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Colonoscopia pode reduzir risco de câncer de cólon avançado em 70%

Exame feito até 10 anos antes da manifestação da doença pode impedir desenvolvimento do cancro

Um novo estudo descobriu que grupos de risco para câncer de cólon - que começa no intestino grosso (cólon) ou no reto (extremidade do cólon) - podem reduzir as chances de aparecimento da doença em fase avançada fazendo o exame de colonoscopia. O trabalho foi liderado por um pesquisador do departamento de medicina familiar na Universidade da Pensilvânia (EUA). Os resultados foram publicados dia 5 de março no periódico Annals of Internal Medicine.

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De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de cólon e reto é o quarto mais incidente no Brasil, ficando atrás do câncer da pele não melanoma, tumores de próstata e tumores na mama feminina. Estima-se que sejam identificados 30 mil novos casos esse ano, sendo 14 mil entre os homens e 16 mil para o sexo feminino.

A colonoscopia examina o interior do intestino grosso por meio da introdução de um tubo flexível com uma câmera na ponta por dentro do órgão. O teste permite ao médico identificar pólipo colorretal, que pode evoluir para um cancro. Outro exame feito para detectar esse tipo de câncer é sigmoidoscopia, um procedimento menos invasivo, que permite ao médico olhar apenas para a parte do intestino grosso mais próxima do reto.

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Os autores revisaram os registros de mais de 1.000 pacientes com idades entre 55 e 85 anos que apresentam médio risco para câncer de cólon. Foram identificadas 474 pessoas com fase final do câncer, que tiveram seu histórico médico analisado a fim de identificar se elas haviam feito uma colonoscopia ou sigmoidoscopia nos últimos 10 anos. Em seguida, eles compararam essas pessoas com os 538 pacientes do grupo de controle, para identificar uma associação entre a realização dos exames e o risco de desenvolver câncer.

Após a análise, os cientistas concluíram que o exame de colonoscopia feito precocemente - até dez anos antes da manifestação da doença - em grupos de risco reduzia em 70% a chance de câncer de cólon avançado. Isso se dava porque o procedimento precoce conseguia identificar os tumores em fase pré-cancerosa, permitindo o tratamento antes que se agravasse. Já a sigmoidoscopia foi associada a uma redução de cânceres no intestino grosso, mas não diretamente no cólon.

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Os estudiosos afirmam que a colonoscopia é realmente eficaz para a detecção precoce de câncer de cólon, mas que se trata de um exame muito invasivo e não há a necessidade de fazê-lo com frequência. Os pesquisadores recomendam três procedimentos para grupos de risco: um de teste de sangue oculto nas fezes a cada ano, uma sigmoidoscopia a cada cinco anos e uma colonoscopia a cada 10 anos.

Diminua o risco de câncer com mudanças na alimentação

Entre os principais fatores de risco para o câncer de cólon, estão: idade avançada, histórico de câncer em outras partes do corpo ou doença inflamatória intestinal e dieta inadequada. O nutricionista Fábio Gomes, do INCA, explica que muitos alimentos possuem fatores mutagênicos, ou seja, lesam as células humanas e alteram o material genético que existe dentro dela. "Esse processo leva a uma multiplicação celular muito maior do que o normal e, em consequência, pode aparecer um tumor", afirma o profissional. Muitos desses alimentos não apresentam qualquer benefício à saúde e podem ser facilmente riscados do cardápio. Veja quais são a seguir e modere no consumo.

Carnes processadas

Salsicha - foto: Getty Images
Salsicha - foto: Getty Images

Linguiça, salsicha, bacon e até o peito de peru contêm quantidades consideráveis de nitritos e nitratos. Essas substâncias, em contato com o estômago, viram nitrosaminas, substâncias consideradas mutagênicas, capazes de promover mutação do material genético.

"A multiplicação celular passa a ser desordenada devido ao dano causado ao material genético da célula. Esse processo leva à formação de tumores, principalmente do trato gastrointestinal", explica Fábio Gomes.

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A recomendação do especialista é evitar esses alimentos, que não contribuem em nada com a saúde.

Alimentos gordurosos

Carne gordurosa - foto: Getty Images
Carne gordurosa - foto: Getty Images

Fábio Gomes explica que não é exatamente a gordura a principal responsável pelo aparecimento de câncer, e sim a quantidade de calorias que ela agrega ao alimento. A comida muito gordurosa é densamente calórica, ou seja, tem mais que 225 calorias a cada 100 gramas do alimento. "Por esses alimentos geralmente serem pobres em nutrientes, é preciso ingeri-los em grandes quantidades para obter saciedade, o que leva ao superconsumo", conta o nutricionista do INCA.

