Vacinas da COVID: o que saber e quais estão em uso no Brasil

As primeiras vacinas contra o coronavírus seguem cercadas de expectativas. Veja quais são usadas no Brasil e o que esperar dos imunizantes para a pandemia

Atualizado em 9/6/2021

A corrida por uma vacina da COVID-19 foi um dos assuntos que mais se destacou no mundo todo em 2020. No final do ano passado, as primeiras vacinas contra o coronavírus foram sendo aprovadas e aplicadas na população, dando os primeiros sinais de esperança para um possível fim da pandemia de COVID-19.

Por ora, especialistas são unânimes em dizer que a vacina seria a forma mais eficaz de controlar a doença. Entenda, a seguir, quais são as vacinas aprovadas, os imunizantes que estão em teste, como anda a vacinação de COVID-19 no Brasil e no mundo e por que a vacina é tão importante para o controle da pandemia.

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Vacinas da COVID-19: quais são e como funcionam

Atualmente, três tipos de tecnologia são utilizadas nas pesquisas para a vacina da COVID-19:

Quais são as vacinas de COVID-19 usadas no Brasil?

Atualmente, o Brasil conta com quatro vacinas aprovadas para uso no país, segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia:

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Dessas quatro, três estão sendo usadas no Brasil: Butantan/Sinovac, FioCruz/Aztrazeneca e Pfizer/BioNTech. O imunizante da Janssen, embora tenha sido comprada governo brasileiro, deve chegar ao país apenas no até o terceiro trimestre de 2021. Com isso, os quatro tipos de vacinas poderão ser usados concomitantemente já no segundo semestre deste ano.

Outras vacinas, como a Covaxin, ainda estão sob análise da Anvisa para que seu uso em território nacional seja aprovado.

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Em recente anúncio, a Anvisa determinou que a importação para o Brasil da Sputinik V está proibida. De acordo com a agência reguladora, "foram identificadas falhas no desenvolvimento do produto, em todas as etapas dos estudos clínicos (fases 1, 2 e 3). Também há ausência ou insuficiência de dados de controle de qualidade, segurança e eficácia. Uma das informações preocupantes com relação à avaliação dos dados disponíveis até o momento é que as células onde os adenovírus são produzidos para o desenvolvimento da vacina permitem sua replicação. Isso pode acarretar infecções em seres humanos, podendo causar danos e óbitos, especialmente em pessoas com baixa imunidade e problemas respiratórios, entre outros problemas de saúde".

Ao todo, seis estados brasileiros haviam firmado acordos de importação de doses da Sputinik V. A vacina é autorizada em 62 países, mas nenhum deles possui agências reguladoras com tradição de rigidez em suas avaliações para aprovar produtos. O FDA, similar à Anvisa nos Estados Unidos, por exemplo, não autorizou o uso do imunizante.

Como funcionam as vacinas contra o coronavírus?

Fiocruz/Universidade de Oxford/AstraZeneca

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A vacina de Oxford, nome popular da fórmula pesquisada pela Fiocruz/Universidade de Oxford/Astrazeneca, foi uma das primeiras a despontar como possível solução contra o novo coronavírus.

Aprovada em janeiro de 2021, é uma das vacinas aplicadas no Brasil em seu Plano Nacional de Imunização. A vacina de Oxford apresenta uma eficácia de 79% quando aplicada em duas doses, segundo estudos mais recentes realizados nos Estados Unidos.

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A eficácia da vacina também aumenta quando o intervalo entre as doses é maior e, por isso, o indicado é que o tempo entre a primeira e a segunda dose seja de 12 semanas.

A vacina de Oxford usa um método inovador que, até então, não havia sido utilizado em nenhum outro tipo de vacina existente: a tecnologia de adenovírus enfraquecido.

Os adenovírus são um grupo de vírus que causam doenças respiratórias leves, como resfriados. No caso da vacina de Oxford, a técnica consiste em enfraquecer o adenovírus CHAdOx1 (responsável pelo resfriado de chimpanzés) e, a partir de pequenas modificações na estrutura do vírus, fazer com que ele possa ter a chamada proteína S (de "spike", termo em inglês para "espícula" ou "gancho").

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Essa estrutura está presente no SARS-CoV-2 e é considerada como uma chave para que o nosso sistema imunológico possa trabalhar contra o vírus. "O objetivo da vacina é fazer com que as nossas células passem a produzir essa proteína e que isso ensine o sistema imune a se defender do coronavírus", explica Francisco Ivanildo de Oliveira Jr, gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil.

