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Uso prolongado de pílula anticoncepcional pode elevar risco de glaucoma

Baixos níveis de estrogênio estão ligados com aparecimento da doença, diz estudo

Mulheres que usam pílula anticoncepcional por três anos ou mais têm o dobro de risco de desenvolver um glaucoma mais tarde na vida, de acordo com uma nova pesquisa conduzida por cientistas da University of California (EUA), da Duke University School of Medicine (EUA) e da Third Affiliated Hospital of Nanchang University (China). O glaucoma é uma doença que danifica o nervo óptico do olho e é a principal causa de cegueira irreversível no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

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Esse é o primeiro projeto a sugerir um aumento do risco de glaucoma em mulheres que usaram contraceptivos orais por três ou mais anos, e a descoberta foi apresentada dia 18 de Novembro na 117ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia, em Nova Orleans.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 3.400 mulheres com 40 anos ou mais de várias regiões dos Estados Unidos. Elas responderam a questionários sobre a sua saúde reprodutiva e fizeram exames oftalmológicos. Analisando os dados, os autores concluíram que as mulheres que tomam pílula anticoncepcional por mais de três anos são duas vezes mais propensas a sofrer de glaucoma.

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Estudos anteriores mostram que baixos níveis de estrogênio após a menopausa contribuem para o desenvolvimento do glaucoma nas mulheres. Os cientistas não sabem exatamente por que isso acontece. Mas os anos de uso de pílulas anticoncepcionais, que também podem reduzir os níveis de estrogênio, provavelmente aumentam as chances da doença pelo mesmo mecanismo.

Os cientistas firmam que o próximo passo é examinar os olhos dessas mulheres com cuidado e investigar exatamente o que está acontecendo com a visão de uma mulher quando ela está tomando pílulas anticoncepcionais.

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Pílula anticoncepcional: quando ela é um problema para a saúde?

"A pílula anticoncepcional é o medicamento mais estudado no mundo", afirma o ginecologista Hugo Miyahira, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Isso porque ela é usada por milhões de mulheres anos a fio e afeta todos os órgãos com receptores hormonais. Seu uso previne não só a gravidez como ainda garante um ciclo menstrual regular. A evolução do método atingiu seu ponto mais alto com a combinação de dois hormônios, o estrógeno e o progestágeno (a pílula combinada), em níveis baixíssimos e mais eficazes do que nunca, mas, como todo medicamento, ela possui efeitos colaterais. Por isso, hábitos de vida, condições de saúde e histórico familiar de doenças são determinantes na adoção ou não da pílula. Em caso negativo, outros métodos podem ser usados sem riscos à saúde feminina. Confira abaixo quando a pílula combinada é contraindicada:

Tabagismo

Mulher fumando - Foto Getty Images
Mulher fumando - Foto Getty Images

"A associação da pílula com o cigarro, especialmente por mulheres acima dos 35 anos, eleva - e muito - o risco de doenças cardiovasculares", explica o ginecologista Hugo Miyahira. Diversos estudos mostram que as substâncias do cigarro afetam diversas funções do sistema vascular arterial, mesmo quando a fumaça já não está mais no ar. Isso porque essas substâncias continuam circulando no corpo, favorecendo o acúmulo de placas de gordura e colesterol nas artérias, problema conhecido como aterosclerose. Some isso ao fato de que a pílula combinada favorece a coagulação do sangue e o resultado pode ser desastroso, levando a um AVC, infarto ou trombose.

Hipertensão

Mulher medindo a pressão em consulta médica - Foto Getty Images
Mulher medindo a pressão em consulta médica - Foto Getty Images

A hipertensão costuma apresentar sintomas apenas em estágio muito avançado e, por isso, é fundamental medir a pressão arterial da mulher antes de recomendar o uso de uma pílula anticoncepcional. Segundo o ginecologista e obstetra Pedro Awada, do Hospital e Maternidade Brasil, mulheres hipertensas já apresentam risco elevado de doenças cardiovasculares. Isso porque o coração fica hipertrofiado devido ao grande esforço para bombear o sangue nas artérias e, com o tempo, as artérias perdem a elasticidade, favorecendo o entupimento e rompimento das mesmas. Junto com a pílula, a probabilidade de sofrer um AVC ou outros problemas ligados aos vasos sanguíneos, como a trombose, é muito maior.

