#EuSintoNaPele: 6 dicas para conviver melhor com a psoríase

Apesar dos sintomas causarem desconforto, é possível enfrentar a doença sem perder qualidade de vida; veja dicas abaixo em entrevista com especialista e paciente

A psoríase é uma doença inflamatória, imunomediada e multifatorial, ou seja, pode ser causada por muitos fatores distintos, como questões genéticas, ambientais e imunológicas. De acordo com o dermatologista Wagner Galvão, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ela pode atingir homens e mulheres em qualquer faixa etária, sem distinção. Apesar de ser uma doença crônica, a psoríase tem tratamento e não é, de forma alguma, contagiosa.

"Até pouco tempo atrás, tínhamos poucas opções de tratamento para esse problema. Tínhamos que lidar com o conformismo em vários casos. Hoje, melhoramos muito. Por isso, a orientação é de que o paciente reconheça o problema e procure o tratamento adequado, um médico especialista, e não desista. Pode levar um tempo até atingirmos a meta, mas ela está lá", incentiva o dermatologista Wagner.

As lesões características da doença surgem, principalmente, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos, mas podem variar conforme o tipo e o grau. O médico também ressalta que os sintomas podem surgir nas mãos, pés, unhas, genitais e em outras partes visíveis do corpo, o que impacta profundamente o dia a dia e o emocional dos pacientes.

"Não é só sobre interferir no trabalho, perder uma oportunidade de trabalho [por conta da psoríase]. As pessoas deixam de procurar alguma coisa por vergonha, porque vão ver que tenho psoríase. Na mão e no rosto não tem como esconder", conta Simone Canelada, que foi diagnosticada com psoríase ainda na infância.

Em vez de tratar os sintomas agudos por conta própria, com cremes e pomadas, é imprescindível buscar a orientação de um médico especializado, como o dermatologista. Esse cuidado ajuda a prevenir crises de psoríase mais severas, garantindo um controle maior da doença em longo prazo.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE

1) Para tratar e conviver com a psoríase

De acordo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a psoríase atinge cerca de 125 milhões de pessoas no mundo. Apesar de não ter cura, a doença pode ser controlada com tratamentos especializados e acompanhamento médico - por isso, se você conhece alguém que já manifestou os sintomas, ofereça apoio e indique a busca por um dermatologista. O especialista é o único que pode diagnosticar, tratar e identificar o grau da psoríase.

"A psoríase é dividida em leve, moderada e grave. Isso implica o tipo de tratamento, já que nos casos leves, geralmente, são usados apenas tópicos, como pomadas e cremes. Para classificar, usamos as características das lesões, como grau de vermelhidão e o quanto descama, por exemplo. Também levamos em conta a área acometida e algumas características da qualidade de vida da pessoa em relação à doença", explica o dermatologista Wagner Galvão.

Atualmente, existem diferentes métodos que ajudam a diminuir as lesões da psoríase. Como ressalta o especialista Wagner Galvão, o tratamento mais comum para a psoríase leve é o uso de medicamentos tópicos. Existem ainda outras opções, como a fototerapia e opções sistêmicas de tratamento, em que se incluem os imunossupressores e os medicamentos biológicos.

Além do tratamento tradicional, orientado pelo dermatologista, é possível investir em mudanças de hábito e outras intervenções para conviver melhor com a psoríase. Veja dicas abaixo:

2) Trabalhe a autoaceitação

Após receber o diagnóstico de uma doença crônica, como é o caso da psoríase, é muito provável que você se sinta desmotivado. Ainda assim, lembre-se que o primeiro passo para encarar o diagnóstico é entender melhor o seu caso e buscar junto ao seu médico a melhor alternativa de tratamento para aquele momento.

Se a tristeza permanecer e você não sentir vontade de enfrentar o problema, conte com o apoio de especialistas que podem oferecer ajuda em um momento delicado como este, como psicólogos.

A autoaceitação fará com que você se sinta mais motivado e disposto a cuidar da doença e de si mesmo, sem se afastar de familiares, amigos e pessoas próximas. Esse isolamento ocorre, muitas vezes, devido ao medo de sofrer preconceito e rejeição por conta da aparência das lesões.

