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Obesidade pode aumentar incidência de refluxo ácido

Doença é fator de risco para câncer de esôfago

Segundo estudo da Norwegian University of Science and Technology in Levanger, na Noruega, conforme a obesidade cresce, aumentam também os índices de refluxo ácido, também chamado de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). O DRGE é um dos fatores de risco do câncer de esôfago. Os resultados aparecem no periódico Gut, do British Medical Journal.

Para chegar à conclusão, a equipe coletou dados de quase 30.000 pessoas, que faziam parte do estudo chamado Norwegian Nord-Trondelag Health Study, realizado de 1995 a 2009. Os pesquisadores observaram que, no tempo de estudo, os sintomas da DRGE cresceram 30%. As pessoas com menores chances de desenvolver a doença são as mulheres abaixo dos 40, mas pessoas do sexo feminino são mais propensas a desenvolver a condição conforme envelhecem. Sintomas graves eram vistos principalmente em indivíduos com 60 a 69 anos.

Para os pesquisadores, o aumento nos índices da doença se deve ao fato de que a população está engordando e adotando hábitos pouco saudáveis, como sedentarismo e dietas gordurosas: entre pessoas com obesidade, descobriram os estudiosos, há 50% a mais de chances de desenvolver a DRGE. O próximo passo do estudo é descobrir se a perda de peso diminui os índices de DRGE e, logo, câncer de esôfago.

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Alimentação previne o refluxo

Segundo o gastrocirurgião Vladimir Schraibman, o tipo de alimentação é uma dos fatores que causam o refluxo. Além disso, o excesso de peso também é um importante fator desencadeante do problema, porque acarreta em um enfraquecimento da válvula que impede o refluxo. Mas além da obesidade, outros eventos que aumentam a pressão intra-abdominal podem causar esse distúrbio, como a gravidez, ascite (acúmulo de líquido dentro do abdômen, conhecido por barriga d'água), pessoas muito obstipadas e que têm de fazer muita força para evacuar; hérnia de hiato e alterações motoras do esôfago ou do esfíncter gastresofágico.

Atualmente, segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que 12% da população brasileira sofrem de refluxo gastresofágico, o que corresponde a, aproximadamente, 4,5 milhões de brasileiros. Na maioria dos pacientes, o refluxo ocorre de forma espontânea pelo relaxamento transitório do Esfíncter Esofágico Inferior, uma barreira fisiológica que impede que os ácidos gástricos saiam do estômago. A lesão da mucosa do esôfago está relacionada com a qualidade, a quantidade e frequência do refluxo. Um fluido ácido gástrico com pH menor do que 3,9 é extremamente cáustico para a mucosa, sendo o principal agente lesivo na maioria dos casos. Em alguns pacientes, os refluxos de secreções biliares e pancreáticas podem contribuir na lesão.