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Investir em reabilitação de paciente é fundamental para tratamento após o AVC

No o Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, a fisiatra Regina Chueire respondeu às principais dúvidas dos leitores sobre derrame cerebral

O derrame, também conhecido como acidente vascular cerebral (AVC), deixou de ser uma doença restrita a homens com mais de 50 anos. Além de atingir mulheres em proporções semelhantes, o AVC é cada vez mais comum entre os jovens. Com sequelas que podem durar a vida toda, a reabilitação dos pacientes tornou-se ainda mais importante, principalmente na fase aguda da doença.

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O Minha Vida ao Vivo, com o apoio de Allergan, recebeu a médica fisiatra Regina Chueire, diretora da Rede Lucy Montoro (unidade São José do Rio Preto e Fernandópolis), para discutir o papel da reabilitação para pacientes que sofreram derrame e responder às principais dúvidas dos nossos leitores sobre este tema.

Veja algumas das dúvidas na matéria abaixo ou assista ao Minha Vida ao Vivo na íntegra em nossa página oficial no Facebook.

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Minha Vida: O que causa o derrame cerebral e quais são os tipos?

Dra: Regina Chueire: Bem, o derrame cerebral, usando termos populares, é conhecido como acidente vascular cerebral ou acidente vascular encefálico. É causado por vários fatores, mas o principal deles é a hipertensão, a pressão alta não controlada. Depois disso nós temos o tabagismo, diabetes, o estresse e também algumas doenças cardíacas. Tudo isso leva a uma diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro, que pode causar uma interrupção da função cerebral. E nós temos dois tipos de AVC, ou derrame: o isquêmico, quando uma artéria é obstruída por uma placa de arteriosclerose, a popular gordura; ou quando essa artéria, até pela hipertensão arterial, se rompe, que é o AVC hemorrágico.

Minha Vida: Os sinais de AVC isquêmico e o hemorrágico são diferentes?

Dra: Regina Chueire: Em algumas coisas são parecidas e, em outras, diferentes. Geralmente, o AVC hemorrágico é mais grave - a pessoa perde os sentidos e desmaia, é uma emergência médica importante. O isquêmico também é uma emergência, mas quando uma artéria é obstruída a pessoa pode sentir uma fraqueza de um lado do corpo (no braço, por exemplo), formigamento, fica com a boca torta, sobrancelha torta e dificuldade de falar. Então, são esses sintomas que o paciente tem e que requerem um tratamento rápido.

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Minha Vida: A doença acomete mais homens ou mulheres? Quais os grupos de risco?

Dra: Regina Chueire: Antigamente, a gente falava que eram os homens, a partir da quinta década de vida. Mas nós, mulheres, estamos em um momento muito importante, trabalhando duplamente, dentro e fora de casa. Por isso, as mulheres também estão sendo acometidas, quase em igual proporção.

Minha Vida: Por que a doença tem atingido cada vez mais os jovens?

Dra: Regina Chueire: Hoje, que é o Dia Mundial do AVC, é a grande questão que está sendo discutida em todas as mídias e também congressos. Por que o jovem está tendo derrame? Porque ele está com o estilo de vida muito errado. Muito estresse, alimentação errada, sedentarismo, tudo isso acaba levando ao quadro de AVC em jovens, infelizmente em uma fase da vida extremamente importante, quando estão começando em suas carreiras, na faculdade, e tendo sequelas que vão levar para o resto da vida.

Minha Vida: Como identificar que uma pessoa está tendo um AVC? Quais são os sintomas? E o que fazer?

Dra: Regina Chueire: O principal, geralmente, é que a pessoa tem dificuldade para falar. O que acontece: se você tem a obstrução do fluxo sanguíneo de uma metade do cérebro, como uma lesão do lado esquerdo, você vai ter um déficit à direita e vice-versa. Se você tiver um déficit de força de membros superiores à direita, vai ter dificuldade de fala, a boca fica torta, quando alguém pede para a pessoa levantar sobrancelha, uma fica diferente da outra... Esses são os principais sintomas que a gente vai ter. Se for o hemorrágico, a pessoa perde os sentidos na hora. Já entra em coma, praticamente.

É interessante a gente falar também de horário. Normalmente, o AVC segue o ritmo circadiano, que é o relógio biológico da gente. Então, as pessoas com a hipertensão descontrolada muitas vezes vão ter o AVC nas primeiras horas do dia, o AVC isquêmico, por causa do ritmo biológico. O paciente fala assim: acordei com tontura, fui levantar e caí. Não é que ele caiu e teve o AVC, ele teve o AVC e já estava com uma parte do corpo afetada.

Minha Vida: Por que o socorro imediato reflete nas sequelas e no tratamento pós-AVC?

Dra: Regina Chueire: É muito importante, porque hoje em dia temos alguns tratamentos para a fase aguda do avc, em até 4h depois que os sintomas começaram, que devem ser avaliados por um neurologista em um centro especializado. Dá para você fazer a trombólise, dissolver esse obstáculo que faz com que o sangue não chegue a essas áreas cerebrais importantes. Mas isso só pode ser feito com médicos treinados e neurologistas.

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Por isso que, ao notar os primeiros sintomas, como uma pessoa com tontura, boca torta, fraqueza no braço, dificuldade de fala e perda de equilíbrio, você deve levá-la rapidamente para o hospital.

Minha Vida: Quais são os primeiros procedimentos que devem ser realizados em uma pessoa que teve um AVC?

Dra. Regina Chueire: Serão feitos vários exames - de imagem, principalmente - para diagnosticar se é um AVC hemorrágico ou isquêmico. E como a hipertensão arterial é uma das principais causas do AVC, a pressão do paciente vai estar lá em cima e deve ser controlada com medicamentos, e aí ele vai ser internado. A prevenção é ter um estilo de vida correto e evitar o sedentarismo; se, posteriormente, a gente ainda não consegue evitar o AVC, é preciso buscar um centro de atendimento especializado. São a esses dois pontos que a gente deve se ater para evitar grandes sequelas, que é o que a reabilitação vai cuidar.

Minha Vida: Depois dos primeiros socorros, a pessoa deve começar um tratamento multidisciplinar para a reabilitação. Quais são os tratamentos disponíveis e como é o programa de reabilitação?

Dra. Regina Chueire: Logo depois que o quadro está estabilizado e avaliado pelo neurologista, ele libera para a reabilitação, que deve começar o quanto antes. Ela será feita por um médico especialista, que é o fisiatra, junto com uma equipe multidisciplinar, que geralmente é composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e, posteriormente, até um professor de educação física, que também pode ser colocado nessa equipe.

Além disso, a gente precisa de psicólogos. Não é só o baque de ter um AVC e ficar com uma deficiência, mas também porque o paciente pode ter alterações cognitivas, como problemas de memória, e o neuropsicólogo vai avaliar. E uma coisa muito importante é que esses pacientes, após o décimo ou décimo quarto dia do AVC, podem desenvolver o que chamamos de espasticidade, que é pouco conhecida e pouco avaliada.

Na fase inicial, o lado paralisado vai ficar flácido. Depois, ele começa a ficar endurecido. O braço fica em flexão; a perna, em extensão. Porque os músculos ficam endurecidos. E é isso que interfere no dia a dia do paciente, ele não vai conseguir pentear o cabelo, estender o braço para pegar um copo e levar à boca, vestir uma roupa, andar com qualidade. Então, a espasticidade é extremamente importante, que a gente tem que tratar infelizmente depois que a pessoa tem o AVC e fica com essa sequela.

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