3) Não interrompa o tratamento

As crises de psoríase se manifestam como lesões avermelhadas e incômodas, que podem - ou não - desaparecer com o tempo. Com o tratamento e a melhora dos sintomas, muitos pacientes acabam interrompendo o tratamento, o que pode trazer complicações no futuro.

"A interrupção não programada do tratamento pode levar à piora da psoríase. É como a diabetes: quando atinge o controle, a pessoa para de tomar o remédio e complica tudo", explica o dermatologista Wagner Galvão, ressaltando a importância da continuidade do tratamento de psoríase.

Caso não perceba nenhuma melhora do quadro, não desista e não comece um tratamento por conta própria. Em vez disso, volte ao médico, fale sobre o problema e como está se sentindo com o método orientado.

4) Cuidado com os agravantes

De fato, a psoríase pode incomodar e estimular mudanças no estilo de vida dos pacientes. Por isso, é importante evitar alguns hábitos que pioram os sintomas da doença, como o álcool e o tabaco. Sem eles, a pele fica menos exposta a agressões. Além disso, é importante manter a pele bem hidratada no inverno, uma vez que o ressecamento típico da estação pode causar inflamações e piorar as lesões.

Wagner explica que existem outros fatores que devem ser trabalhados, principalmente no aspecto emocional do paciente. "A psoríase é uma doença inflamatória que pode ser precipitada e agravada por situações nas quais a pessoa está com problemas como estresse, ansiedade e depressão. Esses problemas devem ser abordados também com um psicólogo", orienta o dermatologista.

5) Converse sobre a psoríase

A paciente Simone Canelada ? que lidera a Bem Viver, associação de pacientes de psoríase em Campinas e região - explica que uma das principais formas de trazer visibilidade para a psoríase é falando sobre ela, sem receios, o que muitos pacientes ainda não fazem por vergonha e medo da rejeição.

"Conheço muita gente que tem psoríase, trabalha e ninguém da empresa sabe. Não é visível, fica na perna, na barriga ou nas costas. Mas essa pessoa não participa do futebol com a galera porque sabe que terá de ir ao vestiário. Então, eles evitam esse tipo de situação", explica Simone.

Apesar do silêncio em torno da doença, é possível encontrar apoio em associações espalhadas pelo Brasil, que promovem palestras sobre psoríase e abordam os desafios com os quais os pacientes precisam lidar todos os dias. Além disso, existem grupos de apoio em redes sociais que reúnem dicas de bem-estar e qualidade de vida para quem convive com a doença.

"Muitas vezes, pacientes em uma boa fase do tratamento que conversam com os outros já ajudam muito. Eles falam: 'olha aqui, eu estava cheio de lesões e veja como melhorou' e dão esperança para que está chegando", reforça o dermatologista Wagner Galvão.

Neste momento, família, amigos e pessoas próximas se tornam peças fundamentais do tratamento do paciente. Eles ajudam a criar uma corrente positiva de compreensão e aceitação da doença, o que o motiva aqueles que estão enfrentando os percalços da doença.

6) Tenha um ombro amigo

A qualidade de vida dos pacientes que descobrem a psoríase, principalmente nos graus moderado e grave, é comprometida devido a muitos fatores, como afastamento social, preconceito, rotina exaustiva de tratamento ou baixa autoestima por conta da aparência da pele. Portanto, o apoio de pessoas próximas e queridas faz toda a diferença no sucesso do tratamento.

"O impacto nos relacionamentos pode ser grande. Peço que a pessoa traga seu par na consulta, pois a consciência de que não é uma doença transmissível e que temos tratamento ajudam. A cumplicidade e a parceria do relacionamento são o foco, pois a vida nos apresenta situações que devemos aprender a lidar. Muitas vezes, o relacionamento deixa essas situações mais leves", aconselha o médico.

Fontes consultadas:

Wagner Galvão, dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (CRM 116138-SP).

Bem Viver, entidade sem fins lucrativos, cujo objetivo é apoiar os pacientes e divulgar informações sobre a psoríase.