Frio pode desencadear reações alérgicas

Conheça a urticária por exposição a temperaturas baixas e quem ela afeta

Existem reações alérgicas que ocorrem devido à temperatura fria que chamamos de urticária ao frio. A urticária é uma doença alérgica de pele que se caracteriza pela presença de erupções que se manifestam por placas salientes de aspecto avermelhado, de tamanhos variados com duração fugaz e mudança de localização com muito prurido (coceira).

Na urticária ao frio, o contato com água, líquido, vento ou objetos gelados fazem surgir essas placas no corpo que coçam muito. É possível que o paciente relate que no frio as partes do corpo que não estão cobertas comecem a coçar sem parar e ficarem avermelhadas.

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Outra manifestação clínica que acontece é a presença de angioedema, que é uma reação alérgica que atinge as camadas mais profundas da pele, com pouca coceira e muito ardor. Há a presença edema (inchaço) em alguma parte do corpo: pálpebras, lábios, orelhas, pés, mãos ou genitais. Na garganta é conhecido como edema de glote.

A urticária ao frio ocorre entre 5,2 a 33,8% da população, sendo mais elevada em países de clima frio, mas pode ser observada em climas tropicais. Predomina no sexo feminino na proporção de 2:1, sendo a faixa etária mais acometida entre 20 a 30 anos. Ela pode ser adquirida ou familiar. A forma adquirida pode ser primária (idiopática) ou secundária.

Na forma primária as lesões aparecem logo após a exposição ao frio, e o diagnóstico é confirmado com o teste do cubo de gelo. A forma secundária pode ser decorrente de infecções bacterianas ou virais (hepatite, mononucleose infecciosa, infecção por HIV, sífilis e infecção respiratória por Mycoplasma pneumoniae. Há também associação Helicobacter pylori, toxoplasmose e outras infecções parasitárias. Isso explicaria porque os pacientes com urticária familiar adquirida respondem à antibioticoterapia. Pode haver correlação com a doença crioglobulinemia. A urticária familiar é uma forma muito rara, em que as lesões aparecem trinta minutos após exposição ao frio, pode haver calafrios e febre com duração de 4 a 6 horas. O fator desencadeante dos sintomas é o frio úmido. O teste do cubo de gelo é negativo. Cerca de 70% das urticárias adquiridas ao frio apresentam níveis elevados de IgE e há relatos de que aparecem de forma mais acentuada nos indivíduos atópicos.

No teste do cubo de gelo, aplica-se um cubo de gelo envolto em um saco plástico no antebraço do paciente por 3 a 5 minutos. Após 5 a 15 minutos o teste é considerado positivo se aparecer uma pápula (elevação na pele) avermelhada e com coceira. Atualmente existe um teste mais rápido chamado Temp Test, que identifica qual a temperatura e tempo necessários para provocar reação cutânea específica.

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Tratamento

A resposta a anti-histamínico é variável, geralmente é eficiente. Às vezes doses 4 vezes maiores que as recomendadas são necessárias. Podem ser usados curtos ciclos de corticosteróides. A antibioticoterapia pode ser considerada em alguns casos (na urticária ao frio adquirida secundária). Em indivíduo refratário ao tratamento pode-se tentar indução de tolerância ao frio em ambiente hospitalar. Nas formas secundárias, controlar a doença de base é o objetivo.

Para evitar o uso de medicação, a melhor recomendação é evitar a exposição ao frio, como mergulhar em águas geladas, viajar para lugares frios de temperaturas muito baixas e evitar contato direto com o gelo.

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Complicações

As lesões podem ser generalizadas e acompanhadas por manifestações sistêmicas, como cefaleia (dor de cabeça), taquicardia, calafrio e diarreia. Pode haver um quadro de hipotensão (queda da pressão) quando grandes partes do corpo são expostas, existindo a possibilidade de evoluir para óbito. Pode acontecer insuficiência respiratória e anafilaxia em situações de carregar objetos refrigerados, nadar em água gelada ou entrar em salas refrigeradas.

A prognóstico da urticária ao frio é variável podendo persistir por meses ou até anos, em 50% dos pacientes este período pode ser de 5 anos.

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