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5 formas para você se envolver nas questões de saúde do Rio

A vigilância participativa é uma das formas de combater a disseminação de doenças

O Rio de Janeiro tem sido o foco da mídia nos últimos dias, não só devido aos Jogos Olímpicos, mas também ao medo que alguns esportistas estão de contraírem Zika vírus e outras doenças relacionadas ao Aedes aegypti em sua estadia na cidade.

Mas com o envolvimento da população, é muito mais fácil ajudar a evitar a disseminação de doenças não só no Rio de Janeiro, como em cidades em todo o país!

Para tanto, o conceito de vigilância participativa é muito importante. "Nesse tipo de participação, o cidadão reporta para o governo uma série de sinais ou sintomas que ele considera ter - no caso, estamos focando em sinais como febre e manchas avermelhadas na pele, sintomas clássicos de Zika vírus", considera o epidemiologista Eduardo Hage, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT) do Ministério da Saúde.

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Homem carregando saco de lixo para colocar dentro de uma lixeira - "Foto: Getty Images"
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No caso de uma cidade que receberá tantas pessoas como o Rio de Janeiro, esse tipo de colaboração é fundamental. "Como haverá um grande número de indivíduos no mesmo local por um mesmo tempo, a possibilidade de ocorrência e rápida disseminação de uma doença é alta, o que pode levar inclusive a uma sobrecarga do serviço público", considera Hage.

Portanto, além da vigilância participativa, conversamos com especialistas e reunimos uma série de formas para você ajudar, seja no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade, a evitar a disseminação de doenças e ajudar a saúde pública. Confira:

Avisar autoridades se sentir sintomas diferentes

Como já explicamos, o ponto central da vigilância colaborativa está na notificação de sintomas diferentes em uma região. "Isso ajuda a verificar se há um agrupamento com mesmos sinais e sintomas em uma região, o que ajuda o governo a coletar amostras ou verificar com as unidades de saúde da região se há o diagnóstico de doenças compatíveis na região, detectando surtos de forma mais rápida", explica Eduardo Hage.

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O próximo passo é tomar atitudes que ajudem na redução dessa doença. Para cada quadro, existe um protocolo específico a ser tomado. "Os gestores de saúde podem adotar medidas urgentes de controle de acordo com o quadro clínico epidemiológico. Por exemplo, podem ser relacionados à água/alimentos contaminados (hepatite tipo A, febre tifoide), por insetos (arboviroses, malária), por gotículas de ar (tosse, espirros) ou animais (raiva, leishmaniose)" enumera a infectologista Helena Brígido, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Essas notificações podem ser feitas nas próprias Unidades Básicas de Saúde em sua região ou por meio de aplicativos. "Um aplicativo usado em 2014, durante a Copa do Mundo, e desenvolvido pelo Ministério da Saúde, foi aperfeiçoado agora para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos com o nome de Guardiões da Saúde. O aplicativo é bem simples. O usuário, que pode ser qualquer pessoa, informa se sente bem ou se está com algum problema", explica Hage.

Relatar focos de doenças

Doenças causadas por vetores, como as transmitidas por insetos, também merecem um tipo especial de atenção aos focos desse tipo de animal. Um ótimo exemplo é a vigilância por pontos de água parada, local ideal para que o Aedes aegypti coloque seus ovos. Reduzir os pontos de criação do mosquito faz uma grande diferença no número de casos de doenças relacionadas a este vetor.

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"O mosquito tem um raio de alcance limitado a partir de onde nasce. Se você controla os nascedouros em uma área, não há como ele se reproduzir", considera o médico da família e comunidade Antônio Augusto Dall?Agnol Modesto, preceptor da Residência de Medicina de Família e Comunidade da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e membro da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade (SBMFC).

Além disso, saber que uma região é foco de um tipo de doença ajuda a conter o quadro naquele local. "Se há um surto de catapora ou meningite em uma escola, há medidas de vacinação e isolamento que limitam o surto e dificultam a disseminação para outras escolas ou bairros", comenta o especialista.

Avisar sobre ausência de coleta de lixo

Outra forma de evitar vetores de doenças em uma região é através do saneamento básico adequado. Por isso, se sua região não conta com esse tipo de serviço, notificar isso às autoridades e reivindicar reformas é fundamental. Esse tipo de medida pública pode evitar verminoses, diarreias virais, cólera, salmonela e até leptospirose.

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No entanto, os cidadãos também têm um papel importante quando o assunto é não agravar problemas já existentes. "Evitar jogar lixo em córregos e manter lixo exposto ajuda a evitar o entupimento do escoamento de pequenos riachos e ainda impede o surgimento de roedores e insetos na região, que costumam ser vetores de doenças", enfatiza o infectologista Jean Gorinchteyn, da Rede de Hospitais São Camilo (SP).

Reportar postos de saúde que não estão funcionando

Reportar o não funcionamento de postos de saúde também é importante para que o governo tome providências e volte a ter um atendimento rápido de doenças em uma região. Isso ajuda não só a minimizar os sintomas do paciente, como também reduz a chance de que ele contamine outras pessoas.

"Por exemplo, uma pessoa com uma diarreia que não melhora precisa investigar as causas, pois poderá contaminar mananciais com suas fezes contaminadas, depende do tipo de doença que está causando o sintoma", considera Gorinchteyn.

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Além disso, a medida também orienta os órgãos públicos sobre como prevenir a contaminação de outras pessoas com uma determinada doença. "Dependendo da doença, orienta-se que a população da região faça uso de máscaras, reforce a higiene, cuide da eliminação de criadouros, verifique casos na família e/ou amigos próximos, entre outras medidas", considera Helena Brígido.

Evitar propagação de "boatos de saúde"

Boatos de saúde acontecem a todo momento. Um exemplo são as histórias relacionadas à microcefalia no início do surto aqui no Brasil: diversas pessoas começaram a compartilhar que o quadro não era uma decorrência do Zika vírus e, sim, consequência da vacinação contra rubéola ou do vermicida usado para conter as larvas do Aedes.

"Nesse tipo de cenário ocorre um desserviço, já que as pessoas podem deixar de tomar uma vacina ou medicamento que traria um benefício e acabam até aumentando a incidência de outras doenças, como a rubéola no caso", explica Eduardo Hage.

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Além disso, Hage destaca que esse tipo de boato pode aumentar as demandas dos postos de saúde e até esgotar medicamentos, quando as pessoas deixam de lado uma vacinação, por exemplo.

O ideal é sempre se basear em informações com evidência científica, como as fornecidas pelos órgãos oficiais (como o Ministério da Saúde), sociedades médicas e também sites de saúde confiáveis, que utilizem fontes médicas e entidades representativas, como o Minha Vida.