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"Perto do que vivi, estou no céu": entenda o tratamento que livrou paciente de dor extrema

Procedimento desenvolvido no Hospital Sírio-Libanês, a radioterapia funcional ajuda a tratar casos de dor extrema

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A radioterapia é um procedimento muito conhecido como método de tratamento para o câncer. Mas esse não é o único uso possível da tecnologia. No caso da bióloga, pesquisadora e professora aposentada Gisela Rita de Alvarenga Monteiro Marques, 60, a radioterapia foi usada para o tratamento de neuralgia do trigêmeo - um quadro que causava dores extremas no seu rosto e até a impossibilitava de comer.

Tudo começou em fevereiro de 2020, quando a bióloga aposentada começou a sentir "choques" na face e relacionou a algum problema de canal no dente. A aposentada chegou a procurar um dentista, que tratou o caso como se fosse dentário, mas não resolveu suas dores. "Só aumentava", lembra Gisela.

Como a dor crescia, um mês após o início delas - em março daquele ano - Gisela procurou um neurologista para avaliar seu quadro. Pelos seus sintomas e histórico, o médico a diagnosticou com neuralgia do trigêmeo.

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"Se eu fosse fazer uma analogia [da dor], eu pegaria uma lança fininha, com ponta, e enfiaria atrás da sua cabeça, viraria na face esquerda e puxaria. Era uma das coisas mais horríveis, era desesperador", descreve Gisela.

A neuralgia do trigêmeo é um distúrbio nervoso que provoca uma dor em forma de fisgada na região do rosto (por onde passa o nervo trigêmeo - responsável por carregar as mensagens resultantes das sensações do rosto para o cérebro).

Normalmente, a neuralgia é causada quando o nervo trigêmeo deixa de funcionar. Isso ocorre pelo contato de um vaso sanguíneo com ele. Esse contato provoca uma pressão sobre o nervo e faz com que ele não funcione corretamente, provocando a dor característica e muito intensa. Consequentemente, pessoas que convivem com a neuralgia do trigêmeo sentem dor com simples ações cotidianas, como:

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Gisela lembra que sentia muita dificuldade de comer, a ponto de realmente não conseguir se alimentar.

"Eu comecei a perder muito peso pois era muito difícil me alimentar. Eu mal podia mexer a boca, pentear o cabelo ou tomar banho olhando para o chuveiro, pois eram coisas desencadeadoras para os choques."

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Inicialmente foram utilizadas algumas medicações para o tratamento de Gisela, porém ela teve uma reação alérgica que obrigou a equipe médica a trocar de remédio. Mesmo após a medida, a dor persistiu, o que levou Gisela a usar dosagens mais altas que, por causa de efeitos colaterais, a deixavam com o comportamento alterado.

Com a rejeição do organismo de Gisela aos medicamentos, o médico que a acompanhava na época a encaminhou, em fevereiro de 2021, para o projeto de pesquisa do uso da radioterapia no tratamento de neuralgia de trigêmeos, realizado no Hospital Sírio Libanês (HSL).

"A radioterapia ablativa funcional foi indicada para Gisela porque sua neuralgia do trigêmeo era refratária aos medicamentos. É possível indicar a radioterapia em casos em que não há resposta aos tratamentos prévios, pacientes que não toleram os medicamentos e, finalmente, em pacientes com dor não controlada. Há uma escala chamada BNI que vai de 1 a 5, e Gisela tinha nível 5 de dor", explica Gustavo Nader Marta, médico do departamento de radiologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília e em São Paulo, respectivamente, um dos três centros de saúde no Brasil que oferece a radioterapia ablativa funcional.

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Radioterapia: o que é

Usualmente, a radioterapia é um tratamento que utiliza radiações ionizantes (raio-X, por exemplo) para ajudar na destruição de tumores ou impedindo que suas células aumentem. O método também pode ser usado para reduzir a dor de pacientes que tenham tumores nos ossos ou para melhorar a respiração de pacientes que tenham tumores no pulmão ou na traqueia, por exemplo.

Outra aplicação do procedimento é a chamada radioterapia ablativa funcional, uma técnica não-invasiva, em que são usados microfeixes de radiação com alta precisão direcionados para uma região do sistema nervoso central responsável pelo sintoma e capaz de responder ao tratamento.