Ao lado da Coronavac, a vacina de Oxford é usada no Plano Nacional de Imunização contra a COVID-19. De acordo com estudos mais recentes sobre a vacina, voluntários conseguiram produzir respostas imunológicas, inclusive a chamada célula T, após receberem a imunização.

Instituto Butantan/Sinovac

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Após uma parceria sino-brasileira com o Instituto Butantan, a Coronavac foi a primeira vacina a ser aprovada e usada no país em janeiro deste ano.

Segundo estudo publicado no periódico científico The Lancet em abril de 2021, a Coronavac pode trazer uma eficácia de 62,3% quando aplicada em um intervalo de até 21 dias entre as duas doses.

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Quando as doses são aplicadas em um intervalo de 15 dias, o mesmo estudo mostrou que a eficácia pode chegar a 50,7% - um pouco acima da taxa de 50,38% que efetivou a segurança da Coronavac enquanto imunizante contra o coronavírus no começo do ano.

Diferente da vacina de Oxford, a Coronavac utiliza a técnica tradicional de inativação do vírus. Este é o mesmo princípio usado na vacina da gripe ou da poliomielite, por exemplo. "Ela usa o próprio coronavírus inativado (morto) para estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que neutralizam o vírus", explica Francisco Ivanildo, adicionando que este tipo de vacina é considerada segura até mesmo para os grupos de risco da COVID-19.

João Prats, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, ressalta ainda que a vacina possui outra característica importante no combate ao vírus. "Ela tem uma substância que intensifica a vontade do corpo de produzir anticorpos e chama mais a atenção do sistema imunológico", conta o médico.

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Atualmente, a Coronavac é uma das vacinas usadas nacionalmente no combate contra o coronavírus no Brasil - sendo o imunizante mais usado no país.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou a vacina para uso emergencial em pessoas acima de 18 anos, com aplicações em um intervalo de 2 a 4 semanas entre as duas doses. De acordo com a entidade, a vacina atende aos padrões internacionais de segurança, eficácia e de fabricação.

Pfizer/BioNTech

A vacina da Pfizer/BioNTech foi o primeiro imunizante contra COVID-19 a ser autorizado para uso em humanos no mundo.

O anúncio foi feito em dezembro de 2020 pelo departamento de saúde e serviço social do Reino Unido após aprovação da Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA), órgão similar à Anvisa no Brasil.

Na opinião da Sociedade Brasileira de Imunologia, as vacinas de RNA mensageiro podem ser promissoras não só por propiciar uma alternativa contra o coronavírus, mas por serem uma oportunidade de pesquisa com uso de material genético. "Essas vacinas são inovadoras e podem revolucionar a área de produção. São sintetizadas rapidamente a baixo custo e utilizadas sem muitas dificuldades para vários tipos de doenças", declarou a SBI em comunicado oficial.

Segundo dados do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos divulgados em março de 2021, a vacina apresenta 90% de eficácia contra o coronavírus em duas ou mais semanas. Já um estudo relizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Tel Aviv, em Israel, analisou mais de 500 mil pessoas que foram imunizadas com a vacina. Segundo os dados levantados, após 12 dias desde a primeira dose do imunizante da Pfizer, as chances de infecção pelo vírus são reduzidas em até 51%.

Para combater o coronavírus, a vacina usa a técnica de RNA mensageiro, uma tecnologia incipiente para a fabricação de imunizantes.

De maneira simplificada, uma vacina de RNA mensageiro é uma forma de "dar a receita" para as células produzirem um pedaço do novo coronavírus - no caso, a proteína S. "Assim, o sistema imunológico vai mostrar para as células a porção do coronavírus produzido e uma resposta contra isso será feita", acrescenta o infectologista João Prats.

Segundo relatório publicado na MedRxiv, voluntários que participaram dos testes demonstraram dor no local da vacina, dor de cabeça e fadiga. As reações adversas locais e sistêmicas foram maiores após a segunda dose, mas consideradas aceitáveis nas doses mais baixas utilizadas.

Vacina da Sinopharm

Testadas nas cidades de Pequim e Wuhan, a vacina da Sinopharm tem como base tecnológica a inativação de duas cepas diferentes do SARS-CoV-2 - o mesmo princípio utilizado na Coronavac.

