Vacinas da COVID: o que saber e quais estão em uso no Brasil

Tudo sobre as vacinas contra a COVID-19, quais são as usadas no Brasil, doses de reforço, duração da proteção e mais.

Atualizado em 29/10/2021

No final de 2020, as primeiras vacinas contra o coronavírus foram aprovadas e aplicadas na população mundial, dando os primeiros sinais de esperança para um possível fim da pandemia de COVID-19. Por ora, especialistas são unânimes em dizer que a vacina é a forma mais eficaz de controlar a doença.

Entenda, a seguir, quais são as vacinas usadas mundialmente, como anda a vacinação de COVID-19 no Brasil e no mundo e por que a vacina é tão importante para o controle da pandemia.

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Vacinas da COVID-19: quais são e como funcionam

Atualmente, três tipos de tecnologia são utilizadas nas pesquisas para a vacina da COVID-19:

Quais são as vacinas de COVID-19 usadas no Brasil?

O Brasil conta com quatro vacinas aprovadas para uso no país, segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI):

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Em anúncio, a Anvisa determinou que a importação para o Brasil da Sputinik V está proibida. De acordo com a agência reguladora, "foram identificadas falhas no desenvolvimento do produto, em todas as etapas dos estudos clínicos (fases 1, 2 e 3). Também há ausência ou insuficiência de dados de controle de qualidade, segurança e eficácia. Uma das informações preocupantes com relação à avaliação dos dados disponíveis até o momento é que as células onde os adenovírus são produzidos para o desenvolvimento da vacina permitem sua replicação. Isso pode acarretar infecções em seres humanos, podendo causar danos e óbitos, especialmente em pessoas com baixa imunidade e problemas respiratórios, entre outros problemas de saúde".

Como funcionam as vacinas contra o coronavírus?

Fiocruz/Universidade de Oxford/AstraZeneca

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A vacina de Oxford, nome popular da fórmula pesquisada pela Fiocruz/Universidade de Oxford/Astrazeneca, foi uma das primeiras a despontar como possível solução contra o novo coronavírus.

Aprovada em janeiro de 2021, é uma das vacinas aplicadas no Brasil em seu Plano Nacional de Imunização (PNI). A vacina de Oxford apresenta uma eficácia geral de 70,42%, segundo dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Imunologia.

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A vacina de Oxford usa um método inovador que, até então, não havia sido utilizado em nenhum outro tipo de vacina existente: a tecnologia de adenovírus enfraquecido.

Os adenovírus são um grupo de vírus que causam doenças respiratórias leves, como resfriados. No caso da vacina de Oxford, a técnica consiste em enfraquecer o adenovírus CHAdOx1 (responsável pelo resfriado de chimpanzés) e, a partir de pequenas modificações na estrutura do vírus, fazer com que ele possa ter a chamada proteína S (de "spike", termo em inglês para "espícula" ou "gancho").

Essa estrutura está presente no SARS-CoV-2 e é considerada como uma chave para que o nosso sistema imunológico possa trabalhar contra o vírus. "O objetivo da vacina é fazer com que as nossas células passem a produzir essa proteína e que isso ensine o sistema imune a se defender do coronavírus", explica Francisco Ivanildo de Oliveira Jr, gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil.

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A vacina de Oxford é usada no, atualmente, no PNI contra a COVID-19. De acordo com estudos mais recentes sobre a vacina, voluntários conseguiram produzir respostas imunológicas, inclusive a chamada célula T, importante mecanismo de defesa imunológica contra o coronavírus, após receberem a imunização. Ainda não está estabelecido, porém, se a vacina é capaz de frear a transmissão do vírus entre as pessoas que receberam as doses do imunizante.

Em relação aos casos de tromboses associados ao imunizante de Aztrazeneca, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) avaliou que .

"Raros casos de eventos adversos com formação de trombo têm sido reportados na literatura mundial, mas o perfil de risco benefício da vacina é ainda favorável. No Brasil, a taxa observada foi de 0,89 evento tromboembólico para cada 100 mil doses aplicadas, taxa inferior à esperada para a população em geral. Até este momento da investigação, a vigilância classificou estes eventos como com provável relação causal", diz a SBI, seguindo a recomendação da agência europeia.

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Instituto Butantan/Sinovac (Coronavac)

Após uma parceria sino-brasileira com o Instituto Butantan, a Coronavac foi a primeira vacina a ser aprovada e usada no país em janeiro de 2021. Segundo dados da SBI, a Coronavac pode trazer uma eficácia geral de 50,39%.

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Diferente da vacina de Oxford, a Coronavac utiliza a técnica tradicional de inativação do vírus. Este é o mesmo princípio usado na vacina da gripe ou da poliomielite, por exemplo. "Ela usa o próprio coronavírus inativado (morto) para estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que neutralizam o vírus", explica Francisco Ivanildo, adicionando que este tipo de vacina é considerada segura até mesmo para os grupos de risco da COVID-19.