"O objetivo é administrar altas doses de radiação nesta região, minimizando as doses nas estruturas sadias adjacentes", descreve Rafael Gadia, médico do departamento de radiologia do HSL.

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Radioterapia no tratamento da neuralgia: entenda o passo a passo

É preciso planejamento para a realização da radioterapia funcional. De acordo com os especialistas do Hospital Sírio-Libanês, é feito o reconhecimento de toda anatomia da região onde será emitida a radiação.

Depois de cerca de uma semana, a pessoa é encaminhada para o tratamento. A sessão dura menos de 30 minutos. E não é preciso ter receio: trata-se de um procedimento indolor em que a pessoa recebe alta imediatamente após o tratamento, com as devidas orientações de cuidados posteriores.

Em linhas gerais, como explicam os médicos, o procedimento funciona usando a irradiação para reduzir a hiperestimulação nervosa de determinadas partes do sistema nervoso. No caso da neuralgia do trigêmeo, a irradiação ablativa é feita em um ponto no nervo que irá provocar a diminuição dos reflexos dolorosos.

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Um dos diferenciais do método aplicado no Hospital Sírio-Libanês é o acelerador linear (equipamento já utilizado para radioterapia de tumores malignos em qualquer parte do corpo) incorporado a outras tecnologias, como o sistema de monitorização por superfície (SGRT), que permite o acompanhamento do paciente em tempo real, visando evitar quaisquer desvios do posicionamento do paciente.

"A técnica tem precisão de 0,1 de milímetro. Antes do tratamento, o acelerador faz uma imagem para checar o posicionamento do paciente, e permite correções também submilimétricas através do uso da mesa robótica do equipamento", explica Samir Abdallah Hanna, médico do departamento de radiologia do HSL.

"Essa estratégia é chamada radioterapia guiada por imagens (IGRT). A combinação do SGRT com o IGRT permite o tratamento dos pacientes sem o uso de frames (aros metálicos que são parafusados na cabeça da pessoa e servem para imobilizá-la no equipamento). Ademais, os feixes otimizados do acelerador linear permitem o tratamento com grande agilidade e precisão."

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De acordo com Gisela, após o uso da radioterapia para sua neuralgia, o alívio da dor foi praticamente instantâneo. "Eu ainda tomo um medicamento, mas numa dosagem bem baixinha. Perto do que eu vivi, estou no céu", relata. "Você não morre desta doença, mas ela vai te debilitando de forma que faz com que você morra para a vida, porque a qualquer momento pode vir um choque".

Gisela, que acabou de se aposentar, tem fome de vida. "Meus três filhos estão comigo. Eu tinha muitos planos e não queria parar de viver agora. Esse procedimento me trouxe de volta - e tem muita gente que precisa dele", conta.

Para quem é indicada a radioterapia ablativa funcional

Além da neuralgia do trigêmeo, a radioterapia ablativa funcional pode ser usada para o tratamento das seguintes doenças neurológicas:

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"Alguns estudos clínicos demonstram taxas de controle de dor de, em média, 80%. É importante ressaltar que a radioterapia pode não ser o 'último' tratamento que o paciente pode precisar. Algumas pessoas podem demandar tratamento com medicamentos, procedimentos invasivos neurocirúrgicos ou até mesmo um novo tratamento radioterápico, a depender da situação clínica", explica o médico Gustavo Nader Marta.

De acordo com eles, a seleção de cada caso e elegibilidade de tratamento com radioterapia ablativa funcional é feita mediante discussão multidisciplinar entre especialistas, como o neurologista, neurocirurgião, psiquiatra e radio-oncologista.

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É um método seguro?

A radioterapia ablativa funcional é um método pesquisado há cerca de 70 anos pela comunidade científica.

Muitos tabus, infelizmente, ainda giram em torno do uso da radiação para o tratamento de doenças. Porém, o procedimento é considerado seguro e altamente controlado pela equipe que o realiza.

"O maior receio dos pacientes - e o nosso - é o risco de um tumor induzido pela radiação. Esse é um efeito que pode ocorrer tardiamente, depois de anos. Contudo, as chances desse evento adverso acontecer são muito menores do que o risco de uma cirurgia ou, ainda, o prejuízo causado na qualidade de vida da pessoa pelo tratamento não realizado", explica o médico Rafael Gadia. "Os pacientes são informados quanto a essas possibilidades na avaliação médica inicial".