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Entenda a doença de Crohn pediátrica e seus principais sintomas

Doença de Crohn na infância pode trazer problemas de crescimento e desenvolvimento

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A doença de Crohn é um quadro inflamatório que pode atingir todo o sistema digestivo, da boca até o ânus, afetando principalmente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e o intestino grosso (colón). A condição é mais comum em adultos, mas pode atingir também as crianças. O problema da doença de Crohn pediátrica é que por afetar a alimentação e também a absorção dos nutrientes pode prejudicar o crescimento e desenvolvimento do paciente.

"Uma criança com Crohn pode apresentar uma parada de crescimento e até mesmo interrupção do processo de puberdade, além de problemas de densidade óssea comparáveis a uma osteoporose em adultos", explica a gastroenterologista pediátrica Vera Lucia Sdepanian, professora doutora de gastroenterologia pediátrica da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

Sintomas da doença de Crohn em crianças

Menino com a mão na boca se recusando a comer - "Foto: Getty Images"
Menino com a mão na boca se recusando a comer - "Foto: Getty Images"

A doença de Crohn em crianças pode aparecer em qualquer idade, mas é mais incidente após os seis anos. Os sintomas, de acordo com a gastroenterologista Marta Brenner Machado, presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e doença de Crohn, são os mesmos da doença em adultos: "Os mais comuns são crises de dor abdominal, diarreia com sangramento e muco e febre, mas outros sintomas poderão ser observados", enumera a especialista.

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Normalmente, a diarreia e as dores abdominais são constantes e não passam com o tempo. "O muco e o sangramento nas fezes acontecem quando o cólon também está comprometido e pedem atenção", considera Vera Lucia. Mas, mesmo que esses sinais não estejam presentes, só o fato da criança apresentar uma diarreia que não se resolve justifica buscar um especialista em gastroenterologia pediátrica.

Além disso, existem os sintomas extra intestinais, ou seja, que ocorrem fora do sistema digestório. O principal deles é a dor nas articulações, que pode até mesmo evoluir para uma artrite, o que envolve inchaço, vermelhidão e calor nessas regiões.

Outro sintoma comum é a recusa alimentar. "Muitas vezes, as dores abdominais e a diarreia fazem com que a criança perca o apetite", considera Vera Lucia. Isso, somado à má absorção dos nutrientes que ocorre nos intestinos, pode trazer diversas consequências em longo prazo. As principais delas são relacionadas ao desenvolvimento infantil, como emagrecimento rápido, déficit de crescimento (sendo menor que as outras crianças) e também atraso ou interrupção do desenvolvimento puberal (ou seja, crescimento de pelos pubianos, aumento dos seios e testículos e início da menstruação).

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Outro problema é a densidade óssea que pode ser prejudicada - e é justamente na infância e na adolescência que a pessoa acumula a massa óssea que terá ao longo da vida. "25% das crianças com doenças inflamatórias intestinais têm massa óssea semelhante à de um adulto com osteoporose, o que pode aumentar o número de fraturas, comprometer as vértebras e trazer inúmeros problemas", explica Vera Lucia.

Diagnóstico e consequências da doença

A doença de Crohn é um quadro autoimune e crônico, ou seja, que pode ser controlado, mas ainda não há cura. De difícil diagnóstico, diversas possibilidades devem ser descartadas para se chegar a uma conclusão final.

"A doença de Crohn pode ser confundida com outras doenças, como síndrome do intestino irritável, alergias alimentares, intolerância à lactose, verminoses, gastroenterite aguda, colite ou inflamações induzidas por remédios ou agentes como a tuberculose e bactérias", enumera Marta.

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O problema é que todas essas doenças têm sintomas comuns e precisam de uma investigação minuciosa para diferenciá-las. Colonoscopia, endoscopia digestiva alta, pesquisa nas fezes, estudo do intestino e até mesmo tomografia são ferramentas que os médicos dispõem para finalizar o diagnóstico do paciente.

Após a confirmação da doença, o tratamento é dividido em duas etapas: primeiro tentando conter a atividade da doença de Crohn e depois trabalhando para que ela não se ative novamente. "Normalmente, esse tratamento é individualizado, de acordo com as características da doença de cada paciente", considera Marta.

No entanto, o tratamento pode impactar bastante o dia a dia da criança. "Haverá momentos em que ela terá que se ausentar da escola, além das diarreias que podem acontecer e dos edemas que os medicamentos podem causar", considera Vera Lucia.

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Se houver algum comprometimento no crescimento, é normal que a criança se sinta triste e diferente também. Por isso, é muito importante que ela receba apoio dos pais, que devem incentivá-la a aderir ao tratamento, antes que a doença traga outras consequências. Além disso, precisam ajudá-la a entender que com o tratamento será mais fácil ter uma vida normal e saudável.

Quanto à escola, é fundamental que os professores entendam as possíveis ausências da criança com Crohn e a estimulem a voltar ao dia a dia escolar, mantendo o vínculo mesmo nesses momentos complicados.

O que pode causar o Crohn pediátrico?

Não se sabe ainda o que causa a doença de Crohn em crianças, mas existem fatores genéticos e ambientais envolvidos. "Normalmente a criança já tem essa predisposição, mas é preciso que o corpo reconheça algum fator externo como um corpo estranho e tenha uma reação mais forte e contínua, o que leva ao dano no intestino", considera Vera Lucia.

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Esse corpo estranho pode ser, inclusive, as substâncias encontradas em alimentos industrializados, cada vez mais comuns na dieta dos brasileiros. Com tantos elementos químicos sendo processados, o sistema imunológico pode se sobrecarregar e ter reações mais intensas, que danificam o intestino.

Existe também a chance de haver uma relação com um desequilíbrio com a microbiota intestinal, as bactérias que vivem no intestino e o ajudam a cumprir suas funções. Por algum motivo ainda não conhecido, essas bactérias podem se desequilibrar, levando ao desenvolvimento da doença.

Outra possibilidade é a "teoria da higiene" que relaciona esse tipo de resposta exagerada do sistema imunológico à baixa exposição que as crianças têm hoje a agentes que possam causar problemas. "Possivelmente antes o organismo dos pequenos era mais sensibilizado com infecções que hoje são menos comuns, e assim, quando uma dessas infecções acontece, o corpo reage de forma mais perigosa, provocando a doença autoimune", pondera a especialista.

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