João Prats, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, ressalta ainda que a vacina possui outra característica importante no combate ao vírus. "Ela tem uma substância que intensifica a vontade do corpo de produzir anticorpos e chama mais a atenção do sistema imunológico", conta o médico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou a vacina para uso emergencial em pessoas acima de 18 anos, com aplicações em um intervalo de 2 a 4 semanas entre as duas doses. De acordo com a entidade, a vacina atende aos padrões internacionais de segurança, eficácia e de fabricação.

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Pfizer/BioNTech

A vacina da Pfizer/BioNTech foi o primeiro imunizante contra COVID-19 a ser autorizado para uso em humanos no mundo.

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O anúncio foi feito em dezembro de 2020 pelo departamento de saúde e serviço social do Reino Unido após aprovação da Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA), órgão similar à Anvisa no Brasil.

Segundo a SBI, a vacina apresenta 95% de eficácia contra o coronavírus em duas ou mais semanas. Para combater o coronavírus, a vacina usa a técnica de RNA mensageiro, uma tecnologia incipiente para a fabricação de imunizantes.

De maneira simplificada, uma vacina de RNA mensageiro é uma forma de "dar a receita" para as células produzirem um pedaço do novo coronavírus - no caso, a proteína S. "Assim, o sistema imunológico vai mostrar para as células a porção do coronavírus produzido e uma resposta contra isso será feita", acrescenta o infectologista João Prats.

Na opinião da SBI, as vacinas de RNA mensageiro são promissoras não só por propiciar uma alternativa contra o coronavírus, mas por serem uma oportunidade de pesquisa com uso de material genético. "Essas vacinas são inovadoras e podem revolucionar a área de produção. São sintetizadas rapidamente a baixo custo e utilizadas sem muitas dificuldades para vários tipos de doenças", declarou a SBI em comunicado oficial.

Vacina Janssen (AD26.COV.2)

Assim como outros imunizantes contra a COVID-19, a vacina da Janssen usa como base a tecnologia de adenovírus atenuado.

O agente escolhido para carregar a proteína S na vacina é o Ad26 - o mesmo usado na Sputinik V, por exemplo.

Um dos diferenciais da vacina da Janssen é que o imunizante é aplicado em apenas uma dose. De acordo com um estudo publicado no periódico científico , em abril deste ano, a vacina ainda apresenta uma eficácia de 66% contra os sintomas da COVID-19.

Está previsto, segundo o Ministério da Saúde, que a vacina da Janssen chegue ao Brasil a partir de julho. Ao todo, 38 milhões de doses foram contratadas e devem desembarcar no país.

Butanvac: a vacina brasileira de COVID-19

No final de março de 2021, foi anunciada a primeira vacina que deve usar material integralmente brasileiro, a Butanvac.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o Instituto Mount Sinai, a vacina utiliza como vetor viral o vírus da Doença de Newcastle, uma patologia que acomete aves. É nesse vetor viral, a partir de alterações genéticas, que a proteína Spike é aplicada.

"Em contraste com o vírus da influenza, o vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, sendo uma alternativa muito segura na produção. Além disso, o vírus é inativado para a formulação, facilitando sua estabilidade e deixando a vacina ainda mais segura", pontua o comunicado do Butantan.

Quase dois meses após o anúncio de seu desenvolvimento, o Butantan deu início à produção da vacina e atualmente está na fase de testes.

Reações possíveis das vacinas

Assim como qualquer imunizante, a vacina da COVID-19 também pode trazer reações. Vale lembrar que as vacinas são seguras, senão não teriam sido aprovadas por agências rígidas e sua aplicação seria proibida na população.

Entre os efeitos mais comuns esperados nos primeiros três dias após a vacina de COVID-19, estão:

Qual é a melhor vacina de COVID-19?

Diante de tantas opções, ainda é difícil apontar qual é a melhor vacina contra a COVID-19. A única maneira de saber qual é a candidata que vai funcionar melhor contra o coronavírus e quantas doses serão necessárias para combater os sintomas da COVID-19 efetivamente, segundo a SBI, é seguir observando a aplicação das vacinas em curso e os testes com os imunizantes que ainda estão em estudo.

Vacinas são eficazes contra mutações do coronavírus?

Após a identificação do SARS-CoV-2 no final de dezembro de 2019, outras linhagens do mesmo coronavírus foram descobertas pela comunidade científica. É o caso da variante delta, beta, gama e alfa.

Segundo estudos realizados com as vacinas em uso, ficou constatado que os imunizantes são capazes de reduzir os sintomas de COVID-19 provocados pelas novas variantes, tornando as vacinas eficazes contra as novas linhagens de coronavírus..

Quanto tempo dura a imunização da vacina?

Uma dúvida recorrente diz respeito ao tempo que a vacina do coronavírus protegerá a população. Hoje em dia já se sabe que é necessário tomar doses de reforço e algumas localidades do mundo, como no Brasil, estão aplicando novas doses dos imunizantes.

