Apojadura: o que é e quando ocorre

O processo, que caracteriza o início da amamentação, pode causar desconfortos se não acompanhado adequadamente

A apojadura, também conhecida como "descida do leite", é a preparação da mama para a produção de leite materno. Normalmente, ela ocorre entre três e cinco dias após o parto. É comum, durante esse período, que as mamas fiquem maiores e mais cheias, e que haja o aumento da temperatura na pele.

O fluxo de leite nas primeiras 48 ou 72 horas após o nascimento do bebê tende a ser pequeno, descendo em forma de gotas. Isso ocorre em razão da sucção do recém-nascido não ser tão efetiva ainda. Apesar de pouca, a quantidade já é o suficiente para satisfazê-lo.

Apojadura tardia

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Embora a descida do leite, geralmente, ocorra até cinco dias após o parto, pode acontecer da apojadura ser tardia. Segundo Adriana de Góes, ginecologista e especialista em reprodução humana, diversos fatores ligados à mãe e ao bebê, ou até às circunstâncias do parto, podem interferir na excreção hormonal e na produção de leite materno, como:

A questão emocional, conforme ressalta a especialista, também é um fator que influencia na descida do leite. Pesquisas recentes já indicam que quadros de ansiedade materna podem atrapalhar e até impedir o desenrolar da amamentação.

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Sintomas da apojadura

De acordo com a médica Adriana de Góes, alguns sintomas da apojadura podem se confundir com uma virose, como mal-estar e febre. Porém, é importante estar atenta aos sinais que indicam a descida do leite, de forma a realizar os cuidados necessários durante a amamentação. São eles:

Relação do colostro com a apojadura

O colostro é o primeiro leite produzido pela mãe no início da amamentação, antes da apojadura, e desempenha um papel fundamental na proteção do recém-nascido. Isso porque ele é altamente concentrado em anticorpos, proteínas e nutrientes - tudo o que o bebê precisa nos primeiros dias de vida fora do útero.

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Possuindo baixo teor de gordura, ele é fácil de digerir e contribui para o desenvolvimento do sistema imunológico da criança. Em comparação ao leite maduro, o colostro é mais amarelado e espesso, de forma que sua composição atende às necessidades específicas do recém-nascido.

Passados os primeiros dias após o parto, o colostro dá lugar ao leite de transição - que surge exatamente graças à apojadura. É nessa fase que a mulher sente as mudanças nas mamas. Consequentemente, acontece também um aumento na quantidade de leite, visto que o organismo entende que, conforme a criança precisa se alimentar cada vez mais, mais leite deverá ser produzido.

Leia também: Colostro: como o primeiro leite da mãe beneficia o bebê

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Como fazer o leite descer mais rápido?

Oferecer o seio ao bebê na primeira hora seguinte ao nascimento é essencial para estimular o início da amamentação, além de ajudar nas contrações do útero, diminuindo o risco de hemorragia pós-parto. Segundo a ginecologista e obstetra Giovanna Noznica, esse momento é chamado de golden hour - ou "hora de ouro" - e não só contribui para a saúde do bebê, mas também ajuda naturalmente a mulher a ter leite mais rapidamente.

Para a mãe, oferecer a pele e o seio ao bebê logo após o nascimento faz desencadear no seu organismo um amplo processo fisiológico que inclui a liberação dos hormônios endorfina, ocitocina e prolactina. A ocitocina promove a contração uterina e o aumento de atividade das glândulas mamárias. Diretamente associada ao vínculo afetivo mãe-bebê, ela contribui ainda para a expulsão fisiológica da placenta e para o controle do sangramento uterino.

Já a endorfina promove a sensação de bem-estar e maior tolerância às contrações uterinas. Por fim, a prolactina estimula a produção e a liberação inicial do colostro. Esse processo, depois, dá espaço ao leite de transição e ao leite maduro. Portanto, a melhor maneira de fazer o leite "descer" mais rápido é através da própria amamentação.

Como fazer o leite descer depois do parto normal e da cesária?

Tanto no parto normal quanto na cesária, a recomendação é a mesma: amamentar o recém-nascido na primeira hora pós-parto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ação pode reduzir em 22% a mortalidade neonatal. Ademais, o bebê alimentado na primeira hora de vida já começa a se acostumar com a sucção, o que pode ajudar no volume de leite materno produzido.

Segundo a médica Giovanna Noznica, insistir na amamentação e realizá-la sob o regime de livre demanda ajuda a fazer com que a apojadura aconteça mais rapidamente. Ou seja, o bebê deve mamar sempre que quiser.

O início da amamentação é um período em que a mãe pode ter dificuldades de colocar o bebê para mamar, de modo que a ajuda de um(a) profissional se mostra essencial para identificar os sinais de fome da criança. Caso ela demonstre interesse em mamar, é importante encontrar um ambiente agradável e acolhedor, adotando uma posição adequada e que facilite a pega do bebê.

Cuidados necessários na amamentação

Em geral, nas horas que antecedem a apojadura, os seios ficam mais duros e rígidos, de forma que a mãe pode encontrar dificuldades em amamentar. Pode ainda ocorrer o ingurgitamento da mama, caracterizado pelo acúmulo de leite, causando dor e aumento do volume.

Embora esse problema possa ocorrer em qualquer fase da amamentação, ele é mais comum durante os primeiros dias após o parto, como consequência da técnica incorreta de amamentação ou sucção ineficaz do recém nascido, principalmente um prematuro.

Após a descida do leite, a ginecologista Adriana de Góes recomenda que a mulher dedique alguns cuidados especiais às mamas, especialmente aos mamilos. Apalpá-las, observar se há uma área mais túrgida e massagear o local delicadamente é necessário para evitar processos inflamatórios e infecciosos, como a mastite.

A ordenha do leite, ademais, também é recomendada, independentemente se o parto foi normal ou cesárea. Essa retirada do leite pode ser realizada de forma manual ou com o auxílio de uma bombinha de sucção.

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