De acordo com João Prats, a técnica consiste em inserir um agente na fórmula de forma que o vírus não cause doenças em pessoas. Para isso, uma amostra do vírus é coletada e inserida em nossas células (ambiente no qual o vírus é replicado). "Para deixar o vírus inativo, são usadas substâncias na vacina que impedem que ele cause a doença. Mas ainda assim é o próprio vírus", explica o médico.

De acordo com porta-voz da farmacêutica, a vacina apresenta eficácia de 79,34% contra o vírus quando aplicada em duas doses. Cerca de 30 milhões de doses devem chegar ao Brasil até junho.

Assim como a Coronavac, a Sinopharm tem a possibilidade de realizar os testes de suas vacinas no Brasil. Em acordo firmado com o Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar), o estado terá acesso aos resultados das duas primeiras fases e, em caso de sucesso, ficará com o repasse de tecnologia para produzir a vacina no país.

Moderna

A vacina da Moderna, farmacêutica de origem estadunidense com sede em Cambridge, no Reino Unido, traz a tecnologia de imunização com RNA mensageiro.

Em nosso corpo, assim como em outros organismos, o RNA mensageiro é um fragmento de material genético que contém a fórmula da síntese proteica do corpo. Ao se conectar a outro tipo de RNA, o transportador, ambos realizam a produção de proteínas.

"Enquanto uma vacina tradicional usa vírus inativados ou atenuados, as de RNA mensageiro utilizam um pequeno fragmento do código genético do vírus, envolto em camada lipídica, formando nanopartículas que são injetadas no paciente. Isso não é capaz de causar uma infecção, mas pode ser suficiente para que as nossas células, ao absorver esse código genético, passem a produzir uma proteína que existe na superfície do vírus, para gerar, então, uma resposta do sistema imunológico", explica o infectologista João Prats.

De maneira simplificada, uma vacina de RNA mensageiro é uma forma de "dar a receita" para nossas células produzirem um pedaço do novo coronavírus - no caso, a proteína S. "Assim, o sistema imunológico vai mostrar para as células a porção do coronavírus produzido e uma resposta contra isso será feita", acrescenta o médico.

De acordo com resultado de estudos mais recentes sobre a vacina, o imunizante da Moderna apresenta uma eficácia de 90% contra o coronavírus. O produto, porém, não está previsto para entrar no PNI.

Vacina russa Sputnik V

A vacina russa, nome dado à "Sputnik V", é uma das candidatas que gerou grande debate no meio científico. Além da polêmica em torno de sua aprovação, ela também chama a atenção por ser uma opção que utiliza a técnica de adenovírus modificados, aplicada em duas doses em intervalo de 21 dias.

No caso da Sputnik V, são dois adenovírus usados como base para a sua fabricação: o Ad26 e o Ad5, responsáveis por resfriados em humanos. Assim como o imunizante de Oxford, o princípio da vacina russa é mudar geneticamente os adenovírus selecionados para que carreguem a proteína S do coronavírus consigo e, assim, estimular a produção de anticorpos contra o SARS-CoV-2.

Segundo anúncio feito pelo Instituto Gamaleya, responsável pela produção da vacina, a taxa de eficácia do imunizante é de 97,6% no "mundo real" - número superior ao comunicado anteriormente em estudo publicado no , de 91,6%.

Vacina Janssen

Assim como outros imunizantes contra a COVID-19, a vacina da Janssen usa como base a tecnologia de adenovírus atenuado.

O agente escolhido para carregar a proteína S na vacina é o Ad26 - o mesmo usado na Sputinik V, por exemplo.

Um dos diferenciais da vacina da Janssen é que o imunizante é aplicado em apenas uma dose. De acordo com um estudo publicado no periódico científico , em abril deste ano, a vacina ainda apresenta uma eficácia de 66% contra os sintomas da COVID-19.

Está previsto, segundo o Ministério da Saúde, que a vacina da Janssen chegue ao Brasil a partir de julho. Ao todo, 38 milhões de doses foram contratadas e devem desembarcar no país.

Butanvac: a vacina brasileira de COVID-19

No final de março de 2021, foi anunciada a primeira vacina que deve usar material integralmente brasileiro, a Butanvac.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o Instituto Mount Sinai, a vacina utiliza como vetor viral o vírus da Doença de Newcastle, uma patologia que acomete aves. É nesse vetor viral, a partir de alterações genéticas, que a proteína Spike é aplicada.