"Existem vacinas que provocam imunidade duradoura, outras precisamos tomar anualmente, como a vacina da gripe. Outras precisam ser aplicadas com certa periodicidade de reforço, como a do tétano", afirma Ivan França, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz sobre as diversas possibilidades de vacinação para o coronavírus.

Essas doses de reforço periódicas estão relacionadas com a mutação natural do vírus. De acordo com Lina Paola, infectologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, as vacinas foram testadas com o SARS-CoV-2 da primeira onda e, por isso, não foram contempladas as variantes que surgiram posteriormente.

"Provavelmente teremos que, a cada seis meses, mudar a composição das vacinas para criarmos uma resposta imune para a linhagem que circula no momento. Isso não quer dizer que, ao surgirem mutações pontuais, não teremos proteção com os imunizantes", conclui a especialista.

Reforço da vacina: quando tomar?

Aqui no Brasil e em outros países do mundo, o reforço da vacina de COVID-19 já é uma realidade: estados e municípios realizam campanhas de vacinação com aplicação de novas doses de imunizantes. Para saber sobre o seu grupo e quando você deve tomar o reforço, é preciso consultar o calendário da secretaria de saúde da sua localidade.

Via de regra, as doses de reforço estão sendo aplicadas seis meses após a última dose da vacina - podendo ser essa nova aplicação diferente das primeiras utilizadas no processo de imunização.

Vacina em crianças e adolescentes

As vacinas usadas no Brasil e no mundo, até o momento, têm como foco o público com idade superior a 18 anos. Porém, as pesquisas já avançam no sentido de contemplar o público mais jovem - especialmente no caso da Pfizer, que recentemente teve a aprovação do Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos similar à Anvisa, para a aplicação da vacina em crianças de 5 a 11 anos.

Imunidade de rebanho com a vacina

A imunidade de rebanho é um termo que entrou em pauta junto com o coronavírus. A expressão se refere à imunização da população pelo contato natural com o agente patógeno (no caso, o SARS-CoV-2) ou por meio da vacinação.

Com 70% das pessoas imunes haveria uma queda considerável na taxa de transmissão, segundo a SBI. Alguns estudos, de acordo com a entidade, indicam que a taxa pode ser menor. Mas, ainda assim, optar pela imunização de rebanho por meio da contaminação natural seria perigoso.

"No caso do coronavírus, esperar alcançar este índice de imunidade através da infecção natural, como estratégia epidemiológica, é irresponsável e apenas um conceito teórico. Considerando a alta porcentagem de casos graves e óbitos, as consequências de uma ação deste tipo seriam desastrosas", diz a SBI.

Assim, a vacina contra a COVID-19, usada de forma massiva e continuada, entra como alternativa efetiva para que a população atinja a imunidade de rebanho. "A única forma segura de induzir imunidade para controlar a transmissão do SARS-CoV-2 é uma vacina eficaz, aplicada regularmente e dentro de um programa público de imunização", informa a SBI.

Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, complementa o alerta sobre os riscos da imunidade de rebanho natural e lembra a notícia divulgada em agosto de 2020 de que a poliomielite foi erradicada no continente africano graças às campanhas de vacinação. "Essa imunidade de rebanho nunca é atingida naturalmente, só com a vacinação. É o único jeito. Foi o que aconteceu com a poliomielite", diz a professora.

Ter uma vacina significa o fim da COVID-19?

Ao falar sobre a contenção do coronavírus, é preciso esclarecer as diferenças entre a cura da doença e o fim da pandemia. Desde o início, a COVID-19 tem cura.

É possível atingir a melhora de pacientes de COVID-19, especialmente os de casos leves, após um intervalo de alguns dias (duas a três semanas).

Para aliviar os sintomas típicos da doença, são indicados alguns medicamentos (antitérmicos, analgésicos), água e umidificador de ar. Em casos mais graves, coquetéis de antivirais e o mais recente Molnupiravir têm sido utilizados.

A pandemia, porém, ainda não teve seu fim. A vacina, nesse sentido, entra como um mecanismo de controle dos casos de COVID-19.

"O que a maioria dos cientistas acredita é que a primeira geração de vacinas não vai conferir imunidade esterilizante, isto é, não vai proteger da infecção. Mas vai proteger de formas graves, como acontece com a vacina da gripe, por exemplo", disse Francisco Ivanildo, em entrevista ao Minha Vida, quando as vacinas ainda estavam em desenvolvimento.

Referência

Francisco Ivanildo de Oliveira Jr, gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil CRM 77758 SP

Ivan França, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz CRM 151895

Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia

João Prats, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo - CRM: 155.732

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Sociedade Brasileira de Imunologia

New England Journal of Medicine

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Gamaleja Instituto de Epidemiologia e Microbiologia

Ministério da Saúde

Instituto Butantã

Organização Mundial de Saúde (OMS)

The Lancet