna caso seu consumo esteja fortemente associado ao aumento das cólicas ou ao surgimento de alergia no bebê.

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Em pediatria, sabemos que a cólica do lactente tem origem multifatorial e muitas vezes de difícil identificação. Excesso de ar deglutido, fome, imaturidade intestinal, ansiedade materna e stress ambiental são as causas mais comuns.

Paralelamente, sabemos que os bebês que não são amamentados ao seio apresentam mais cólicas e estão mais vulneráveis a uma série de doenças do que aqueles que recebem leite materno.

Os mitos envolvendo a amamentação e a maternidade levam muitas mães a viverem esta etapa da vida carregadas de culpa, e isso só aumenta o stress materno e as cólicas do bebê.

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No consultório, quando percebo a "culpa materna" se instalando porque comeu feijão ou exagerou na couve-flor. Procuro sempre lembrar às mães o enorme benefício que ela concede ao seu bebê toda vez que o amamenta.

É preciso viver a maternidade como uma escolha consciente e madura, com responsabilidade e seriedade, mas também com leveza, para que a dimensão instintiva do "ser mãe" possa ser expressa naturalmente.

Em resumo, excluindo-se as alergias alimentares via leite materno, uso excessivo de cafeína, bem como o uso de substâncias como álcool, cigarro e outras drogas, a alimentação da lactante até pode interferir nas cólicas do bebê, mas uma simples observação da criança e adequação do cardápio materno já dão conta de minimizar o problema, caso essa seja a principal causa da cólica no bebê.

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Por outro lado, caberia perguntar: quantas doenças estão sendo evitadas pelo aleitamento materno? Como se aferir a qualidade da nutrição afetiva oferecida a uma criança aninhada e amamentada ao seio?

As cólicas do lactente são transitórias e raramente passam dos 3 meses de vida. Já os benefícios do aleitamento materno são para a vida toda.

Por que amamentar vale a pena?

O leite materno é, por unanimidade, reconhecido como o "padrão ouro" na alimentação da criança. Uma formulação perfeita, com qualidade nutricional incomparável.

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Pesquisas também demonstraram que não há apenas "um leite materno": existem tantas variedades de leite materno quanto de mães dispostas a amamentar, pois o leite de cada mãe é único, e atende às especificidades de seu próprio bebê.

Sua composição se modifica conforme as necessidades da criança em um processo de retroalimentação entre mãe e filho. É uma fórmula em aberto, estando submetida às condições nutricionais da mãe, seu estilo de vida, ambiente onde vive, etc.

Não há uma fórmula para a maternidade, apenas diretrizes, que sugerem que tudo aquilo que temos de melhor deveria se reunir para formar essa nova identidade, agora responsável por outro ser.

Ser mãe não é algo dado de antemão, mas algo a ser cultivado, procurado em nós mesmas. A mãe que somos ou seremos é como uma "Ilha Desconhecida" à espera de ser revelada. Na cartografia da maternidade, cabe citar Saramago: "A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, a procura de si mesma".

*Lílian Cristina Moreira é graduada em Medicina em 1989, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, FCM UERJ, com Residência Médica em Pediatria 1990-1992 pelo HGJ - Hospital Geral de Jacarepaguá /INAMPS, Pós-graduação em Homeopatia pelo Instituto Hahnemanniano do Brasil - IHB- 1992- 1995, recebendo título de especialista pela instituição, Título de especialista em pediatria em 1995 - TEP - recebido após aprovação na respectiva prova ministrada pela SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria e Aprovada no curso PALS- Pediatric Advanced Life Support- 2012- da Academia Americana de Pediatria - AAP- ministrado pela SBP em conjunto com a SOPERJ.