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Gagueira não tem cura, mas casos regridem em 75% dos pacientes

Saiba como a doença se desenvolve e o que fazer para estimular a fala

No Brasil a gagueira afeta cerca de 2 milhões de pessoas. No mundo essa população pode chegar a 70 milhões. O filme "Discurso do Rei", ganhador do Oscar em 2011 foi um marco de esclarecimento sobre o assunto, pois retrata o processo de melhora dos sintomas de um gago. Sim, melhora, pois a gagueira não tem cura, tem tratamento.

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Quando uma criança apresenta gagueira precoce, uma boa terapia pode melhorar em muito os padrões de fala, mas cura não existe. Aproximadamente 75% das pessoas que apresentam gagueira tem uma predisposição à doença, cujas causas não foram totalmente descobertas.

A gagueira somente aparece aos três ou quatro anos de idade, quando há necessidade de usar um vocabulário mais rico. A maior parte das pessoas pensa que o gago é nervoso, sendo que ele tem, na realidade, problemas em relação à fluência da fala. Por isso falar "calma, para e pensa" ao gago não ajudam em nada e ainda por cima interrompe a fala dele.

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O problema do gago é com relação a não temporalização da fala. Isso que dizer que existe uma dificuldade em automatizar a sequencialização desta. É sabido que existe gagueira em todo e qualquer idioma.

Entenda o desenvolvimento da doença

Hoje em dia os exames para identificar a gagueira são inconclusivos, pois as alterações estruturais presentes no cérebro do adulto gago criam um dilema: elas que causam a gagueira ou são causadas por ela? O que sabemos é que existe sim uma lesão no cérebro em algum grau. Sabe-se também que a gagueira acomete quatro vezes mais meninos do que meninas.

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A maior parte das pessoas pensa que o gago é nervoso, sendo que ele tem, na realidade, problemas em relação à fluência da fala

Existem lares que podem comprometer ainda mais o desenvolvimento harmonioso da fala, aumentando o estresse comunicacional. Pais que não tem tempo para conversar e ouvir o filho, escolas altamente exigentes que desafiam a dificuldade da criança ao exporem seguidamente sua dificuldade em exercícios orais e o bullying direto que o gago sofre contribuem de forma negativa para o avanço do tratamento.

Como ajudar

É necessário entender que a gagueira é uma doença da fala, o gago fala no ritmo dele, o que ele consegue. O pior para o gago é a reação do ouvinte, que pode chegar a impedir a fala. A estrutura da linguagem do gago é perfeita, mas as rupturas e bloqueios podem chegar a comprometer a inteligibilidade.

Existem graus variados de gagueira, desde as mais moderadas, que reagem bem ao tratamento, até do tipo mais severo, que não respondem a tratamentos e não diminuem em nenhuma situação. No canto a gagueira geralmente não se manifesta, pois não há necessidade de se fazer o processamento da fala, o grande desafio para o gago.

Existem linhas de tratamento atualmente que minimizam os efeitos da gagueira. O tratamento neuromotor visa conscientizar os pontos de tensão exagerados durante a produção de som, como a pressão exagerada de lábios na emissão de um P. Já o gago que apresenta muitas repetições de sílabas, o foco deve ser a coordenação pneumofonica, que é a utilização do ar expirado para a produção da fala. Na Universidade São Paulo (USP) o setor de fonoaudiologia tem usado um Software de desaceleração do ritmo de fala com relativo sucesso. O maior desafio é que a gagueira precisa ser permanentemente controlada, já que não tem cura, o que leva o paciente muitas vezes a cansar e desanimar do tratamento.

O gago pode apresentar problemas psicológicos decorrentes de sua situação, sendo a terapia psicológica indicada para administrar suas questões existenciais, lembrando que somente esse tratamento não resolverá a questão específica da gagueira. A terapia com as crianças junto da família é parte integrante do tratamento.

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A boa notícia é que existe uma melhora espontânea - 75% das crianças que gaguejam não se tornam adultos gagos, uma vez que o cérebro se organiza e processa melhor as informações. O complicado é que não há como saber quem se tornará gago ou não.

O que os pais devem fazer, portanto, diante de uma criança que gagueja:

Como foi comentado, esse período crítico pode ser uma disfluência fisiológica, que tende a regredir com o desenvolvimento da linguagem. O ideal é uma avaliação especializada e um acompanhamento desde os quatro anos caso essa gagueira persista e/ou seja severa, principalmente se houverem casos na família.

Fonte: Fonoaudióloga Claudia Regina Furquim de Andrade, professora titular do departamento de fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da USP

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