Em excesso, esses alimentos provocam obesidade, que é fator de risco para câncer de pâncreas, vesícula biliar, esôfago, mama e rins. A célula de gordura libera substâncias inflamatórias, principalmente hormônios que levam a alterações no DNA e na reprodução celular, como o estrogênio, a insulina e um chamado de fator de crescimento tumoral.

Churrasco

Churrasco - foto: Getty Images
Churrasco - foto: Getty Images

Na fumaça do carvão há dois componentes cancerígenos: o alcatrão e o hidrocarboneto policíclico aromático. "Ambos estão presentes na fumaça e impregnam o alimento que é preparado na churrasqueira", explica Fábio Gomes. "Eles também possuem fatores mutagênicos que levam ao aparecimento de tumores."

Preparo com altas temperaturas

Hamburguer na chapa - foto: Getty Images
Hamburguer na chapa - foto: Getty Images

Alimentos fritos ou grelhados também incorporam algumas substâncias cancerígenas. Ao colocar o alimento cru em óleo ou chapa muito quentes (com temperatura aproximada de 300 a 400°C), são formadas aminas heterocíclicas - substâncias que contêm fatores mutagênicos e estimulam a formação de tumores.

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O nutricionista Fábio recomenda preparar as carnes ensopadas - modo de cozimento em que não há nenhuma formação de aminas-, ou ainda prepará-las no forno. Dessa maneira, a temperatura do alimento aumenta gradualmente e não chega a níveis tão altos.

Alimentos ricos em sal

Alimentos ricos em sal - foto: Getty Images
Alimentos ricos em sal - foto: Getty Images

"Se ingerido em quantidade maior do que cinco gramas por dia, o sal pode lesar as células que estão na parede do estômago", explica o nutricionista Vinicius Trevisani, do Instituto do Câncer de São Paulo. Essa agressão gera alterações celulares que podem levar ao aparecimento de tumores.

Procure evitar alimentos ricos em sal ou mesmo aqueles que usam sal para aumentar o tempo de conservação, como os congelados e os comprados prontos que só precisam ser aquecidos.

Entram nessa lista: carne seca, bacalhau, refrigerantes, pizzas congeladas, iscas de frango empanadas congeladas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, entre outros.

Refrigerantes

Refrigerante - foto: Getty Images
Refrigerante - foto: Getty Images

A bebida gaseificada, além de conter muito sal em forma de sódio, possui adoçantes associados ao aparecimento de câncer. O ciclamato de sódio, por exemplo, é proibido nos Estados Unidos, mas ainda é utilizado no Brasil, principalmente em refrigerantes "zero". "Essa substância aumenta o risco de aparecimento de câncer no trato urinário", conta Fábio Gomes.

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Quanto aos adoçantes que podem ser adicionados à comida ou à bebida, o nutricionista diz que ainda não há comprovação científica. "O ideal é que o adoçante seja usado de forma equilibrada, pois é um produto destinado a pessoas com diabetes e não deve ser consumido em excesso pela população em geral", aponta.

Dieta pobre em fibras

Junkie food - foto: Getty Images
Junkie food - foto: Getty Images

O nutricionista Vinicius Trevisani explica que o intestino se beneficia muito pelo consumo adequado de fibras. Elas garantem um bom trânsito intestinal, de modo a eliminar os ácidos biliares secundários, um produto da digestão presente no intestino. Isso evita a agressão às células do intestino e a multiplicação celular descontrolada.

Alimentos com agrotóxicos

Maçã podre - foto: Getty Images
Maçã podre - foto: Getty Images

Não existe uma forma eficiente de limpar frutas, verduras e legumes dos agrotóxicos. "Muitas vezes, esses conservantes são aplicados nas sementes e passam a fazer parte da composição do alimento", aponta Fábio Gomes. Ele explica que o agrotóxico provoca vários problemas de saúde em quem tem contato direto com esses alimentos, mas ainda está em estudo a sua real contribuição com o aparecimento do câncer.

Como ainda existem dúvidas sobre esses efeitos, o nutricionista orienta evitar opções ricas em agrotóxicos. É melhor consumir alimentos cultivados sem o produto químico, que comprovadamente têm mais vitaminas, minerais e compostos quimiopreventivos. "Estes compostos atuam na proteção e reparação celular frente a uma lesão que pode gerar câncer", afirma.