Trombose

Coágulo causando trombose - Foto Getty Images
Coágulo causando trombose - Foto Getty Images

A trombose é decorrente de três fatores principais: lesões nos vasos sanguíneos, propensão a formar coágulos e diminuição da velocidade da circulação. "Como a pílula favorece a formação de coágulos, seu uso é proibido para mulheres que já sofreram o problema ou apresentam histórico de trombose na família", explica a ginecologista e obstetra Bárbara Murayama, diretora da clínica Gergin, em São Paulo. O trombo geralmente se forma em uma veia localizada nas pernas, mas ele pode se desprender e subir para os pulmões, causando embolia pulmonar, colocando a vida da mulher em risco.

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Lúpus

Lúpus - Foto Getty Images
Lúpus - Foto Getty Images

"O lúpus é uma doença autoimune extremamente complexa que afeta, inclusive, os vasos sanguíneos", afirma o ginecologista Hugo. Além disso, a doença também pode estar relacionada a anticorpos que favorecem a coagulação sanguínea e, portanto, a formação de trombos. A associação com a pílula combinada eleva o risco de AVC, infarto e trombose, sendo, assim, contraindicada para os pacientes de Lúpus.

Obesidade

Mulher com obesidade - Foto Getty Images
Mulher com obesidade - Foto Getty Images

A mulher com obesidade tem um risco maior de sofrer eventos cardíacos e, em geral, ainda é vítima de problemas como colesterol alto e hipertensão, aponta o ginecologista Hugo. Segundo o especialista, o tecido adiposo em excesso produz mais de 15 substâncias que interferem no funcionamento do organismo como um todo, inclusive nos níveis hormonais. Assim, o caso precisa ser bem avaliado para determinar o custo benefício do uso desse método anticoncepcional. Em alguns casos, apenas a exclusão do estrogênio, que exerce maior influência na coagulação, pode ser eficaz.

Doenças hepáticas

Fígado - Foto Getty Images
Fígado - Foto Getty Images

"Todo medicamento utilizado via oral é metabolizado no fígado", explica a ginecologista Bárbara. Por isso, se a pessoa apresenta lesões hepáticas, como hepatite e cirrose, o uso da pílula pode ser contraindicado por sobrecarregar o órgão. Além disso, mesmo com o uso do contraceptivo é possível que aconteçam irregularidades menstruais. "O hormônio não metabolizado não inibe a produção de hormônios pelo ovário, o que não diminui a efetividade do medicamento, mas pode desregular os níveis hormonais do corpo", complementa o ginecologista Hugo.

Tumores hormônio-dependentes

Câncer de mama - Foto Getty Images
Câncer de mama - Foto Getty Images

Alguns cânceres, como o câncer de mama de mama, têm receptores hormonais. Em outras palavras, eles são hormônio-sensíveis, podendo ter seu desenvolvimento estimulado pelos níveis hormonais no organismo. "Isso significa que indicar o uso de uma pílula pode agravar a situação do tumor", explica o ginecologista Pedro. Como tumores costumam apresentar sintomas apenas em estágio avançado, exames de detecção preventivos são fundamentais para não deixar que o problema se agrave.

Varizes

Varizes - Foto Getty Images
Varizes - Foto Getty Images

"Varizes por si só já denunciam uma mulher com problemas de circulação sanguínea", alerta a ginecologista Bárbara. Dilatadas e deformadas, as veias indicam que o sangue não está conseguindo seguir seu curso normal, favorecendo, assim, a formação de coágulos. Durante a consulta, portanto, deve ser avaliado se o problema é isolado ou se ainda está associado a outros fatores de risco para problemas cardiovasculares, como a obesidade. Por isso, o uso da pílula combinada nem sempre é seguro.

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Fator V de Leiden

DNA - Foto Getty Images
DNA - Foto Getty Images

"O Fator V de Leiden é uma mutação genética que pode aumentar em até 100% o risco de a mulher sofrer um evento cardiovascular", explica a ginecologista Bárbara. A variação interfere diretamente na coagulação do sangue e pode ser identificada pelos laboratórios em mais uma etapa do teste de papanicolau. De acordo com a especialista, a ação do Fator V de Leiden se dá junto às plaquetas, que podem aglutinar e formar um trombo. Identificado o problema, devem ser pensados outros métodos contraceptivos.