8 fatos que você precisa saber sobre a neuropatia periférica

Entenda como prevenir, tratar e conviver da melhor forma com a doença que atinge milhares de pessoas pelo mundo

A neuropatia periférica é uma condição que afeta o sistema nervoso periférico, responsável por transportar as informações enviadas pelo cérebro e pela medula espinhal para o restante do corpo.

De acordo com Geísa Macedo, membro da Sociedade Brasileira de endocrinologia e Metabologia, tal disfunção pode atacar tanto as fibras periféricas finas, responsáveis pela sensibilidade à dor, calor e reflexos, quanto as fibras grossas, ou motoras, responsáveis pela motricidade, reflexos e a sensibilidade protetora plantar.

A doença, que surge em muitos casos como uma condição secundária a outros problemas de saúde, acomete milhares de pessoas no mundo todo, principalmente diabéticos, idosos, pessoas que fazem tratamentos como quimioterapia e que têm deficiência de vitamina B.

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1 - Sintomas

Entre os sintomas mais comuns da neuropatia periférica, estão: formigamentos; perda de sensibilidade nas extremidades do corpo, principalmente dos pés e das mãos; diminuição da força e perda de massa muscular; e dor espontânea.

De acordo com a neurofisiologista clínica Raquel Campos, do diretório científico de neuropatias periféricas da Associação Brasileira de Neurologia, os sintomas podem ir além e incluir alterações tróficas da pele, disfunção sexual, disautonomia, fraqueza muscular, fatigabilidade, dificuldade de andar e desequilíbrio.

2 - Causas

A neuropatia periférica pode ter inúmeras causas. Por isso, é fundamental tentar identificar o fator que desencadeou a doença e, então, começar o tratamento mais adequado, de acordo com o endocrinologista Marcio Krakauer, presidente da Associação de Diabetes do ABC.

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Diabetes, alcoolismo, problemas metabólicos, desnutrição, insuficiência renal crônica, deficiência vitamínica de B12 e B6, disfunção de tireóide (hiper e hipotireoidismo) e algumas doenças infecciosas (hanseníase, HTLV, HIV, hepatites B e C) são algumas condições que podem desencadear a neuropatia periférica.

A neurofisiologista Raquel Campos Pereira destaca ainda a existência das neuropatias inflamatórias agudas e crônicas, que podem ser altamente incapacitantes e que necessitam de diagnóstico precoce para evitar sequelas definitivas. É o caso da polineuropatia inflamatória desmielinizante aguda, como a síndrome de Guillain- Barré e suas variantes, e a polineuropatia inflamatória desmielinizante crônica, conhecida como PIDC.

3 - Diagnóstico

O diagnóstico precoce da neuropatia periférica é importante para evitar danos irreversíveis aos nervos, com mais alternativas de tratamento. Segundo Raquel Campos Pereira, a doença pode ter evolução lenta, sem sintomas graves no começo, ou ter um acometimento incapacitante e restritivo desde o início. Portanto, manter uma rotina de exames físicos e neurológicos ajuda a evitar complicações.

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Para diagnosticar a neuropatia, o médico pode solicitar exames de rotina laboratorial, auto-anticorpos, sorologias, eletroneuromiografia (ENMG), testes autonômicos, avaliação do líquor, testes moleculares específicos para doenças genéticas, exames de neuroimagem e biópsias de pele e de nervo.

4 - Fatores de risco

O diabetes é uma das principais causas da neuropatia no mundo. Segundo Geísa Macedo, isso ocorre porque os níveis de glicose elevados no sangue afetam os nervos, causando as lesões. Pelo mesmo motivo, pessoas que têm obesidade e triglicerídeos elevados também apresentam risco.

Além disso, tabagismo, alcoolismo, hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia e doenças crônicas, como insuficiência renal, disfunção tireoidiana, neoplasias, doenças reumáticas, doença celíaca e infecções crônicas também são fatores de risco para o desenvolvimento da condição.

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Por fim, o endocrinologista Marcio Krakauer ainda acrescenta que pessoas com deficiências nutricionais de vitamina b12 e desnutrição proteico-calórica também podem desenvolver neuropatia.

5 - Prevenção

A melhor maneira de prevenir a neuropatia periférica e os danos que a doença pode causar é com o controle da glicemia, por meio de uma dieta saudável e balanceada - não só para os diabéticos, mas para todas as pessoas. O endocrinologista Marcio Krakauer, presidente da Associação de Diabetes do ABC, reforça que outros hábitos saudáveis também ajudam a preservar os nervos. Por isso, a recomendação é evitar bebidas alcoólicas, cigarros e investir em uma rotina regular de exercícios físicos.

6 - Complicações

De acordo com a neurofisiologista Raquel Campos Pereira, a dor neuropática crônica pode ser muito severa e incapacitante, podendo levar ao desenvolvimento de sintomas de depressão, insônia e ansiedade. Além disso, a fraqueza generalizada causada pela doença dificulta a mobilidade do paciente e atividades manuais, estimulando fatigabilidade e limitação motora. Falta de equilíbrio e disfunção sexual também são consequências comuns aos pacientes que não tratam adequadamente a neuropatia.

Marcio Krakauer acrescenta que a perda total de sensibilidade nos pés e nas mãos ainda aumenta o risco de graves lesões nos membros.

7 - Tratamento

O tratamento adequado para cada tipo de neuropatia está sempre relacionado à causa do problema. Algumas neuropatias exigem controle de doenças pré-existentes, enquanto outras requerem tratamentos específicos para dor. Nas neuropatias infecciosas, como a hanseníase, por exemplo, poliquimioterapia pode ser necessária. Já nas etiologias inflamatórias, medicações imunomoduladoras e imunossupressoras são necessárias por um determinado período.

Para neuropatias dolorosas de fibras finas, por sua vez, são indicadas medicações que bloqueiam a dor. Portanto, é fundamental descobrir quais fatores levaram ao surgimento da doença para determinar um tratamento completo. Segundo Raquel Campos Pereira, fisioterapia motora e respiratória, terapia ocupacional, atendimento psicológico, acupuntura e outras terapias podem ser necessárias para reabilitação do paciente.

8 - Qualidade de vida

Segundo Geísa Macedo, é possível, sim, conviver bem com a neuropatia periférica. Para que o paciente sofra menos, é preciso fazer um bom tratamento, visitar os médicos na rotina solicitada, realizar sempre os exames necessários, controlar os sintomas, consumir a medicação indicada pelo médico e investir em hábitos saudáveis, como uma alimentação saudável, atividades físicas, ingestão de água e sono adequado.

Raquel Campos Pereira recomenda ainda mudanças no estilo de vida e readequação pessoal de metas possíveis e individualizadas durante o tratamento. A efetividade no controle da dor neuropática, reabilitação motora e postural e cuidados com pés e áreas de apoio para evitar úlceras de pressão podem ajudar a resgatar independência das atividades de vida diária e favorecer qualidade de vida aos pacientes.