"Em contraste com o vírus da influenza, o vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, sendo uma alternativa muito segura na produção. Além disso, o vírus é inativado para a formulação, facilitando sua estabilidade e deixando a vacina ainda mais segura", pontua o comunicado do Butantan.

Quase dois meses após o anúncio de seu desenvolvimento, o Butantan deu início à produção da vacina e aguarda a autorização da Anvisa para o começo dos testes no Brasil.

Reações possíveis das vacinas

Assim como qualquer imunizante, a vacina da COVID-19 também pode trazer reações. Porém, até o momento, as respostas do organismo aos imunizantes têm se mostrado leves e moderadas. Vale lembrar que as vacinas são seguras, senão não teriam sido aprovadas por agências rígidas e sua aplicação seria proibida na população.

Entre os efeitos mais comuns esperados nos primeiros três dias após a vacina de COVID-19, estão:

Uma polêmica que girou em torno das reações possíveis das vacinas de COVID-19 foram os casos de tromboses associados ao imunizante de Aztrazeneca.

De acordo com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), o risco para trombose é possível, mas muito raro. Ainda de acordo com a agência europeia (equivalente à Anvisa), "o risco-benefício permanece positivo".

Qual é a melhor vacina de COVID-19?

Diante de tantas opções, ainda é difícil apontar qual é a melhor vacina contra a COVID-19. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), mesmo que as tecnologias para a produção do imunizante estejam avançando, os testes de eficácia são muito experimentais.

Desse modo, a única maneira de saber qual é a candidata que vai funcionar melhor contra o coronavírus e quantas doses serão necessárias para combater os sintomas da COVID-19 efetivamente, o ideal é seguir observando a aplicação das vacinas em curso e os testes com os imunizantes que ainda estão em estudo.

Vacinas são eficazes contra mutações do coronavírus?

Após a identificação do SARS-CoV-2 no final de dezembro de 2019, outras linhagens do mesmo coronavírus foram descobertas pela comunidade científica. É o caso da variante B117, identificada no Reino Unido, assim como as brasileiras P1 (Manaus) e P2 (Rio de Janeiro), e a variante da África do Sul, a B.1.351.

Além disso, um estudo feito pelo governo do Reino Unido constatou que as vacinas Pfizer/BioNTech e AstraZeneca/Oxford são "altamente efetivas" contra uma das variantes indianas (B.1.617.2).

Quanto tempo dura a imunização da vacina?

Outra dúvida recorrente diz respeito ao tempo que a vacina do coronavírus protegerá a população. De fato, saber qual é a duração da ação dos imunizantes contra a COVID-19 não é fácil.

"Nos estudos, muitas delas não são de doses únicas. Existem vacinas que provocam imunidade duradoura, outras precisamos tomar anualmente, como a vacina da gripe. Outras precisam ser aplicadas com certa periodicidade de reforço, como a do tétano", afirma Ivan França, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz sobre as diversas possibilidades de vacinação para o coronavírus.

Tais mutações dos vírus, assim como de qualquer outro ser vivo, são esperadas e consideradas um processo comum da natureza. Mas, num contexto de pandemia, acendem um sinal de alerta: o surgimento de novas linhagens de coronavírus traz uma preocupação com relação à eficácia das atuais vacinas aprovadas contra a COVID-19.

De acordo com Lina Paola, infectologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, as vacinas foram testadas com o SARS-CoV-2 da primeira onda e, por isso, não foram contempladas as variantes que surgiram posteriormente.

"O que se presume é que as vacinas tenham algum grau de proteção, porém ainda não há estudos para confirmar. Há pesquisas, porém, que mostraram que a vacina da AstraZeneca e Moderna protegem contra as novas linhagens", diz a infectologista. Um estudo também mostrou que a Coronavac é eficaz contra a P1.

Segundo Lina Paola, embora a preocupação de que as vacinas não sejam eficazes para as novas linhagens de SARS-CoV-2, é preciso que a população seja vacinada. "Uma vez montada a resposta de anticorpos para o vírus, o corpo vai ter uma proteção cruzada que vai proteger de possíveis mutações. Podemos vir a ter a doença, mas de forma mais branda", diz a médica.

Com a proteção cruzada, embora não seja a mesma linhagem de vírus que esteja entrando em contato com o corpo, características genéticas dele ainda estão intactas, o que faz com que o organismo consiga responder com anticorpos e reagir contra a doença que ele causa. Isso é a proteção cruzada. "Por isso, é recomendada a vacinação: por trazer essa proteção cruzada", enfatiza Lina Paola.

