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Pare de desconfiar do seu médico após a consulta

Pesquisa mapeia as principais situações em que a conduta clínica desagrada os pacientes

Qual o principal indicador de que sua consulta médica foi boa: a duração? A disponibilidade do profissional? Para muitas pessoas, a consulta médica só pode ser considerada um sucesso quando o médico solicita diversos exames e prescreve medicamentos. "Do contrário, muitos pacientes já saem da clínica com o telefone nas mãos para agendar outra consulta ou até tomam medicamentos por conta própria", afirma o clínico-geral Alfredo Salim Helito, do Hospital Sírio-Libanês. Excluindo-se casos em que o especialista não é, de fato, qualificado, o resultado disso é o aumento dos custos com a saúde e perda de tempo.

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A partir deste cenário, o National Physicians Alliance, nos Estados Unidos, conduziu um estudo com o objetivo de identificar procedimentos clínicos dispensáveis, tornando essas informações públicas para médicos e pacientes. As recomendações listadas foram testadas por 255 médicos e os resultados, publicados no Archives of Internal Medicine.

No Dia do Médico, especialistas brasileiros comentam os principais tópicos analisados pelos pesquisadores e explicam o que está por trás das conclusões. Use a lista na sua próxima consulta e evite desconfianças fora de hora.

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Recomendação 1: Dispensar antibióticos para dor de garganta ou sinusite leve e moderada

Criança com dor de garganta - Foto Getty Images
Criança com dor de garganta - Foto Getty Images

"Antibióticos são medicamentos que têm poder de ação contra bactérias e a maioria das dores de garganta e sinusites são desencadeada por agentes virais, o que torna seu uso desnecessário", afirma o pediatra Sulim Abramovici, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. De acordo com o especialista, um bom exame clínico e o acompanhamento do paciente já dão indícios do tipo de infecção ao qual o paciente está exposto. O mau uso de antibióticos faz com que aconteça uma seleção natural de bactérias mais fortes no organismo, favorecendo infecções mais graves.

Recomendação 2: Não pedir exames radiografias para reafirmar o diagnóstico

Radiografia - Foto Getty Images
Radiografia - Foto Getty Images

Embora a prevenção seja sempre a melhor saída, o slogan também tem suas exceções. Uma delas é em relação a exames do tipo radiológico. "Se o paciente não apresenta fatores de risco que indiquem a possibilidade de problemas, ele poderá ser exposto à radiação do exame gratuitamente", afirma o clínico-geral André Negrão, do Hospital e Maternidade São Luiz. O procedimento é bastante comum em casos de lesões na cabeça de crianças e dores nas costas. Entretanto, cabe ao médico avaliar se houve queda, durante quanto tempo o paciente tem apresentado aquele sintoma, entre outras características, para determinar se o risco do exame é fundamental para o diagnóstico ou se apenas faz parte da chamada "medicina defensiva".

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Recomendação 3: Sair da consulta sem prescrição e medicamentos

Mulher segurando cartelas de remédio - Foto Getty Images
Mulher segurando cartelas de remédio - Foto Getty Images

Muitos problemas de saúde podem ser contornados somente com repouso, alimentação saudável e a ação do sistema imunológico. Mas muitos pacientes não se conformam em sair de uma consulta sem receita para comprar medicação. Resultado: vão direto á farmácia em busca de fórmulas que podem ser adquiridas sem controle. De acordo com o clínico-geral Alfredo, medicamentos para gripe e tosse, por exemplo, vendidos sem a exigência de receita médica não são eficazes. Isso porque a maioria dos problemas que envolvem as vias respiratórias é limitada, dispensando o uso dessas drogas que costumam ser sedativos, anti-inflamatórios ou vasoconstritores. Há ainda o perigo de efeitos colaterais. Por isso, siga as instruções passadas pelo profissional.

Recomendação 4: Isentar pacientes cardíacos de baixo risco da realização de eletrocardiograma

Homem fazendo eletrocardiograma - Foto Getty Images
Homem fazendo eletrocardiograma - Foto Getty Images

"O eletrocardiograma é uma fotografia e não um filme, ou seja, mostra a atividade elétrica do coração no momento do exame", explica o clínico-geral André. Assim, a chance deste exame apontar algum problema em um paciente sem histórico familiar e que passou alguns minutos sentado na sala de espera e que está, portanto, relaxado é mínima. O quadro muda apenas quando o paciente apresenta fatores de risco ou vai ao médico com dor no peito.

Recomendação 5: Livrar jovens até 21 anos ou mulheres que fizeram histerectomia do papanicolau

Jovem no ginecologista - Foto Getty Images
Jovem no ginecologista - Foto Getty Images

O papanicolau é um exame ginecológico realizado para prevenir o câncer de colo do útero. A medicina baseada em evidências mostra, entretanto, que o risco de uma jovem ter câncer de colo de útero é extremamente baixa. "A não ser que ela tenha histórico familiar da doença ou uma vida sexual bastante ativa e com diferentes parceiros, portanto, o exame acaba sendo dispensável", afirma o clínico-geral Alfredo. O papanicolau também não precisa ser solicitado para mulheres que passaram pela cirurgia de histerectomia ou retirada do útero por motivos óbvios, mas muitas vezes entra na lista de exames solicitados pelo médico.

Recomendação 6: tratar uma infecção de ouvido infantil em estágio inicial

Criança com infecção de ouvido - Foto Getty Images
Criança com infecção de ouvido - Foto Getty Images

"Infecções de ouvido com secreção são extremamente comuns em crianças e costumam se resolver sozinhas", afirma Sulim. O ideal é acompanhar o caso criteriosamente antes de indicar antibióticos ou intervenções cirúrgicas, que incluem a colocação de um tubo de drenagem.

Recomendação 7: Controlar pedidos de exame de urina em adultos saudáveis sem sintomas

Exame de urina - Foto Getty Images
Exame de urina - Foto Getty Images

Segundo o clínico-médico André, um dos problemas que tem apresentado cada vez mais resistência aos tratamentos disponíveis é a infecção urinária. "Isso porque, muitas vezes, exames de urina de adultos saudáveis e sem sintomas acusam a presença de uma bactéria típica da flora intestinal e conhecida por gerar infecções", explica. Isso não indica, necessariamente, um problema. É comum a bactéria estar presente na urina sem, com isso, estar agredindo nosso organismo. Mesmo assim, muitos profissionais acabam receitando antibióticos, fazendo com que haja seleção de bactérias mais fortes.

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Recomendação 8: Receitar bombinhas de asma com corticoesteroides

Criança com asma - Foto Getty Images
Criança com asma - Foto Getty Images

Apesar do medo da população em relação às bombinhas de asma, elas são fundamentais para prevenir crises da doença. "A correta prescrição e o uso da terapia inalatória reduz e muito as visitas aos serviços de prontos-socorros", explica Sulim. Casos recorrentes de asma pedem o uso de bombinhas para controlar a crise.