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Grávida pode tratar depressão?

Especialistas esclarecem como tratar a condição na gravidez e falam sobre os impactos que vão além da gestação

A gravidez é um período marcado por diversas mudanças para a mulher, tanto físicas quanto - e especialmente - emocionais.

A mulher passa por um turbilhão de sensações e sentimentos durante o período gestacional. Isso ocorre desde idealizações sobre a maternidade, o medo de ser mãe pela primeira vez (ou novamente), até as mudanças e picos de humor - que podem acontecer devido às variações hormonais comuns da gestação.

A depressão - ou transtorno depressivo - é uma das doenças psiquiátricas que mais atingem as mulheres. Caracterizada por variações de humor, tristeza profunda e ansiedade, o quadro pode se tornar ainda mais delicado quando a doença surge durante a gravidez, o que pode resultar no desinteresse pela gestação e gerar consequências mais graves, tanto para a gestante quanto para o bebê.

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Frente ao diagnóstico de qualquer doença na gravidez, inclusive transtornos mentais, é importante um tratamento preciso e adequado. Porém, ainda há muito receio sobre como tratar a depressão, e se é seguro o uso de medicamentos para o bebê.

Para isso, conversamos com especialistas na área para entender melhor como a depressão afeta a gestação e qual a melhor forma de tratá-la durante a gravidez.

Grávida pode tratar depressão durante a gravidez?

Não só pode, como deve. De modo geral, não tratar a depressão durante a gestação pode ser muito mais perigoso para o bebê e trazer ainda mais sofrimento para a gestante.

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De acordo com Denise Gobo, psiquiatra da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, existem guias que orientam quais medicações são mais seguras para se usar no tratamento da depressão durante a gravidez, estabelecendo quais medicamentos são liberados para esse momento.

Já no caso da gestante que já tinha o diagnóstico de depressão antes da gravidez e que já fazia tratamento medicamentoso, é necessário uma nova avaliação médica a fim de analisar o medicamento e pesar o risco e benefício.

"Se o remédio que ela toma estiver dentro das medicações seguras, ele não vai precisar ser trocado e a gente pode manter o paciente com essa mesma medicação durante toda a gestação", explica a psiquiatra.

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Agora, caso a medicação esteja dentro da lista de contraindicados na gravidez - como por exemplo alguns antipsicóticos e anticonvulsivantes -, será avaliada a interrupção e troca do medicamento, mas não do tratamento em si.

Denise diz ainda que essa troca pode ser feita junto com outras terapias não medicamentosas que podem ajudar muito na melhora do quadro depressivo da gestante.

Riscos de medicamentos

Segundo Isis Marafanti, psiquiatra da DaVita Serviços Médicos, o uso do medicamento para tratamento da depressão durante a gestação pode envolver risco de toxicidade fetal, malformações físicas, prejuízo de crescimento, consequências comportamentais e toxicidade neonatal.

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Todavia, todos estes riscos podem ser minimizados na escolha de um antidepressivo mais seguro, ou seja, que já tenha mais estudos que demonstraram sua segurança.

Entretanto, apesar dos riscos, a psiquiatra explica: "O transtorno mental ativo poderá trazer muito mais danos ao feto, devido ao efeito do estresse sob o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Especialmente pelo aumento de corticoides, pode ser extremamente prejudicial ao feto".

Por isso, a gestante que não trata da depressão pode trazer consequências graves tanto para ela quanto para o bebê.

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Tratamentos para depressão durante a gestação

Segundo Isis Marafanti, o tratamento medicamentoso é uma das formas possíveis de tratar a depressão, porém não é a única opção. Por isto deve-se ponderar quando ele é necessário, avaliando-se cada caso de maneira individual.

A psiquiatra Denise Gobo aponta a psicoterapia e a atividade física como formas de tratamento para quadros depressivos leves para as gestantes.

"Outras técnicas que funcionam muito bem já em quadros depressivos moderados a grave, além da psicoterapia e da atividade física, são as técnicas de mindfulness, relaxamentos, massagens, acupunturas, terapia ocupacional, arteterapia e etc", explica ela, enfatizando que, quanto mais estimulada a gestante for, mais fortalecida ela ficará.

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"A psicoterapia ajudará a gestante a compreender e lidar com os sentimentos e conflitos que surgiram nesse momento para que vivencie a gestação de maneira mais equilibrada e possa gradativamente a construir um vínculo afetivo com seu bebê", elucida Helena Montagnini, psicóloga do Grupo Huntington.

Depressão e gravidez: impactos que vão além da gestação

Os impactos da depressão no período gestacional vão muito além da questão gestacional, conforme esclarece Helena Montagnini.

Ela explica que a gestação é um período de transição e reestruturação na vida da mulher, onde ocorrem várias mudanças físicas, hormonais e emocionais. Para além da gestação, vem a questão da maternidade e suas idealizações.

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A vivência de sentimentos ambivalentes e os picos emocionais, que a mulher já sofre normalmente na gestação, são acentuados na depressão.

"A mulher pode se sentir culpada, pois sua vivência é muito diferente do que imaginava que seria ou do que "deveria ser", o que pode dificultar a procura de ajuda psicológica", diz Helena.

Para a psicóloga, entrar em contato com esses sentimentos e pensamentos é de extrema importância para a gestante compreendê-los e elaborá-los.

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Além das alterações que a depressão traz para o desenvolvimento do feto e ao organismo da gestante - desde o sono, padrão alimentar e mudanças de hábitos -, a mulher com o diagnóstico de depressão ainda tem o risco do quadro se estender até o período do nascimento do bebê, dificultando a criação do vínculo com o filho e nos cuidados fundamentais com ele.

A depressão pode ocorrer tanto em mulheres que engravidaram sem um planejamento como com aquelas que planejaram e investiram muito na gravidez, realizando tratamentos.

Helena ainda aponta para casos de mulheres que se deparam com a infertilidade e canalizam todos os esforços para engravidar. Quando a gravidez se concretiza, surgem sentimentos de tristeza totalmente inesperados, pois a gravidez era muito desejada.

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"Há de se enfatizar também a importância do apoio social e familiar para a mulher que se encontra em um momento de grande vulnerabilidade emocional", finaliza a psicóloga.

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