A médica ainda aponta sobre um possível cenário de adaptações das vacinas para o futuro caso as mutações sigam ocorrendo. "Provavelmente teremos que, a cada seis meses, mudar a composição das vacinas para criarmos uma resposta imune para a linhagem que circula no momento. Isso não quer dizer que, ao surgirem mutações pontuais, não teremos proteção", conclui a especialista.

Vacina em crianças e adolescentes

As vacinas usadas no Brasil e no mundo, até o momento, têm como foco o público com idade superior a 18 anos. Atualmente, testes estão sendo feitos em crianças e adolescentes para analisar sua eficácia e segurança.

As vacinas Pfizer, Coronavac, Oxford/AstraZeneca e Moderna, por exemplo, já realizam testes em crianças e adolescentes e a Janssen deve realizar ensaios aqui no Brasil.

Imunidade de rebanho com a vacina

A imunidade de rebanho é um termo que entrou em pauta junto com o coronavírus. A expressão se refere à imunização da população pelo contato natural com o agente patógeno (no caso, o SARS-CoV-2) ou por meio da vacinação.

Com 70% das pessoas imunes haveria uma queda considerável na taxa de transmissão, segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia. Alguns estudos, de acordo com a entidade, indicam que a taxa pode ser menor. Mas, ainda assim, optar pela imunização de rebanho por meio da contaminação seria perigoso.

Ter uma vacina significa o fim da COVID-19?

Ao falar sobre a contenção do coronavírus, é preciso esclarecer as diferenças entre a cura da doença e o fim da pandemia. Desde o início, a COVID-19 tem cura.

Embora não exista um tratamento específico, como um antiviral, é possível notar a melhora de pacientes de COVID-19 após um intervalo de alguns dias (duas a três semanas). Para aliviar os sintomas típicos da doença, são indicados alguns medicamentos (antitérmicos e analgésicos), água e umidificador de ar.

"No caso do coronavírus, esperar alcançar este índice de imunidade através da infecção natural, como estratégia epidemiológica, é irresponsável e apenas um conceito teórico. Considerando a alta porcentagem de casos graves e óbitos, as consequências de uma ação deste tipo seriam desastrosas", diz a Sociedade Brasileira de Imunologia.

Assim, a vacina contra a COVID-19, usada de forma massiva e continuada, entra como alternativa efetiva para que a população atinja a imunidade de rebanho. "A única forma segura de induzir imunidade para controlar a transmissão do SARS-CoV-2 é uma vacina eficaz, aplicada regularmente e dentro de um programa público de imunização", informa a SBI.

"Essa imunidade de rebanho nunca é atingida naturalmente, só com a vacinação. É o único jeito. Foi o que aconteceu com a poliomielite", complementa Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, lembrando a notícia divulgada em agosto de 2020 de que a poliomielite foi erradicada no continente africano graças às campanhas de vacinação.

Referência

Francisco Ivanildo de Oliveira Jr, gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil

A pandemia, entretanto, ainda não teve seu fim. A vacina, desse modo, entra como um mecanismo de controle dos casos de COVID-19.

"O que a maioria dos cientistas acredita é que a primeira geração de vacinas não vai conferir imunidade esterilizante, isto é, não vai proteger da infecção. Mas vai proteger de formas graves, como acontece com a vacina da gripe, por exemplo", disse Francisco Ivanildo, em entrevista ao Minha Vida, quando as vacinas ainda estavam em desenvolvimento.

De fato, os imunizantes já revelaram alguma efetividade no controle dos casos graves da doença. Segundo dados da Saúde Pública da Inglaterra (PHE), a aplicação de vacinas impede o desenvolvimento de sintomas da COVID-19, reduzindo o risco em cerca de 60% a 65% quatro semanas após uma dose de qualquer uma das vacinas.

No Reino Unido, são usadas as vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca. "Embora essas descobertas sejam muito animadoras, mesmo se você tiver sido vacinado, é muito importante continuar a agir como se tivesse o vírus", disse Mary Ramsay, chefe de Imunização da PHE.

Ivan França, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia

João Prats, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo - CRM: 155.732

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Sociedade Brasileira de Imunologia

New England Journal of Medicine

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Gamaleja Instituto de Epidemiologia e Microbiologia

Ministério da Saúde

Instituto Butantã

Organização Mundial de Saúde (OMS)

The Lancet