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Tratamentos para lesões articulares

Dependendo do caso e da gravidade da lesão, os tratamentos podem variar

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Você sabia que cartilagem não dói? Você não pode sentir dor na cartilagem, pois não possui nervos. Se você tem dor em alguma articulação, é possível que ela seja decorrente de um defeito mais profundo. As dores articulares geralmente acontecem quando este defeito ou falha atinge o osso que sustenta a cartilagem, chamado de osso sub-condral (nome complicado que quer dizer "osso abaixo da cartilagem"). Esse osso tem muitos nervos e dói muito, quem sofreu uma fratura ou mesmo quem já tratou o canal do dente que o diga! Outras estruturas da articulação podem estar afetadas e causar dores, como os ligamentos.

O que se poder fazer para tratar lesões da cartilagem?

O tratamento das lesões de cartilagem é um grande desafio para o ortopedista. As lesões da cartilagem nas articulações podem ser decorrentes de traumatismos, sobrecarga, luxações, alterações anatômicas das articulações ou desequilíbrios musculares. O tratamento inicial das lesões de cartilagem, ou tratamento conservador, na maioria dos casos, tenta reequilibrar as forças musculares que agem na articulação comprometida. Geralmente o tratamento é iniciado com fisioterapia e depois progredido para exercícios de fortalecimento em academia.

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Existem inúmeras medicações que podem auxiliar na fase inicial do tratamento, as quais serão decididas pelo médico em sua consulta inicial. Abaixo estão algumas das medicações utilizadas:

- Anti-inflamatórios não-hormonais (AINH): medicações utilizadas em fase inicial para diminuição do processo inflamatório e alívio da dor. - Analgésicos: Geralmente utilizados em conjunto com os AINH para aumentar a potência da medicação na diminuição da dor.

- Diacereína: Produto de origem natural, a diacereína é uma droga de ação lenta para o tratamento das lesões de cartilagem articular. A eficácia da droga é observada entre a 2ª e 4ª semanas de uso, dependendo da severidade da doença. O ciclo de tratamento varia de três a seis meses. Estudos experimentais provaram que a diacereína possui propriedades anti-osteoartrósicas e, moderadamente, atividades analgésicas, antiinflamatórias e antipiréticas. Além disso, estudos recentes indicaram que a diacereína estimula a produção de componentes para produzir e recuperar a cartilagem (colágeno e proteoglicanos).

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- Glicosamina e Condroitina: Estas substâncias têm um papel na formação das superfícies articulares, tendões, ligamentos, tecido sinovial, pele, ossos, unhas, válvulas cardíacas e secreção da mucosa do aparelho digestivo, aparelho respiratório e trato urinário. Nos processos de artrose degenerativos devido à ação das enzimas líticas observa-se uma perda do poder de reter água, uma degeneração progressiva da cartilagem e uma deterioração do funcionamento articular. A administração de condroitina produz um restabelecimento do equilíbrio das cartilagens articulares, com a melhora ou desaparecimento das dores. A glicosamina também deve ser administrada, pois, com o comprometimento da permeabilidade, a articulação não consegue absorver as quantidades de glicosamina necessárias para o reestabelecimento das superfícies articulares.

O tratamento das lesões de cartilagem é um grande desafio para o ortopedista.

É possível estimular o crescimento de cartilagem sem cirurgia?

Sim, mas geralmente o tratamento com estas medicações deve ser realizado por períodos longos. Quando o tratamento conservador não estabelece a melhora dos sintomas do paciente pode-se optar pelo tratamento cirúrgico da lesão. O único tratamento não cirúrgico que estimula a cartilagem é a terapia PST, que é um tratamento com ondas magnéticas pulsáteis (PST = Pulsed Signal Therapy). O PST é uma forma não invasiva para tratar disfunções como osteoartrose, osteoporose, lesões dos tendões, hérnias de disco, fraturas de stress, e tudo que envolva problemas nos músculos ou articulações. Ele determina o estímulo para as reações de regeneração e estimulação, ou seja, da manutenção e reparo dos tecidos.

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Existe tratamento cirúrgico para lesões de cartilagem?

Sim, segue abaixo alguns métodos de tratamento cirúrgico das lesões na cartilagem do joelho:

Desbridamento: desbridar é o ato de remover da ferida o tecido desvitalizado e/ou material estranho do organismo. Essa técnica tenta reestabelecer um leito ósseo sangrante, para que se forme um tecido cicatrizante para reparar a lesão. Na maioria das vezes o tecido formado é uma fibro-cartilagem, que possui uma resistência menor que a cartilagem normal, chamada hialina.

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Microfraturas: técnica cirúrgica em que se realiza o desbridamento da lesão condral, porém associado a perfurações do osso subcondral - aquele que fica abaixo da cartilagem -, tentando reestabelecer um leito ósseo sangrante com uma eficiência maior que a do desbridamento somente. Forma-se um tecido que cicatriza e repara a lesão, sendo, na maioria das vezes, formada a fibro-cartilagem.

Transplante Autólogo de Condrócitos: técnica cirúrgica complexa e pouco usada. Porém, quando se opta por essa, ela é realizada em dois tempos, ou em duas cirurgias. No primeiro tempo, coleta-se a cartilagem hialina do joelho, em pequena quantidade. Essa cartilagem será cultivada em laboratório para que os condrócitos se proliferem. Após seis semanas da coleta, realiza-se o segundo procedimento cirúrgico com desbridamento da lesão e abertura da bolsa que envolve os ossos ao redor dessa, formando uma cavidade onde serão injetados os condrócitos cultivados. Após as cirurgias deve-se usar um aparelho motorizado de flexo-extensão do joelho, durante 4 a 6 semanas, 8 horas por dia, para que se estimule a remodelação da lesão. O tecido proliferado é um tecido muito semelhante à cartilagem hialina.

Transplante Autólogo Osteocondral: essa técnica também conhecida como mosaicoplastia ou OATS, e consiste na retirada de cilindros osteocondrais de 15 mm de profundidade de áreas anatômicas do joelho chamadas tróclea ou intercôndilo, sendo transplantadas para o local da lesão cartilaginosa. É uma excelente técnica, onde se consegue o preenchimento da lesão com a própria cartilagem hialina. Esse tratamento não pode ser usado com lesões grandes.

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Transplante Osteocondral a Fresco: Técnica experimental no Brasil, já realizada nos Estados Unidos a mais de 30 anos, onde realiza-se transplante de osso e cartilagem de um cadáver humano para o paciente. A técnica é semelhante ao transplante autólogo osteocondral, porém o tecido é retirado do cadáver, não tendo limitação de tamanho para utilização e não tendo morbidade de área doadora. O tecido é coletado do doador e é transplantado em até 4 semanas. Para o transplante é necessário compatibilidade anatômica da área doadora e receptora.

Artroplastia: em casos extremos onde não há como salvar a cartilagem, podemos colocar uma articulação artificial.